domingo, 4 de julho de 2021

A provável capa do meu novo livro.

 



Gostaram???


quinta-feira, 24 de junho de 2021

A ilha do tesouro



 

 

Quando eu tinha quatorze anos mais ou menos, eu era um avido leitor. Lia quadrinhos, revistas e livros geralmente emprestados na biblioteca da escola onde estudava. Falando nisso; que biblioteca maravilhosa! Com livros luxuosos, raros e impecavelmente cuidados pela “moça chata que não dava mais de duas semanas pra gente ler qualquer livro, fosse ele do tamanho que fosse.”

Eu já havia lido, Dartagnan e os três mosqueteiros, As aventuras de Simbad o marujo, As aventuras de Guliver, Hobin Hood, muitos livros da coleção Vagalume e mais alguns clássicos infanto-juvenis muito famosos, até que um belo dia, a “moça chata que não dava mais de duas semanas pra gente ler qualquer livro, fosse ele do tamanho que fosse”, me chamou e disse:

- André, hoje eu vou escolher um livro para você ler.

- A... a senhora?

- Isso! – respondeu ela se levantando e buscando um livro na prateleira onde se lia: Clássicos, literatura inglesa. – Esse aqui! – falou, estendendo a mão e me entregando: A ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson.

- E por que a senhora quer que eu leia esse livro?

- Porque eu tenho acompanhado suas leituras e acho que já está na hora de você ler esse livro. Vou te dar duas semanas.

- Ah é? – respondi olhando o livro relativamente pequeno nas minhas mãos. – Uai? Livros de 400 páginas a senhora também dá duas semanas, por que esse de cento e poucas a senhora vai me dar as mesmas duas semanas?

- Porque você vai ler esse livro duas ou três vezes seguidas.

- Vou? A senhora está me mandando fazer isso?

- Não! O livro vai te mandar fazer isso e você não vai resistir.

Gente! Essa “moça chata que não dava mais de duas semanas pra gente ler qualquer livro, fosse ele do tamanho que fosse” sabia do que estava falando!

O livro “A ilha do tesouro”, foi escrito em 1883, de uma forma inovadora. Ele tem dois narradores: O narrador onipresente, comum em 90% dos livros e o jovem Jim Hawkins, que é o herói da história. O engraçado é que esses narradores se entrelaçam e contam a história sob seus pontos de vista e em nenhum momento você se perde no assunto, ou se confunde com quem está “falando com você.”

O clima do livro é tão cativante que não tem como você não ser absorvido pela leitura! Não tem como você não virar um pirata ou um aventureiro perdido no mar. É mágico!

Hoje, trinta e tantos anos após esse dia, eu percebo que tudo, exatamente tudo o que existe em histórias de piratas no cinema, nos quadrinhos, nos desenhos e até em histórias de aventuras e mistério, ou se inspiraram na “Ilha do Tesouro”, ou se inspiraram em alguma obra que se inspirou nele. Pasmem, até em Guardiões da galáxia, o primeiro filme da Marvel, a gente vê traços da “Ilha do tesouro.”

Para mim, foi uma das obras mais importantes que li, mesmo, lógico, sabendo que é uma obra: infanto-juvenil.

Eu não me lembro mais o nome da “moça chata que não dava mais de duas semanas pra gente ler qualquer livro, fosse ele do tamanho que fosse”, mas tenho um grande amor por ela, guardado aqui em meu coração! Amor e agradecimento.

Depois de alguns meses ela “escolheu” outro livro para mim: O tempo e o vento de Érico Verissimo, mas essa história vou contar outro dia!

Hoje, é dia de indicar para vocês: “A ilha perdida, de Robert Louis Stevenson.” Um livro que vai te consumir, entrar na sua cabeça, te encantar e te fazer acabar de ler, voltar à primeira página e começar a ler novamente! Eu li, três vezes em duas semanas!

É... A “moça chata que não dava mais de duas semanas pra gente ler qualquer livro, fosse ele do tamanho que fosse”, podia ser chata na época, mas hoje é minha amiga. Uma amiga que sabia muito das coisas. Uma bibliotecária que fazia jus ao seu salário e ao amor pelos livros!

Deus a abençoe, esteja ela onde estiver.

 

 

 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Saudade do novo!

 













Esse texto, apesar de servir para pessoas de todas as idades, vai especialmente para os amigos que eram adolescentes nos anos 80, assim como eu.

Eu tenho alguns amigos saudosistas que sempre falam: - Ah, como eram boas as bandas e as músicas do nosso tempo! – Como se o tempo de hoje não fosse mais nosso tempo! Como se nós, fossemos almas penadas, que vagam por aí, perdidos, porque o tempo em que era vivo já não existe mais após a morte!

Para esses eu sempre respondo o seguinte: - Meu amigo, eu também sou saudosista e também escuto os velhos discos das bandas que fizeram sucesso na nossa adolescência, porém, se você não sabe, essas mesmas bandas ainda gravam discos espetaculares! Só não tocam mais no rádio e na TV, porque o show business resolveu escolher outros ritmos que agradam mais o público de hoje em dia.

Gente, o último disco do Paralamas do sucesso, (Sinais do sim), pra mim, é o melhor de toda a carreira deles! Os últimos três ou quatro discos do Capital Inicial são melhores que todos os discos deles dos anos 80... E muito melhores!

Os últimos do Lobão, do Ira!,  do Biquini Cavadão, do Nenhum de Nós, da Plebe Rude, dos Inocentes, são muito bons! Muito bons mesmo. Especialmente o último da Plebe Rude, (Evolução), que pra mim, é uma obra prima!

Eu não posso negar que algumas bandas pararam no tempo e que algumas se desfizeram, mas mesmo essas que se desfizeram, continuam com seus músicos fazendo ótimos trabalhos em discos solo, como é o caso do Nando Reis, Paulo Miklos, Guilherme Isnard (vocalista do Zero), Gaspa (ex-Ira!), Paula Toller, Leoni, Bonfá, Wander Wildner, Marcelo Gross, Samuel Rosa, Marcelo Nova, Humberto Gessinger e tantos outros. Esse povo todo nunca parou de trabalhar e produzir coisas novas.

Então meu amigo saudosista! Deixe de preguiça e procure por novos sons de velhos ídolos! Vocês vão se surpreender com cada trabalho magnífico que você deixou passar batido.

Ah... E se você se empolgar nesse garimpo, vai acabar encontrando novas bandas de rock que nunca ouviu falar, dessa garotada adolescente ou na casa dos vinte e poucos anos hoje, que também são muito bons!

Se vira! Alma penada!



sábado, 5 de junho de 2021

CBF, CPF e CNPJ




 

A seleção brasileira de futebol é muito maior que qualquer técnico. Muito maior que o presidente da entidade. Muito maior que todos os jogadores. Ela representa para o brasileiro uma entidade quase sobrenatural, da qual ele se orgulha. O futebol para o brasileiro é o maior, senão, o único esporte onde ele se acha capaz de ser o melhor do mundo.

A seleção brasileira de futebol não pertence a indivíduo nenhum e ninguém pode falar em nome dela, porque a seleção é do povo!

Falando no povo, como está o povo brasileiro hoje?

O povo brasileiro está dividido em 3 grandes grupos: O grupo que apoia o governo, o grupo que é oposição ao governo e o grupo que está indeciso. Essa trinca de situação política é a definição da nossa sociedade polarizada, tri-polarizada melhor dizendo, e a seleção brasileira de futebol representa todos eles.

Não importa o lado político do técnico, não importa a ideologia política do presidente da CBF, não importa a ligação política do roupeiro, da cozinheira da seleção, do preparador físico e nem do torcedor enquanto indivíduo portador de CPF.

Os CPFs tem que se manifestar quando estiverem falando sobre suas posições pessoais! Nunca, ninguém pode falar politicamente em nome da CBF. Porque como disse acima, a CBF representa um orgulho para TODA a nação brasileira, seja ela de que cor, raça, classe social, cidade, estado, religião orientação sexual ou política tiver.

A CBF não tem CPF, ela tem CNPJ e os CNPJs não tem voz política pois eles representam pessoas, e pessoas são indivíduos. Indivíduos são diferentes.

Alguns CPFs estão querendo politizar a seleção, colocando suas posições pessoais como se fossem a voz do CNPJ, mas não são!

Quem quiser trabalhar na seleção tem que ter claramente em sua mente a imagem de que trabalha para um povo tri-polarizado, e que não tem que dar palpites públicos, na frente de microfones e holofotes, a não ser, que deixem bem claro que essa é sua opinião pessoal e não da entidade. E deve também saber, que se quer trabalhar na seleção, vai ter que fazer coisas que não quer, porque a sua vontade individual não se sobrepões a vontade do povo, e lembrando: a seleção é do povo.

O Brasil tem que jogar a copa América sim.

As pessoas que confundem futebol com política e são contra o governo, ou que simplesmente acham que não se devia jogar uma competição dessas em meio à pandemia, é só usarem seus controles remotos e assistirem outras coisas, ignorando a seleção.

As pessoas que acham que a seleção tem que jogar, mesmo em meio à pandemia, que usem seus controles remotos e assistam.

As pessoas que não estão nem aí para a seleção, que tanto faz, tanto fez... Que usem seus controles remotos da melhor forma possível.

Democracia é isso!

A seleção é do Brasil, o Brasil é do povo!

Povo é CPF, seleção é CBF e CBF é CNPJ.

Entendeu?




sábado, 29 de maio de 2021

O tacho do capeta... Ou seria do Calvino?





Segundo a teologia cristã, haverá um dia em que eu, tu, ele, nós, vós e eles, seremos julgados!

Nesse julgamento ficará decidido que se você aceitou a Jesus como seu único e suficiente salvador, deverá ser salvo e ir morar no céu eternamente. Mas se você não aceitou Jesus e torceu pelo lobo mau a vida toda, fazendo parte da matilha ou não, certamente vai fritar no tacho do capeta eternamente e de vez em quando ainda vai levar uma cutucada do tridente do caramunhão pra ficar esperto!

O problema é que essa fritada no tacho não ficará pronta nunca, porque é eterna! E me desculpe, se você não entendeu ainda, eternamente é muito tempo meu amigo!

Bom, até que a conta é fácil de resolver: ouviu sobre Jesus, entendeu e aceitou vai pro céu, não aceitou vai pro tacho.

Porém, contudo, entretanto, nós, seres humanos complicadíssimos, complicamos as coisas. Aliás somos mestres nisso!

Um cidadão, inteligente pra burro, chamado João Calvino, arrumou um jeito de dizer, baseando-se em versículos da Bíblia meticulosamente escolhidos, que a coisa não é tão fácil assim!

Ele bolou uma trama teológica onde a simplicidade da salvação se dá apenas para um grupo de pessoas, que ele chamou de eleitos, ou predestinados.

Segundo Calvino, Deus, na marra, fará com que alguns escolham a Jesus e o aceitem, mesmo que não queiram, como seu único e suficiente salvador, irresistivelmente inspirados pelo Espírito Santo e pasmem (!) livremente.

A outros, Deus não dará a chance de escolher a Jesus! Mesmo que o cara assista e entenda uma pregação, absorva a palavra de Deus ou encontre uma Bíblia em uma ilha deserta e se convença de que Jesus é o caminho, Deus vai mexer os pauzinhos celestiais para que o coração desse fulano se endureça e ele não aceite Jesus verdadeiramente, porque ele não é um dos eleitos.

Gente! É inacreditável, mas na cabeça do Calvino, se Deus amolecer o coração do homem fazendo-o aceitar ou endurecer, fazendo-o não aceitar, calvinamente essa interferência não existe, e a “escolha” do homem é classificada como livre.

Esse Calvino tem milhões de seguidores no mundo todo entre as igrejas evangélicas tradicionais, sendo o mais influente teólogo da teologia reformada. Seus discípulos são combativos e sua doutrina tem entrado em igrejas que tradicionalmente pensavam diferente disso. Eles explicam o inexplicável e quando caem em contradição dizem que é um mistério divino, mesmo que a parte contrária explique didaticamente pra eles algo mais plausível, eles não arredam o pé e falam que você é que não entendeu e se não entendeu deve até ser porque você não é um eleito... Vai saber!

Essa questão que eu coloquei aqui é apenas um agente complicador da teologia calvinista, existem muitas outras questões controversas em sua teologia, pois ela é calcada em 5 pontos, e cada ponto é mais polêmico que o outro.

Ainda bem que no dia do julgamento, quem vai julgar é Deus e não o Calvino, (isso, pensando com piedade no coração, que ele esteja no céu!) Porque pelos julgamentos calvinistas, correríamos o risco de não caber de tanta gente no tacho do capeta!

Na verdade, acho que o capeta teria que abrir uma fábrica de tachos! Imagine o slogan da fábrica: Tachos Calvino, eternamente esperando por você!

Eu hein... Tô fora! 




sábado, 15 de maio de 2021

Olhar de cinquenta anos

 




Sabrina, Jonas, Augusto Cesar e Priscila entraram pelo salão de festas trazendo o bolo de bodas de ouro do vovô Valter e da vovó Soraia. Os velhinhos esperavam o bolo chegar rodeados pelos filhos e amigos, que cantavam “parabéns pra você!”

Uma lágrima escorreu pelo rosto da vovó Soraia e do vovô Valtinho. A cinquenta anos atrás eles não imaginavam que conseguiriam chegar a um momento desses.

Em 4 de agosto de 1952, Soraia, uma linda jovem, trabalhava no mercadinho de seu “Manoel português”, um homem justo, bom patrão, mas muitíssimo exigente com seus funcionários. Soraia estava pesando um quilo de feijão para uma cliente, quando Valter entrou pelo mercadinho apressado para comprar batatas.

- Seu Manoel! – falou Valter num só fôlego. – Me dê um quilo de batatas meio rápido, porque já está quase na hora de eu ir para escola e minha mãe se enrolou, não teve tempo de vir aqui, ainda não fez o almoço e meu pai já vai chegar do serviço.

- Olhe garoto, vais ter que esperaire a sua veix! Purque tem umas pssoas qui chegaram em vossa friente!

Soraia olhou para Valter com cara de poucos amigos. Ela detestava esses apressadinhos que vinham tumultuar o seu serviço.

Alguns dias depois, Soraia esperava o ônibus para ir ao cinema encontrar seu namoradinho novo, um rapaz loiro que tinha os olhos mais azuis de todo o mundo! Perdida em pensamentos ela nem notou quando Valter sentou-se ao seu lado no banco do ponto de ônibus e começou a folhear um gibi do “Cavaleiro Solitário.”

Os dois entraram no mesmo ônibus e mais uma vez sentaram-se lado a lado, até chegarem à porta do cinema. Soraia logo encontrou o rapaz loiro e Valter logo encontrou seus amigos que foram até ali para trocar gibis e dar uma paquerada nas meninas.

Uma vez, Soraia passeava com sua amiga Gorete pela praça da catedral, quando Valter passou em sua bicicleta olhando para Gorete, que era “a menina mais linda da cidade.”

Ele se descuidou olhando tanto para sua musa, que nem viu o banco de concreto à sua frente!

Foi um capote só! Sorte que Valter caiu dentro do chafariz e apesar de ter se molhado todo e da vergonha que passou, não se machucou além de uns arranhões.

Na quermesse de São João, Valter discutia com sua namorada Ermínia sentado nos degraus do coreto ao centro da praça, enquanto Soraia namorava Arlindo num banco próximo. A discussão de Valter se elevou tanto que Ermínia deu-lhe um tapa no rosto. O estralo foi tão alto que Soraia e Arlindo até se assustaram! Quando olhou para ver quem tinha apanhado, Soraia só viu um rapaz indo embora com sua bicicleta por entre o jardim enquanto uma moça chorava e xingava dizendo para ele voltar.

Perto de um Natal, Soraia estava junto com as meninas da igreja passando de casa em casa fazendo uma coleta para montar cestas de natalinas para pessoas carentes. Ela bateu numa casa e a dona saiu nervosa, falando que não tinha nada para ajudar e que já estava cansada de pessoas enchendo o saco em seu portão. Valter que passava pela rua, parou sua bicicleta assistindo incrédulo a aquela cena. Vendo o destempero da mulher, entrou no assunto defendendo as “meninas da igreja”.

- Dona Rute! – Falou Valter com respeito. – Isso que a senhora está fazendo não é legal! As meninas estão tentando fazer uma boa ação! Se a senhora não quer ajudar é só falar que não e fechar a porta, não precisa falar tantas coisas assim para elas.

Foi a primeira vez que Soraia encarou os olhos de Valter. Ele era um desconhecido para ela e ela era uma desconhecida para ele.

Hoje, passados cinquenta anos, os dois velhinhos se abaixaram para apagar as velinhas do bolo de bodas de ouro.

Ela encarou os olhos de seu velho e se lembrou desse dia em que ele a defendeu. Os olhos eram os mesmos e a pessoa por trás deles também.

Novamente ela se encantou por aqueles olhos.

Jovens olhos.

Um jovem olhar de cinquenta anos...

O olhar do amor de sua vida!




sexta-feira, 2 de abril de 2021

Feliz Páscoa!

 

A gente reclama do posicionamento de algumas pessoas em relação à política. 

Muitas dessas pessoas, sem nenhum conhecimento filosófico, religioso, teológico, psicológico, algumas sem base familiar, sem berço decente, outras sem escolaridade, sem cultura e infelizmente sem bagagem para discutir em médio nível, quanto mais em alto. 

Mesmo assim compramos brigas homéricas com essas pessoas, principalmente sobre política e essa bipolaridade que se tornou o Brasil. 

Não estou aqui dizendo que sou melhor que ninguém! 

Eu tenho o meu nível de conhecimento, algumas pessoas estão num nível abaixo e outras estão num nível acima. O mundo é assim. 

O problema é quando identificamos que o outro não tem nada a dizer para o crescimento do assunto e mesmo assim continuamos a dar corda!

O culpado da discussão nesse caso somos nós mesmos. 

E olha, na verdade, nós seres humanos somos idiotas que querem ter razão em tudo. Por isso brigamos no futebol, na política, na religião e até no par ou ímpar. 

O próprio cristão, que se diz santo e hoje chora a morte de Jesus e que daqui a 2 dias vai comemorar a Páscoa arrumou uma forma de se achar a última bolacha do pacote. Isso entre os próprios cristãos, nem estou falando de quem é de outra religião. 

Os da igreja Cristã no Brasil se dizem a única igreja certa no mundo, os Testemunhas de Jeová se dizem os únicos que irão para o céu, os calvinistas se dizem eleitos e os únicos escolhidos pelo próprio Deus para serem salvos e por aí vai...

Gente! Ser humano é carente.

Preferimos estar certos do que a tranquilidade. Amamos uma boa briga. 

Sempre estaremos contra ou a favor de qualquer governo ou situação. 

Mas hoje, sexta feira Santa, que simboliza a morte de Jesus, é  pelo menos, mesmo se você for ateu, um dia para meditar, se o que estamos fazendo aqui na Terra tem mais ajudado ou atrapalhado a vida do nosso próximo. 

Se estamos somando ou subtraindo. 

Se vamos deixar saudades ou indiferença. 

Se somos do time dos bandidos ou dos mocinhos. 

Hoje é um bom dia pra pensar.

Pense aí, no seu íntimo e discuta com você mesmo. 

Talvez essa discussão possa fazer a diferença na sua vida e na vida de mais alguém, positivamente. 

Feliz Páscoa! 




sábado, 6 de fevereiro de 2021

Borracharia Brás Cubas



  

- Interessante o nome da borracharia do senhor.

- Brigado! – respondeu o borracheiro sem olhar pra mim.

- Borracharia Brás Cubas, - continuei intrigado – como foi que o senhor chegou nesse nome?

O borracheiro retirou o pneu furado e colocou-o no chão, depois começou a desmontá-lo e ainda sem olhar pra mim, respondeu:

- É que eu sou comunista.

- Comunista? Como assim? Não entendi...

- Uai, comunista! O doutor não sabe o que é comunista?

Pelo tom áspero de sua voz, pareceu que o borracheiro não gostou muito do meu interrogatório, mesmo assim, resolvi continuar perguntando:

- Eu sei o que é comunista, mas o que tem a ver o nome Brás Cubas e o comunismo?

- Me desculpe doutor, - falou o borracheiro se levantando com a câmara de ar na mão e se dirigindo até uma bancada – mas é só o senhor pensar um pouquinho. Brás Cubas é o ajuntamento de Brasil e Cuba.

“Meu Deus! – pensei surpreso – Eu aqui achando que o borracheiro era uma pessoa culta e ele me vem com uma frase dessas!”

- O senhor é doutor mais não sabe de algumas coisas que nós aqui da periferia sabemos. – falou o borracheiro, agora parecendo empolgado com o assunto.

- Ah é? E o que o senhor entende de comunismo?

- Entendo muito mais do que o senhor acha que eu entendo! Sigo as ideias de Raul. Saiba o senhor que o Raul foi um grande pensador comunista.

- Raul? Que Raul? – perguntei cada vez mais surpreso. – O Raul Castro, irmão do Fidel Castro?

- Não meu amigo, - respondeu o borracheiro com um sorriso expressando desdém pela minha pessoa – o Raul Seixas!

- Raul Seixas?

- Isso mesmo doutor! Raul Seixas! Da sociedade alternativa, do novo Aeon, quem não tem colírio usa óculos escuros! O senhor não entende as mensagens? O Zé entendeu...

- Zé? Que Zé? O Zé Dirceu?

- Não doutor... O Zé Ramalho!

- Zé Ramalho?

- Isso doutor! Nós vivemos uma vida de gado! – falou o borracheiro olhando para o além como se fizesse um discurso para uma multidão. -  Zé toca Raul! Um dia a sociedade alternativa vai descer no nosso planeta e a gente vai pra outra galáxia.

- A gente quem? Eu e você?

- Não doutor. – respondeu o borracheiro balançando a cabeça. - Tá na Bíblia! O senhor lê a Bíblia? Pessoas assim como o senhor, que acha que sabe de tudo não vão! Só nós... Os puros de coração é que vamos ser arrebatados! Pessoas que acham que sabem tudo são arrogantes.

- Arrogantes não vão ser arrebatados? – perguntei maliciosamente.

- Não doutor! – respondeu o borracheiro apontando o dedo para mim. - Mas tem uma salvação pro senhor.

- Ah é... Ufa! E qual é a minha salvação?

- A metamorfose ambulante.

- O que?

- A metamorfose ambulante! Se o senhor preferir ser a metamorfose ambulante, ao invés de ter essa sua velha opinião formada sobre tudo; quem sabe o senhor não vai também.

Não sei como e nem por quê, mas essa última resposta do borracheiro me acertou feito um soco no estômago! Tanto, que depois dela eu resolvi me calar e saí de lado, fingindo que falava ao telefone, esperando ele terminar o serviço.

Eu saí da borracharia Brás Cubas diferente. Meu intelecto me dizia que as coisas que o borracheiro falou, eram coisas malucas e sem nexo, que só poderiam existir na cabeça de um lunático, mesmo assim, uma pulga ficou atrás da minha orelha. Será que querer sempre dar uma de intelectual, e brigar para ter razão em tudo, não nos transforma em pessoas arrogantes? Aquele maluco me deu uma lição. Acho que vou preferir a metamorfose ambulante, a partir de hoje. Vai que a nave me esquece no dia do arrebatamento...



 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Fauda




 Estamos assistindo um seriado chamado Fauda, que fala sobre a eterna guerra entre Palestina e Israel.

O mais interessante é que apesar do seriado ser israelense ele não puxa a sardinha para o lado de Israel, e mostra igualmente, absurdos cometidos pelos dois lados.

Basicamente a história gira em torno de um agente israelense que pensava ter matado um líder terrorista palestino até que esse terrorista reaparece. À partir daí, o conflito, os planos, os atentados, a guerra nas ruas e entre as famílias começam de uma forma que parece não ter fim.

As cenas são fortes, os diálogos são fortes, as desculpas que os dois lados dão para explicar suas atitudes também são fortes.

 Definitivamente, depois de começar a assistir esse seriado eu passei a entender um pouco mais os motivos desses povos que são inimigos a milênios, e entendi que os dois estão errados.

Não dá para tomar partido de um lado ou de outro, a não ser que você esteja inserido no contexto político, social e religioso de algum desses povos.

O cenário é praticamente o território da faixa de Gaza, um pouco da Palestina pacificada e um pouco de Israel também pacificado. Mas gente! A paz que aparece em alguns lugares, parece tão frágil, que a gente pensa que pode acabar de um segundo para o outro e sem motivo algum.

Vale muito a pena assistir esse seriado. Mas como eu disse: Tudo nele é chocante, e talvez perturbador para pessoas influenciáveis.

Recomendo, mas vá com calma. 





sábado, 2 de janeiro de 2021

Reta final

 


Gente, desejo a todos um feliz ano novo pra todo mundo! Que Deus nos conceda um 2021 infinitamente melhor que esse 2020 que foi terrível e que já foi tarde!

 
Uma boa notícia de começo de ano é que finalmente estou na reta final do meu novo livro! Ufa! Esse está sendo muito mais difícil de escrever do que o primeiro.
Acho que mais uma semana eu acabo, talvez nem isso.
Agora vem outra fase que não é fácil. Corrigir, registar e procurar editora interessada.
A capa ainda não está decidida, mas tenho essas opções abaixo. Pequeninos detalhes as diferenciam, mas ainda não decidi.

Qual vocês acham melhor?