Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Jericó.
Bartimeu, filho de Timeu, era um cego que esmolava na rua mais movimentada da cidade.
Mesmo sentado em seu lugar de costume, ele sentiu que alguma coisa diferente estava acontecendo. As pessoas estavam mais agitadas, caminhando para cá e para lá.
O cego, atento, escutava as murmurações e discussões.
Alguns conversavam ao pé da orelha sobre um homem que fazia milagres. Outros defendiam os mestres da sinagoga, reprimindo esse homem e dizendo que ele era impostor.
Jesus aproveitou seu tempo na cidade e pregou sua palavra.
Cada vez mais as pessoas ouviam e se admiravam da narrativa e do conhecimento daquele homem.
Alguns vinham nem tanto pela palavra, mas pelos milagres que o viam fazer.
E outros vinham porque escutaram que ele alimentava a multidão multiplicando pães e peixes.
Quando Ele estava saindo da cidade acompanhado pelas pessoas que o seguiam, passou pelo caminho onde Bartimeu estava sentado esmolando.
Percebendo um grande alvoroço, o cego esticou seus ouvidos para entender o que estava acontecendo e se alegrou quando ouviu alguém dizer que era Jesus de Nazaré que estava passando.
— Jesus! — gritou o cego aflito — Filho de Davi! Tenha pena de mim!
— Pare de gritar, Bartimeu. Você acha que esse homem vai te escutar.
— Jesus! — gritou o cego mais alto.
— Alguém o faça se calar. — disse outro homem que olhava a comitiva passar.
— Ele está incomodando. — reclamou outro.
— Jesus! — continuou Bartimeu sem ligar para as críticas a sua volta. — Oh... Filho de Davi, tenha pena de mim.
Em volta de Bartimeu houve um princípio de desentendimento entre pessoas que entenderam o desespero do cego e outros que achavam que o cego era desprezível para o Messias.
Mas Jesus, percebendo a situação, parou e disse:
— Chamem o cego.
— Mas Senhor... — murmuraram alguns. — É só um cego pedinte, que vive de esmolas.
— Não importa, tragam-no até mim.
Os discípulos, e algumas pessoas, se aproximaram de Bartimeu e o guiaram pela mão, dizendo.
— Coragem, cego.
— Ele te ouviu.
— Levante-se, ele está chamando você.
Então Bartimeu jogou a sua capa para um lado, levantou-se depressa e foi até o lugar onde Jesus estava.
— Por que você estava gritando?
— Porque só o Senhor pode me ajudar.
— E por que me chamas de filho de Davi?
— O senhor é o Cristo! O Messias! Aquele que as Escrituras anunciaram. Aquele que viria da linhagem do rei Davi.
— Eu vejo que é grande a sua fé, Bartimeu. — revelou Jesus, olhando para a multidão à sua volta, que observava a tudo interessada. — O que é que você quer que eu faça?
— Mestre, eu quero ver de novo! — respondeu Bartimeu.
— Então assim seja, Bartimeu! Você está curado porque teve fé! — afirmou Jesus.
O cego Bartimeu piscou os olhos várias vezes. Olhou para o rosto de Jesus à sua frente. E caindo de joelhos, chorou de alegria.
— Estou vendo! Estou vendo Jesus! Filho de Davi.
— Pois não era isso que desejava?
— Sim, mestre. E de hoje em diante eu vou te seguir! Enquanto meus olhos puderem ver. Eu o seguirei.





