— Ainda não consegui!
— Por quê?
— Porque ajudaram ele várias vezes.
— Não pode ser, — disse o mestre do calabouço — esse cara é um qualquer, ele não tem ninguém que goste dele.
— Impossível, mestre! — respondeu o jagunço nervoso. — Alguém ajudou.
— Nós prometemos destruir ele em sete dias! Hoje é o último dia, seus incompetentes.
— Mas tem alguém atrapalhando a gente. — defendeu-se a mulher de vermelho.
— Acho que vocês é que são incompetentes!
— Não mestre... Eu estou fazendo a minha parte. — defendeu-se Jagunço suando frio.
— E vocês dois? — apontou o mestre do calabouço estralando seu chicote.
— Eu tramei contra ele ainda hoje. — rosnou o homem da capa preta. — Coloquei um carro em alta velocidade na encruzilhada, não tinha como ele escapar, mas antes dele chegar na esquina um galho de uma árvore caiu na rua, ele teve que desviar, isso o atrasou cinco segundos. Esses cinco segundos salvaram o cara.
— Aí você desistiu? — falou o mestre do calabouço estralando seu chicote com raiva nas costas do homem da capa preta.
— Não mestre! Eu fiz outra armadilha em outra encruzilhada. Ele estava correndo com a moto, eu estourei um cano e a companhia de água fez um buraco bem na curva, não tinha como ele ver. Mas quando ele estava chegando na curva, uma mulher com um carrinho de bebê resolveu atravessar. Ele brecou, viu o buraco e por isso desviou calmamente da valeta.
— Não pode ser!
— Alguém está protegendo ele, mestre. — disse a mulher de vermelho.
— Eu já falei! Ele não tem amigos! Ninguém gosta dele. Nem mãe, nem pai, nem a mulher que pagou para a gente dar fim na vida dele.
— Eu também tentei, — disse a mulher se explicando — ontem no bar, eu fiz ele beber. Fiquei falando no ouvido dele até ele ficar bêbado. Depois fiz ele se aproximar da mulher de um traficante. Ele se aproximou. Mandei uma das minhas meninas ficar jogando setas no ouvido do traficante até ele ficar enciumado sem saber porquê. Quando o bandido estava chegando no bar, e ia pegar os dois no flagrante, tinha dois policiais disfarçados na mesa do lado só esperando o traficante entrar. Estavam de campana! Não deu tempo do bandido reagir. Quando viu, já estava algemado.
— E você? Das caveiras... Você também falhou! — repreendeu o mestre do calabouço apontando para seu subordinado.
— Falhei! Mas é como todos falaram. Esse cara tem o couro grosso! Alguém está protegendo ele.
— Não pode ser! Eu já disse! Não tem ninguém que goste dele. Ele só deu tristeza para os pais. Brigou com o irmão. Traiu a mulher, que até fez a oferenda pra gente acabar com ele.
— Eu convoquei um pessoal lá na boca do lixo. Falei no ouvido deles para que eles pedissem lanches e providenciei para que nosso alvo fosse entregar. Sugeri que todos estivessem chapados quando ele chegasse com o lanche e que dessem um fim na vida dele. Todos estavam loucos, Falei no ouvido de cada um. Joguei as setas dizendo que o entregador devia dinheiro para o crime. Confundi a cabeça deles. Não tinha como dar errado.
— Não tinha? Mas deu. Não deu?
— Sim, e é por isso que eu acho que ele está sendo protegido. Na mesma hora que ele chegou com o lanche, uns misionários de uma igreja estavam batendo palmas na porta da casa, querendo levar a palavra Daquele Outro!
— No mesmo instante?
— Sim! Aí não tem como eu prever essas coisas. Chegaram juntos!
Nesse momento a porta do calabouço se abre. O corcunda sai em meio às sombras e entra pelo corredor, até onde essa reunião de "negócios" está acontecendo.
— Espero que você tenha um motivo muito importante para atrapalhar a gente. — falou o mestre do calabouço estralando seu chicote.
— Tenho mestre, — respondeu o corcunda se prostrando e entregando um papel para seu mestre.
— O que papel é esse?
— Uma quebra de contrato.
— Como assim?
— O mestre do salão branco mandou a gente parar de perseguir o Marcos, motivo dessa reunião que o senhor está fazendo.
— Eu não posso! Já fomos pagos para acabar com a vida dele. E só poderíamos parar por motivo de força maior. Se alguém estivesse orando e jejuando por ele, ou se ele fosse uma pessoa temente a Deus — o que ele não é!
— Leia aí no documento mestre. — Apontou o corcunda.
O mestre do calabouço, nervoso, olhou para o documento e o leu em silêncio: "Por motivo de força maior, imposto pela avó do Marcos, dona Dalva, por ter feito uma novena, onde todos os dias se colocou de joelhos, orou e jejuou pelo seu neto, declaro quebrado o contrato que implicava na morte do referido. Deixando-o livre de inimigos e proibindo vocês de atentarem contra sua vida"
O mestre do calabouço gritou de raiva! Estralou seu chicote, açoitou seus súditos e depois de descarregar sua raiva, falou:
— Não pode ser, — disse o mestre do calabouço — esse cara é um qualquer, ele não tem ninguém que goste dele.
— Impossível, mestre! — respondeu o jagunço nervoso. — Alguém ajudou.
— Nós prometemos destruir ele em sete dias! Hoje é o último dia, seus incompetentes.
— Mas tem alguém atrapalhando a gente. — defendeu-se a mulher de vermelho.
— Acho que vocês é que são incompetentes!
— Não mestre... Eu estou fazendo a minha parte. — defendeu-se Jagunço suando frio.
— E vocês dois? — apontou o mestre do calabouço estralando seu chicote.
— Eu tramei contra ele ainda hoje. — rosnou o homem da capa preta. — Coloquei um carro em alta velocidade na encruzilhada, não tinha como ele escapar, mas antes dele chegar na esquina um galho de uma árvore caiu na rua, ele teve que desviar, isso o atrasou cinco segundos. Esses cinco segundos salvaram o cara.
— Aí você desistiu? — falou o mestre do calabouço estralando seu chicote com raiva nas costas do homem da capa preta.
— Não mestre! Eu fiz outra armadilha em outra encruzilhada. Ele estava correndo com a moto, eu estourei um cano e a companhia de água fez um buraco bem na curva, não tinha como ele ver. Mas quando ele estava chegando na curva, uma mulher com um carrinho de bebê resolveu atravessar. Ele brecou, viu o buraco e por isso desviou calmamente da valeta.
— Não pode ser!
— Alguém está protegendo ele, mestre. — disse a mulher de vermelho.
— Eu já falei! Ele não tem amigos! Ninguém gosta dele. Nem mãe, nem pai, nem a mulher que pagou para a gente dar fim na vida dele.
— Eu também tentei, — disse a mulher se explicando — ontem no bar, eu fiz ele beber. Fiquei falando no ouvido dele até ele ficar bêbado. Depois fiz ele se aproximar da mulher de um traficante. Ele se aproximou. Mandei uma das minhas meninas ficar jogando setas no ouvido do traficante até ele ficar enciumado sem saber porquê. Quando o bandido estava chegando no bar, e ia pegar os dois no flagrante, tinha dois policiais disfarçados na mesa do lado só esperando o traficante entrar. Estavam de campana! Não deu tempo do bandido reagir. Quando viu, já estava algemado.
— E você? Das caveiras... Você também falhou! — repreendeu o mestre do calabouço apontando para seu subordinado.
— Falhei! Mas é como todos falaram. Esse cara tem o couro grosso! Alguém está protegendo ele.
— Não pode ser! Eu já disse! Não tem ninguém que goste dele. Ele só deu tristeza para os pais. Brigou com o irmão. Traiu a mulher, que até fez a oferenda pra gente acabar com ele.
— Eu convoquei um pessoal lá na boca do lixo. Falei no ouvido deles para que eles pedissem lanches e providenciei para que nosso alvo fosse entregar. Sugeri que todos estivessem chapados quando ele chegasse com o lanche e que dessem um fim na vida dele. Todos estavam loucos, Falei no ouvido de cada um. Joguei as setas dizendo que o entregador devia dinheiro para o crime. Confundi a cabeça deles. Não tinha como dar errado.
— Não tinha? Mas deu. Não deu?
— Sim, e é por isso que eu acho que ele está sendo protegido. Na mesma hora que ele chegou com o lanche, uns misionários de uma igreja estavam batendo palmas na porta da casa, querendo levar a palavra Daquele Outro!
— No mesmo instante?
— Sim! Aí não tem como eu prever essas coisas. Chegaram juntos!
Nesse momento a porta do calabouço se abre. O corcunda sai em meio às sombras e entra pelo corredor, até onde essa reunião de "negócios" está acontecendo.
— Espero que você tenha um motivo muito importante para atrapalhar a gente. — falou o mestre do calabouço estralando seu chicote.
— Tenho mestre, — respondeu o corcunda se prostrando e entregando um papel para seu mestre.
— O que papel é esse?
— Uma quebra de contrato.
— Como assim?
— O mestre do salão branco mandou a gente parar de perseguir o Marcos, motivo dessa reunião que o senhor está fazendo.
— Eu não posso! Já fomos pagos para acabar com a vida dele. E só poderíamos parar por motivo de força maior. Se alguém estivesse orando e jejuando por ele, ou se ele fosse uma pessoa temente a Deus — o que ele não é!
— Leia aí no documento mestre. — Apontou o corcunda.
O mestre do calabouço, nervoso, olhou para o documento e o leu em silêncio: "Por motivo de força maior, imposto pela avó do Marcos, dona Dalva, por ter feito uma novena, onde todos os dias se colocou de joelhos, orou e jejuou pelo seu neto, declaro quebrado o contrato que implicava na morte do referido. Deixando-o livre de inimigos e proibindo vocês de atentarem contra sua vida"
O mestre do calabouço gritou de raiva! Estralou seu chicote, açoitou seus súditos e depois de descarregar sua raiva, falou:
— Essas avós malditas! Sempre com o coração de manteiga! Sempre orando e jejuando por quem não presta! E o pior... As orações delas ganham no final e o calabouço fica com um morador a menos!
As avós são sábias, e se fizessem parte da literatura, seriam a moral da história. rsrsrsrs
ResponderExcluirNova tirinha publicada. 😺
Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.
Acho que a avó e o avô já alcançaram o ápice das coisas...
ExcluirVou lá ver as tiras.
Kkkk Deus do Céu!!!
ResponderExcluirAndré, eu ri, refleti e ainda terminei acreditando mais no poder do bem combo completo 😂🙏
Seu texto é praticamente um “reality show do calabouço” onde os vilões fazem de tudo… e perdem para uma avó de joelhos com rosário imaginário na mão. Enquanto eles armam ciladas mirabolantes, o céu responde com galho caindo, missionário batendo palma e carrinho de bebê atravessando a rua no segundo exato. Isso é roteiro divino nível master!
E o melhor: o terror do inferno não é o herói musculoso… é Dona Dalva em jejum. As “avós malditas” viraram oficialmente as maiores hackers espirituais do universo 😂 pela fé 😂
Texto divertido, criativo e cheio de mensagem boa: o mal faz barulho, planeja, ameaça… mas o bem vence no silêncio persistente, na fé simples e no amor teimoso que não desiste de ninguém.
Resumo da obra: nunca subestime uma avó orando. Nunca.
Abraço
Fernanda
Olá Fernanda!
ExcluirUm reality do calabouço é bom!
Kkkkkkkkkkkkkk.
Que bom que gostou do texto, minha amiga.
E a velhinha é a heroina!
Um abração!
Nooooooooooooossa,André! E valham sempre as orações e bons desejos das mamães e vovós, onde me incluo, por vezes perdendo sono ... Muito bom! Estás cada vez mais cada vez! abração,chica
ResponderExcluirTenho certeza que você é uma dessas avós Chiquinha.
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