— Entre, — falou a psicóloga da agência em meio a um sorriso — sente-se aqui. — completou apontando uma cadeira.
O rapaz, candidato a um comercial que seria veiculado na TV em horário nobre, sentou-se e se ajeitou, tentando encantar, com seu melhor sorriso.
— Então, — falou a psicóloga folheando alguns papéis — eu vi aqui no seu currículo que você já participou de várias campanhas publicitárias.
— Sim, participei de comerciais de TV, revistas, sites e até desfiles ao vivo.
— Inclusive, — observou a moça — aqui está dizendo que você foi eleito o bebê mais bonito há 17 anos.
— Fui. — respondeu ele mantendo o sorriso branquíssimo.
— Depois foi um garoto prodígio até a adolescência. Participou daquela novelinha das 18 horas.
— Fiz pequenas figurações.
— Isso! — concordou a psicóloga olhando por cima dos óculos. — E depois dos 15 anos, participou de desfiles e foi eleito mister estudantil ano passado.
— Fui.
— Então — exclamou a psicóloga fazendo careta de desagrado — esse é o problema.
— Problema? Como assim?
— Você é muito bonito para a nossa agência.
— Bonito para a agência?
— Bonito demais. — respondeu ela quase se desculpando. — Nós precisamos de gente comum. Gente "feia". — disse ela fazendo aspas imaginárias com os dedos.
— Gente feia?
— Sim! Queremos gente com cara de índio, ou de japonês nerd e magrelo.
— Ah, é?
— Isso! E queremos negros também, mas negros normais, não negros bonitos. Estamos à procura de negros com cara de trabalhador braçal.
— Trabalhador braçal?
— Trabalhador braçal. — respondeu ela se ajeitando na poltrona, antes de continuar.
— E estamos procurando gordos, também.
— Gordos?
— Sim, mas o gordo não precisa ser negro. Tem que ser gordo, tipo obeso mórbido, sabe?
— Obeso mórbido?
— Isso, e queremos gente desnutrida também. Com manchas de sol no rosto, cabelo queimado de sol. Cara de pobre.
— M... Mas... Por que isso?
— Inclusão social.
— Inclusão social?
— Inclusão social. — disse ela se levantando e estendendo a mão para o rapaz como se estivesse forçando uma despedida.
— Mas a senhora e a agência estão sendo muito radicais. Na sua sociedade não tem gente bonita?
— Anda na rua. Olha para o brasileiro. A grande maioria da periferia é normal. Nem lindo e nem feio.
— Mas e eu?
— Você é anormal. Criado a leite e mel. Faz parte da minoria dos brasileiros. Sabe aquele um por cento que detém noventa por cento da renda?
— Pois saiba a senhora que eu não sou rico, não nasci em berço de ouro. Meus pais sempre trabalharam. Ganham salário.
— Tudo bem! Mas infelizmente você teve o azar de nascer bonito.
— Azar de nascer bonito?
— É, — explicou a psicóloga — o que antes parecia uma dádiva, hoje é um fardo.
— Eu não estou entendendo essa sua agência.
— Parece que você não está entendendo o mundo.
— Como assim?
— Você hoje é a minoria. E o mundo é cruel com as minorias.
— Então eu sou minoria, o mundo é cruel comigo e na sua agência não tem lugar para caras assim como eu?
— É, — respondeu a
psicóloga abrindo a porta. — Se eu fosse você eu me preparava para o pior...
Seu estereótipo está cada vez mais fora de moda...
Bah, coitado! Até pra isso há mimimis,rs...abração, chica
ResponderExcluirBah tchê!
ExcluirVerdade guria!!
Um abraço, Chica!
Olá André,
ResponderExcluirFiquei com pena do rapaz, mas hoje a inclusão social garante
a participação plena e igualitária de grupos antes marginalizados.
Existe lugar para todos. Essa é a verdade,
Tenha uma excelente semana.
Beijo
Olá Bandys!!!
ExcluirObrigado pela visita.
Tenha um lindo restinho de semana.
É. Nem adianta ir para Only Fans, porque lá também bombam os barrigudos e tiozões feios.
ResponderExcluirKkkkkkkkkkkkkkkkk.
ExcluirAndré, trago aqui o que respondi lá no blog:
ResponderExcluirObrigadão,André pelo carinho! Mas não tenho a menor vontade de escrever ou publicar ! Tenho já 77 na cacunda,rs... Obrigadão pelo incentivo!Mas vou ficar apenas nos blogs com minhas baboseiras sem compromisso algum, deixando apenas fluir!!! rs abraços, chica
Todos temos um lugar no Mundo...e é isso que devemos mostrar...O que interesse se é gordo ou magro?
ResponderExcluirCrónica interessante.
Beijos e abraços
Marta
Obrigado, Marta!
ExcluirAndré!
ResponderExcluirEu sei que é ficção, mas, fiquei aqui a pensar que até podia ser mesmo real.
Lembro de um amigo meu que trabalhava numa empresa construtora, mas que foi despedido porque não lhe faltava uma ou duas cadeiras de Engenharia. Tudo bem! Ele estudou e completou essas cadeiras, ficou com a licenciatura em Engenharia Civil com mestrado integrado.
Quando contactou a empresa onde tinha sido despedido, não podiam admitir porque tinha habilitações a mais.
É só uma comparação, mas no final: somos bonitos demais, ou feios mas falta sempre algo mais.
Gostei do texto.
Boa semana com saúde.
Deixo um abraço.
:)
Olá Piedade!
ExcluirNa verdade é um texto de humor... Mas poderia ser real mesmo.
Um abração!
Vish André, a coisa está ficando cada vez mais difícil mesmo...hehehe
ResponderExcluirPobre e lindo rapaz, as diferenças de todos os tipos agora estão se tornando muito mais vendáveis e relevantes nas agências contratantes!
Creio que em um futuro vindouro, haverá de ser criado cotas para as pessoas belas com a intenção de não se sentirem discriminadas ou excluídas da sociedade...rsrs
Mas isso é real e realmente pode acontecer, o mundo está mesmo de cabeça para baixo...
Beijos querido e obrigada por trazer humor e cultura pra gente!!
Verdade Dri!!
ExcluirAinda bem que você leu como um texto de humor.
Kkkkkkkkkk.
Um abraço amiga!
Oi, André! E o nosso planeta virou de cabeça pra baixo, não? Muito bom! Um abraço amigo!
ResponderExcluirPior é que é verdade!
ExcluirUm abração!
Sobre o manto de "inclusão social", o progressismo de esquerda está fazendo a maior separação que a sociedade já viu. Agora tudo está dividido entre branco e preto, pobre e rico, feio e bonito, gordo e magro, mulher e homem...ops, "mulher", não, "pessoas que gestam..."
ResponderExcluirRapaz... Era pra ser um etxto de humor.
ExcluirNão esperava essa reação nos comentários.
Kkkkkkkkkkkk.
Acho que não consegui me comunicar.
Mas quem manda escrever humor com conteúdo político...? Kkkk
ExcluirNão cabeção! As pessoas que viram conteúdo político.
ExcluirMas não tem.