Muitas vezes nós temos algumas ideias boas e queremos passá-las adiante num texto, numa crônica, conto ou poesia.
Mas, como uma enxurrada de palavras, nós derramamos essas ideias no texto de forma — às vezes — desleixada. Na nossa cabeça fazem muito sentido, mas talvez seja só na nossa cabeça.
Essas ideias até podem ser boas mesmo, mas escritas no ímpeto do calor da criação, elas viram uma colcha de retalhos.
Quando jogamos um texto para o universo, ele pode encontrar o leitor que consiga encaixar as peças, mas também pode encontrar o leitor que não consiga.
Esse segundo leitor que não vai dar conta de montar nosso quebra-cabeças de ideias, está no seu direito.
Ele não tem essa obrigação!
O leitor não tem culpa se a gente escreveu, não revisou e não viu se nossa linha de raciocínio estava coerente.
Cabe ao escritor essa análise.
Se escrevemos um texto infanto-juvenil, temos que ser mais óbvios ainda.
Se escrevemos para público adulto, mesmo assim temos que lembrar que existem adultos mais despreparados que meninos de 14 anos.
Nós vivemos em um país onde existem milhares de analfabetos funcionais, e essas pessoas também leem o que escrevemos.
Uma vez eu vi um autor dizendo: "Meu público é diferenciado!"
Mas quem garante isso para ele? De onde ele tirou essa estatística?
Tudo bem que ele até pode ter um feedback de algumas pessoas "diferenciadas" que entenderam o que ele escreveu, mas, e as que não entenderam nada e nem se deram ao trabalho de comentar isso?
Nós, como escritores, ou aprendizes de escritores, temos que entender que escrever não é fácil.
Comunicação não é o que a gente quer dizer, mas sim, o que a pessoa entende.
Se nos comunicarmos corretamente a pessoa vai entender, e aqui é que está a magia da escrita: Se fazer entender.
Organizar as ideias.
Dar sentido às frases.
Criar um bom relacionamento literário para quem nos lê.
E como tudo isso começa?
Com o exercício de escrever, ler o que escreveu e ter a humildade de encontrar erros no que se escreve.
Nós — escritores — não somos melhores que ninguém. Somos falhos, em construção e eternos aprendizes.




