terça-feira, 12 de maio de 2026

Ainda não é o Apocalipse

  

 Sei que não é da cultura blogueira, escrever e nem ler postagens longas.
 Mas escrevi esse conto e achei que deveria compartilhar com vocês, amigos.
 Acho que vão gostar. 




 
            Agnaldo nasceu e sempre viveu na favela do Cruzeirinho.
            Em sua cabeça não existia uma lembrança de criança que não contenha as ruas, as casas, as pessoas da favela.
            Ele e seus amigos correndo descalços, jogando bola em ruas de terra batida, desviando de poças de água de esgoto, que corria a céu aberto.
             De vez em quando a polícia era chamada, porque alguém encontrara um corpo em algum terreno baldio, ou já fedendo em algum dos barracos.
            Quando estava na adolescência, Agnaldo ajudou seu pai em várias obras pela cidade, trabalhando como ajudante de pintor de casas.
            Seu pai era o que popularmente e pejorativamente se chamava de — pintor meia-boca —, não era ruim e nem tão bom.
            Por isso nunca pegava as obras para administrar. Sempre trabalhava para alguém.   
            Entre idas e vindas trabalhando com seu pai, Agnaldo arrumou tempo para bater carteira, traficar, ser detento na Febem, ser cafetão de Isadora e Cyntia. Vender muamba do Paraguai, assaltar velhinhas e novinhas, até que um dia conheceu Jussara.
            Conheceu, namorou, fez sexo e mais sexo e virou pai.
            Olhando sua ficha corrida, um desavisado pode achar que ele tentava sobreviver da forma que sabia.  
            Depois que sua menina nasceu, ele resolveu tentar viver como um homem de bem.
            Trabalhou em uma barraca na feira, entregou jornal, aparou jardins, entregou lanche e marmitex e trabalhou de frentista de posto de gasolina.
            Tentou, mas seu jeito bruto e pouca escolaridade não o ajudavam muito.
            Jussara estava na terceira gravidez.
            E os problemas, de repente se amontoaram em sua cabeça.
            Aluguel, supermercado, água cortada, luz — gatificada e descoberta pelo vizinho.
            Tudo andava muito mal, então ele resolveu voltar a roubar.
            Agnaldo encontrou a vítima ideal, uma loja de roupas bem movimentada em frente a praça São Geraldo, perto do centro de Santana.
            Ele estava vigiando a loja há uma semana.
            O dono, que ele descobriu que se chamava Osmar, já tinha uma certa idade e sempre ficava sozinho no final do expediente.
            Esse Osmar, era um homem de 75 anos, alto, magro, de aparência tranquila e cordial. Era dono da loja: “Pague Pouco” há 40 anos.
            Sua veia comerciante, herdou de seu pai Juares, que também era comerciante e ensinou tudo o que sabia a Osmarzinho.
            Ao lado da loja Pague Pouco existe a igreja evangélica: Cristo é vida, onde o pastor Medeiros pastoreia cento e poucos membros fiéis.
            A obreira mais querida da igreja era Ana Cláudia.
            Baixinha, atarracada, com sorriso fácil e olhar atento às pessoas, ela era dedicada aos irmãos da igreja e o braço direito do pastor.
            Limpava a igreja, fazia compras, trabalhava na secretaria, cozinhava nos eventos e ainda fazia parte da recepção dos irmãos nos dias de culto. Fazia tudo voluntariamente e não aceitava nenhum tostão em troca.
            Na praça em frente à igreja, quando anoitecia, prostitutas, travestis, traficantes e usuários, faziam dali seu habitat, sem se preocuparem se estavam sendo observados ou não, pelos fiéis da igreja.
            Seu Osmar, como era o mais velho do quarteirão, acabou sendo "eleito", um tipo de síndico.
            Todos vinham reclamar com ele quando se sentiam ofendidos, como se ele pudesse fazer alguma coisa.
            Os irmãos da igreja reclamavam que a prostituição estava fazendo daquele lugar um inferno.
            As prostitutas e travestis reclamavam que a igreja estava tentando transformar esse inferno em um céu e que eles não queriam isso.
            Seu Osmar passava apertado com essa guerra e tentava socorrer dos dois lados, sempre tomando cuidado para não tomar partido.
            Agnaldo, decidido, com um revólver carregado na cintura, estava à espreita. Ele esperava o momento ideal para render o velho Osmar e roubar a loja.
            Durante toda a tarde andou pela praça sem dar pinta de suas intenções.
            Viu a Igreja acender as luzes e abrir seus portões.
            Viu as prostitutas, travestis e clientes começarem a transitar pela praça.
            Até que finalmente percebeu que seu Osmar estava sozinho na loja, quase na hora de encerrar o expediente.
            "É agora ou nunca" — pensou Agnaldo, que estava em um banco na praça ao lado do ponto de ônibus procurando encontrar coragem.
            Ele verificou as balas de sua arma, colocou-a dentro da jaqueta jeans e atravessou a rua.
            Quando estava quase no meio da rua e se preparando para sacar a arma, aconteceu o inesperado.
            Um apagão...
            Tudo escureceu, o mundo ficou na penumbra, São Paulo virou um breu.
            Apenas as lanternas e faróis de alguns carros iluminavam de vez em quando a rua.
            Ana Claudia, que estava na frente da igreja, correu para a porta da loja gritando:
            — Seu Osmar, a força acabou aí também? Parece que acabou na rua inteira.
            Nesse momento Agnaldo acabou de atravessar a rua e chegou à porta da loja junto com Ana.
No mesmo instante, Miguel, também conhecido na noite por Michaela, atravessou a rua correndo e entrou na loja:
            — Aiii seu Osmar, que escuridão! Cruzes! — exclamou o travesti se abanando.
            — Parece que esse apagão é dos grandes, — respondeu o velho Osmar — olhando ao longe e percebendo que não havia sinal de eletricidade.
              Oi mocinho! — falou Michaela olhando Agnaldo de cima abaixo.
            — Oi amigo... — respondeu Agnaldo numa tonalidade não muito amigável.
            — Nossa, que sério!
            — Parece que acabou a força no bairro todo. — falou Ana olhando para a rua.
            Seu Osmar, vindo de dentro da loja com o celular na mão e com as chaves da loja já enfiando na fechadura da enorme porta de vidro, avisou:
            — Aqui no radio tá falando que é um apagão gigantesco, igual aquele que ia dar no governo do Fernando Henrique, vocês se lembram? Parece que a coisa é feia. A cidade inteira parou.
            Quando viu Agnaldo parado na porta da loja, seu Osmar perguntou:
            — Oi rapaz, me desculpe, eu não vi você aí, precisa de alguma coisa? Eu tenho visto você aqui pela rua sempre, e sempre olha com carinho pra minha loja.
            — Com carinho mesmo senhor, eu vejo que sua loja tem um bom movimento. — respondeu                     Agnaldo já pensando que seu golpe tinha ido por água abaixo. Como roubar essa loja se o dono já tinha até percebido a presença dele olhando para sua loja? E com carinho...
            Nisso atravessa a rua toda afobada, Valdirene, uma prostituta antiga ali da área.
            — Ai gente! Estão falando que é um brêcauti! Que a energia do mundo está acabando, por causa da camada de “ozonho.”
            — Larga de ser boba menina, hahahahahahahaha, camada de “OZONHO.” — gargalhou Michaela. — Que puta burra.
            Todos se esborracharam de rir.
            — Osmarzim — irritou-se Valdirene — você vai deixar essa bicha me chamar de puta!
            — Olha Val... Eu acho que nessa briga aí, eu não tenho lugar de fala.
            — Bobagem Valdirene! Eu falei puta no sentido carinhoso! Nossa putinha mais velhinha e lindinha.
            — Vocês duas são engraçadas. — falou Ana Claudia dando risada.
            — Onde você ouviu falar que o blecaute tem a ver com a camada de ozônio, Valdirene?
             O Adão pingaiada, disse que escutou no rádio.
            — Ah... Agora está explicado — caçoou Osmar — o Adão bebinho, que não sabe nem onde está a própria cabeça? Só você mesmo, Valdirene.
            Nisso, vendo a movimentação na porta da loja, o pastor Medeiros veio ver o que acontecia com aquela turma que se esborrachava de rir.
            — O que está acontecendo aqui gente?
            — Fala pra ele Valdirene.
            — Eu não! Ele já acha que eu sou do capeta. Não vou dar motivo pra esse chato rir de mim.
            — Hahahahahahaha, (seu Osmar se contorcia de dor na barriga de tanto rir), conta pra ele mulher!
            — É que o Adão pingaiada, falou que a camada de “ozonho” fez as lâmpadas apagarem e a força acabar. E esses bobos estão rindo. Mas o Adão falou que escutou isso no rádio!
            — O Adão andarilho que mora no banco da praça?
            — Ele mesmo.
            — Que maluquice. Isso não existe irmã. E eu não acho que você seja do capeta, como você disse. Eu só acho que a forma que você e esse rapaz ganham a vida, uma forma errada.
           — Opa! Rapaz não senhor! Eu sou mulher, me respeita por favor! Eu só nasci num corpo errado!
          — Calma gente, — pediu Osmar apaziguando —   vamos fazer uma trégua hoje, que temos visita aqui. — apontou para Agnaldo que também sorria da situação.
            — Não irmãozinho, eu não vou te criticar. É que para mim é difícil te chamar de moça.
            — É bom mesmo pastor, porque o senhor nem sabe que eu crio dois meninos adotados e a Valdirene, cuida da mãe e da tia idosas com o dinheiro que a gente ganha aqui no “job”.
            — Mas não dá pra trabalhar com outra coisa?
            — Quem vai contratar um veado e uma puta velha seu pastor? Aqui não é o céu não viu!
            — Mas vocês têm que entender que eu não posso apoiar a atitude de vocês.
            — Mas o senhor tem que entender que nós temos que sobreviver e o que a gente sabe fazer é isso.
            — Eu não sabia desse negócio de criar filhos adotivos, e nem de você Valdirene, cuidar da sua mãe e tia idosas.
            — Se vocês quiserem uma ajuda da nossa igreja — falou Ana Cláudia se condoendo da situação — a gente tem várias cestas básicas que a gente distribui todos os meses. Podemos ajudar também. Mas logicamente que vocês têm que parar com essa vida.
            — Não estou pedindo esmola, moça!  — respondeu Michaela ríspida — eu acho que vocês têm mais é que respeitar a gente e a gente respeitar vocês. Cada um no seu quadrado!
          Percebendo que o clima estava ficando tenso, Osmar falou:
          — E aí meu rapaz, como é seu nome?
          — Agnaldo.
          — Não ligue pra esses aqui não. Eles não se entendem nunca.
          — Estou vendo mesmo. — respondeu Agnaldo sorrindo.
          — Seu Osmar — interrompeu Valdirene entrando no assunto — cadê seu carro pro senhor levar a gente embora?
          — Ih, Valdirene... Nem te falo. Minha esposa está com Alzheimer e eu já gastei tudo o que pude e o que não pude com ela...
            Agnaldo aguçou os ouvidos nessa parte.
            — ... e eu tive que vender duas casas que nós tínhamos de aluguel e meus dois carros. Como é só eu e a velha, nós não temos filhos, eu tenho que cuidar dela, pagar uma empregada, pagar home care, e ainda cuidar da loja.
          O pensamento do Agnaldo martelou sua cabeça, como um juiz implacável o condenando.
          — As coisas estão difíceis amiga. — concluiu Osmar.
          — O senhor não contou nada pra gente! — exclamou Michaela.
          — É que vocês são tão bons pra mim. Sempre companheiros e amigos aqui na
rua, que eu não quis deixá-los preocupados.
            O pastor Medeiros e a irmã Ana Claudia escutavam seu Osmar e não entenderam que eles, como crentes e amigos de Osmar, nunca perguntaram nada sobre a sua vida.
          — Mas eu estou orando a Deus para que me mande um rapaz de bom coração, para eu ensinar a trabalhar e me ajudar aqui na loja. Mas ninguém aparece para pedir emprego, e as moças que trabalham comigo não vão dar conta. Tem que carregar peso, levar e buscar coisas nos bairros. Não é fácil.
          Então Agnaldo interrompe seu Osmar:
          — Mas é por isso que eu estou rondando sua loja, para pedir emprego! Só que só tomei coragem hoje.
          — Esse apagão pode ser um sinal de Deus para o senhor, seu Osmar. Porque trouxe esse moço e a gente aqui para testificar como Deus é grande, e como ele faz as coisas! — profetizou Medeiros.
          Seu Osmar pensou um pouco, coçou a nuca, pensou mais um pouco, coçou mais uma vez a nuca, e falou:
          — Puxa vida Agnaldo, pode ser mesmo.
          — Que bom seu Osmar, o senhor parece um homem muito bom.
          — Se você vier aqui amanhã, a gente pode conversar direito e se a gente se entender, você pode começar a trabalhar aqui na loja comigo.
          — Só que eu não tenho experiência com comércio seu Osmar.
          — Tudo na vida a gente aprende Agnaldo.
          — Que bom! — falou Ana Claudia. — Essa nossa reunião aqui está muito boa mesmo! Eu nunca tinha conversado com vocês dois, — observou, apontando para Valdirene e Miguel — e se não fosse esse apagão talvez a gente nunca conversaria.
          — Ficamos sabendo das dificuldades do seu Osmar, que é nosso paizão, e ainda arrumamos emprego pro Agnaldo! — completou Medeiros. — Essa vida é engraçada mesmo.
            — Engraçado é eu acreditar no Adão pingaiada. — respondeu Valdirene. — A vida é linda! Será que vocês aceitam eu e a Michaela de vez em quando no culto da igreja?
          — Lógico que aceitamos! — respondeu o pastor Medeiros, dando uma medida
em Michaela, de cima abaixo. — mas...
          — Hahahahahahahaha, tudo bem pastor, eu entendi o olhar, quando eu for na igreja eu vou de machinho.
          O apagão continuou por horas e horas, o metrô parou, os taxis pararam por medo de pegar alguém perigoso, os ônibus trabalharam em lotação máxima, a superlotação deixou pessoas ilhadas nas ruas.
Muita gente não voltou para casa naquela noite.
Foram do serviço para a rua e os que moravam muito longe, resolveram voltar da rua para o serviço no dia seguinte.
Mas...
            No dia seguinte o sol raiou novamente e o mundo voltou a funcionar.

            Afinal, ainda não era o apocalipse.

         

       

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Hoje e amanhã é hoje... Ou amanhã...

 


Hoje eu fui pesquisar sobre qual país tem a maior diferença de horário em relação ao Brasil e acabei descobrindo que hoje pode não ser hoje.
Pode e não pode.
O país com maior diferença de horário em relação ao Brasil é Kiribati. Um arquipélago perto da Oceania.
Eu pensava que era o Japão, com suas 12 horas de diferença, mas descobri que Kiribati é mais longe.
Kiribati, segundo o Google fica a 24.500 km do Brasil mais ou menos.
O problema é que olhando no mapa eu percebi que isso é verdade se a gente seguir para o Leste, mas se a gente pegar um avião e sair para o Oeste, passar Argentina, Chile e continuar... Kiribati fica logo ali.
Apenas 15.000 km.
Só que aqui tem uma pegadinha muito maluca.
Se a gente for para o Leste, a gente chega no Kiribati hoje, 16 horas de fuso, mas se a gente for para o Oeste, é bem mais perto, mas a gente só chega lá amanhã!
Entendeu?
Nem eu... Mas vamos destrinchar o bode.
O problema é a linha internacional da data. Que é um meridiano onde se determinou que dela pra cá é hoje e dela pra lá é amanhã.
Isso é uma determinação política e não solar. 
É uma regra usada principalmente pelo setor econômico para atrelar os negócios do mundo de uma forma organizada.
Antigamente Kiribati tinha metade de suas ilhas hoje e metade amanhã.
Então metade era sexta-feira, com bancos comércio, escolas, tudo funcionando, enquanto há poucos quilômetros era sábado. Com todo mundo de folga pensando no churrasco e na cachaça. 
Será que em Kiribati tem cachaça?
Imagina uma macumba. 
De um lado o pai de santo está na sexta-feira à noite fazendo um trabalho, mas se o santo estivesse na outra ilha não daria certo, porque lá era sábado e o dia de macumba é na sexta.
Olha que doido!
Talvez o santo para voltar até ontem e aceitar a oferenda, poderia cobrar duas galinhas ao invés de uma... 
Seria um pedágio espiritual. 
Eu cobraria!
O Hawai e o Kiribati estão quase na mesma faixa solar e por isso estão quase na mesma hora.
Mas como o Kiribati quis ajustar todas as suas ilhas num mesmo dia, ele conseguiu fazer uma volta imaginária nessa linha imaginária e em 1995 pulou em alguns lugares, do dia 31 de dezembro direto para 2 de janeiro.
Em algumas ilhas não existiu o dia primeiro de Janeiro.
Você entendeu isso?
Voltando ao Hawai, — eu ia dizer, voltando no tempo, só pra sacanear — se lá é meio dia de hoje, no Kiribati meio dia de amanhã.
Quer dizer que politicamente eu posso sair de lá amanhã e chegar aqui hoje, e viver o amanhã aqui, sendo que viveria dois amanhãs... Ou nenhum hoje.
Isso é muito pra minha cabeça...



quinta-feira, 30 de abril de 2026

O GRANDE RESET

 


Um filófoso de nome estranho, mas que ganhou o premio Nobel, disse que o ser humano não dura mais cinquenta anos.
Outro, menos "otimista", disse que não duraremos 35.
Segundo eles, vem aí: O GRANDE RESET.
Eu descobri nas fofocas da internet, que pelo jeito vai ser uma guerra nuclear.
Um presidente vai chamar o pais do outro de bobo e feio.
Aí o outro presidente vai falar que está de mal, come sal, guarda um pouco pro Natal.
Eles vão desamigar e  jogar video-game com bomba atômica.
Pelas contas que fiz, esses presidentes serão da geração Alpha.
Manja a geração Alpha? Não socializam, nunca brincaram na rua, nem lombriga eles tiveram.
Tudo pra eles é bullying! 
Isso é um perigo... 
Mas voltando ao GRANDE RESET, parece que o Brasil não vai acabar.
Nós não temos bomba atômica e geralmente resolvemos nossas brigas na paulada e tijolada. 
Ninguém vai mirar seus video-games atômicos na gente.
Ou Deus é brasileiro mesmo, como dizem, ou Ele não quer a gente lá no céu. 
Ele sabe que se a gente for pro céu, vamos levar nosso jeitinho junto.
Depois de transformar o céu numa favela, viraríamos nossos tijolos para o governo.
Tiraríamos Barrabás do inferno e o colocaríamos na presidência, argumentando que o julgamento do dele devia ter sido em Roma e não em Jerusalém.
Mas eu acho que os OVNIS não deixariam o ser humano explodir com o mundo.
O Trump vira e mexe fala sobre extra-terrestres.
Seria a solução?
Uma reunião na ONU com os estra-terrestres passando um sabão nos presidentes?
A dúvida é: 
Esses presidentes da geração Alpha, vão escutar os extra-terrestres? 
Ou vão ficar com cara de paisagem como ficam hoje quando recebem bronca dos pais? 
E depois da bronca, fazer o que der na telha?
Booooooommmmmm!



sexta-feira, 24 de abril de 2026

Azul da cor do mar




Pense comigo:
E se o verde que eu enxergo for o seu azul?
E se o gosto do bolo de fubá pra mim, for gosto de pudim de leite pra você?
Isso explicaria porque, pra mim, bolo de fubá é melhor que pudim.
Os cientistas dizem que o cachorro enxerga preto e branco. A vaca também...
Mas eu queria saber qual foi a vaca que disse isso para o cientista?
Ah... Mas eles analisam o cérebro, os olhos, a pupila.
E daí meu camarada?
Enquanto uma vaca não vier pra mim e dizer que o tomate é da mesma cor que a grama eu não acredito nessa conversa.
E o daltônico?
Os cientistas dizem que eles enxergam preto, branco e tons de cinza.
Mas, e se eles enxergarem verde escuro, branco e tons de verde?
Ele fala que é cinza, porque disseram para ele que o verde que ele enxerga é cinza.
Olha que loucura!
Colocando um pouco mais de pimenta.
Porque nosso peido é cheiroso e o peido dos outros é fedido?
Percepção ou afeto?
Porque o vegetariano come brócolis fazendo cara de quem come contra filé e o carnívoro come brócolis fazendo cara de vaca, que vê o mundo em preto e branco?
Minha avó dizia: Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Acho que ela já estava ligada que as sensações, emoções e percepções variam de pessoa para pessoa.
Falando na minha avó, ela fazia um doce com açúcar derretido e limão que ela chamava de puxa-puxa — coisa de pobre, que você não conhece — e a gente comia e achava melhor que chocolate... Entendeu?
Eu não!


sexta-feira, 17 de abril de 2026

De pensar, morreu um burro!





Como é, que do nada, o cidadão olha para a natureza e inventa o teorema de Pitágoras?
Esse Pitágoras não devia ser bom da cabeça.
E o maluco que estava tomando banho em uma tina debaixo de uma macieira.
Uma maçã caiu na tina com água, então ele — sem nada melhor para fazer na vida — calculou a altura do galho, o peso da maçã, o tanto que ela afundou e inventou outra fórmula matemática? 
Esse acho que foi aquele que falava: Eureka? O tal do Arquimedes.
Agora estou em dúvida se foi ele ou outro desocupado chamado Isaac Newton.
A tina d'água, — que é a melhor parte da história — parece que foi colocada por alguém que contou isso depois.
Licença poética...
Mas nada tira a "culpa" do "pensador" que não tinha nada para fazer e inventou moda para complicar a vida dos outros.
E vamos ser sinceros — quem fala eureka?
Aliás, o que é eureka?
E o tal do Eratóstenes.
Esse, disse que sabia que num determinado dia o sol batia direto num lugar de frente, sem fazer sombra.
O sabichão andou um monte de quilômetros, fincou um pau no chão e viu que ali fazia uma sombra, que tinha um tanto de graus.
Calculou a distância de onde o sol batia de frente, até onde ele fincou o pau.
Viu os graus, e só com isso, repito! SÓ COM ISSO! Ele calculou a circunferência da Terra!
Gente... Esses caras não namoravam?
Não faziam churrasco?
Não tinham amigos?
Não jogavam truco?
Olha onde essas ideias malucas foram dar?
Hoje as pessoas estão cada vez mais isoladas. Escravizadas pelos seus celulares e conectados ao mundo virtual.
Eles complicaram o mundo só porque pensavam. 
Não tinha uma mulher interessante para eles dançarem forró?
Se eles passassem a noite na boemia, chorassem as pitangas nos botecos da vida, talvez, como eram inteligentes, teriam escrito belos poemas.
— Ainnnnnn... — diz o fulano que vai comentar abaixo — ... mas o homem  foi pra Lua por causa deles...
E eu com isso?
O homem foi na Lua, mas a Terra está cheia de problemas. 
Esse povo da NASA não namora?
Não assiste um joguinho de futebol?
Não tem um terreno para carpinar?
Gente com tempo de sobra para pensar dá nisso... 
Complica a vida dos outros.
Nós, homo sapiens, não queremos ir para a Lua.
Queremos pescar, caçar, coletar na floresta, fazer neném.
Mas os caras foram pensar demais... Olha o que deu.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

O golpe da pulga: Faxina já!



Conheci a Rita em um grupo do finado Orkut.
A gente fazia parte de uma comunidade de uma banda de punk rock.
Ela, eu e mais alguns membros do grupo acabamos nos tornando amigos. Falávamos de shows, de música, de punk rock e assuntos aleatórios.
Muitas bandas e personalidades do punk pregam ideias anarquistas, contra o sistema, contra a família tradicional, contra a religião e contra as instituições governamentais.
Eu nunca fui adepto dessas ideias de forma integral. 
Sempre tive a compreensão de que muita coisa na ideologia punk faz sentido, mas o radicalismo pregado não combina com meu jeito de ser.  
A Rita era mais irreverente. 
Fazia questão de ser a "porra louca do rolê."
Isso me incomodava, mas não a ponto de confrontá-la ou excluí-la.
Afinal, quem gosta de punk rock geralmente tem um quê de rebelde e aceitar os mais radicais também faz parte do pacote.
Mesmo com esse discernimento, eu e a Rita nunca chegamos a nos tornar amigos de verdade. 
Apenas nos comunicávamos, porque fazíamos parte da mesma turma.
Uma vez, numa conversa paralela, no final eu mandei um: — Fica com Deus! 
A Rita surtou!
— Não gosto que falem desse cara!
— Que cara, Rita?
— Deus! Hahahahaha, quem é esse?
— Calma Rita, é só uma forma de despedir da conversa te desejando uma coisa boa.
— Boa, na opinião de quem?
— Na minha...
— Então guarde essa sua opinião idiota pra você! E por favor, nunca mais fale nesse cara comigo!
Eu nunca mais falei de Deus com ela, até porque nunca mais falei com ela em particular. 
Essa história tem pelo menos 20 anos. 
A Rita, tinha atitudes e seguia uma "religião" baseando-se em versos de bandas de rock.
Ela pensava em espancar, bater, subjugar o "inimigo capitalista" e se dizia satanista.
Por isso quando disse: — Fica com Deus, eu falei para provocar.
Falei para colocar uma pulga atrás da orelha dela.
Uma pulga que a alertasse que suas atitudes passavam do limite do aceitável dentro de regras estabelecidas na sociedade.
O punk queria quebrar essas regras. Pregava intolerância e violência.
Soltando essa pulga eu também posso ter sido intolerante?
Posso...
Mas é como eu pensava na época.
Então você deve estar se perguntando:
Como é que eu me julgava punk e aceitava as regras da sociedade, sendo que a maior diretriz da ideologia punk é a anarquia?
Essa é uma boa pergunta, mas não é difícil de responder.
Eu sou contra todos os governos. Não tenho ideologia e nem político de estimação.
Tenho meus valores, e eles se encaixam as vezes com a direita e as vezes com a esquerda. Mas o espírito punk me fez perceber que o "sistema", seja ele qual for, nunca vai trabalhar realmente para o cidadão comum.
E não é a rebeldia, o extremismo, a intolerância que vai mudar o mundo.
O que vai mudar o mundo é a cobrança ao poder público e a educação.
A Rita acreditava que a intolerância era o caminho. 
Hoje não sei em qual caminho ela está.
Eu estou aqui: Conversando, escrevendo e plantando minhas ideias para quem queira escutar.
Prego nos meus escritos que nós temos que nos enxergar como indivíduos importantes. 
Aceito que temos que buscar a felicidade e também prosperidade.
Mas, acredito que podemos fazer tudo isso de maneira limpa.
Não quero acabar com o sistema como gritam as letras de bandas compostas por adolescentes — muitas vezes movidos a droga e alcool — rebeldes. 
Eu quero uma faxina no sistema!
Cresci.
Entendi melhor o problema.
Acredito que o que vai mudar o mundo é a literatura, o incentivo à educação e principalmente interpretação de texto.
Sem isso, não enxergamos as entrelinhas e viramos — como somos — massa de manobra.
Faxina no sistema, já! 



segunda-feira, 6 de abril de 2026

Enxurrada de ideias




Muitas vezes nós temos algumas ideias boas e queremos passá-las adiante num texto, numa crônica, conto ou poesia.
Mas, como uma enxurrada de palavras, nós derramamos essas ideias no texto de forma — às vezes — desleixada. 
Na nossa cabeça fazem muito sentido, mas talvez seja só na nossa cabeça.
Essas ideias até podem ser boas mesmo, mas escritas no ímpeto do calor da criação, elas viram uma colcha de retalhos.
Quando jogamos um texto para o universo, ele pode encontrar o leitor que consiga encaixar as peças, mas também pode encontrar o leitor que não consiga.
Esse segundo leitor que não vai dar conta de montar nosso quebra-cabeças de ideias, está no seu direito. 
Ele não tem essa obrigação!
O leitor não tem culpa se a gente escreveu, não revisou e não viu se nossa linha de raciocínio estava coerente.
Cabe ao escritor essa análise. 
Se escrevemos um texto infanto-juvenil, temos que ser mais óbvios ainda.
Se escrevemos para público adulto, mesmo assim temos que lembrar que existem adultos mais despreparados que meninos de 14 anos.
Nós vivemos em um país onde existem milhares de analfabetos funcionais, e essas pessoas também leem o que escrevemos.
Uma vez eu vi um autor dizendo: "Meu público é diferenciado!"
Mas quem garante isso para ele? De onde ele tirou essa estatística?
Tudo bem que ele até pode ter um feedback de algumas pessoas "diferenciadas" que entenderam o que ele escreveu, mas, e as que não entenderam nada e nem se deram ao trabalho de comentar isso?
Nós, como escritores, ou aprendizes de escritores, temos que entender que escrever não é fácil.
Comunicação não é o que a gente quer dizer, mas sim, o que a pessoa entende.
Se nos comunicarmos corretamente a pessoa vai entender, e aqui é que está a magia da escrita: Se fazer entender.
Organizar as ideias.
Dar sentido às frases.
Criar um bom relacionamento literário para quem nos lê.
E como tudo isso começa?
Com o exercício de escrever, ler o que escreveu e ter a humildade de encontrar erros no que se escreve.
Nós — escritores — não somos melhores que ninguém. Somos falhos, em construção e eternos aprendizes.