sábado, 1 de fevereiro de 2025

Yelowstone e a nossa moralzinha insípida

 



            Se você gosta de séries ou se liga no que está acontecendo nos streamings e na vida dos grandes astros de Hollywood, certamente já ouviu falar de Yelowstone.

            Yelowstone é uma série que conta a história da família Dutton, que é uma família que tem uma fazenda enorme no estado americano de Montana há 7 gerações.

            A fazenda é cercada por uma reserva indígena e pela cidade urbana, que parece estar um pouco estacionada no tempo, justamente porque a área rural onde a maior é Yelowstone, trava o avanço da modernidade.

            No seriado vemos que a família dos Dutton, chefiada pelo pai John, é uma família totalmente esfacelada. Os filhos: Beth, Kayce e Jamie, tem problemas uns com os outros e com o mundo. O pai, agora viúvo, se preocupa muito mais com ter poder e mandar na fazenda, na cidade, na lei, na política, do que na sua própria casa.

            Os americanos chamam suas fazendas de rancho, e o rancho Yelowstone tem vários cowboys que moram em um alojamento e que depois de ficarem ali por um tempo e participarem de algumas atrocidades, são marcados como gado pelo capataz Rip, e não podem mais sair do rancho; o que quase sempre eles escolhem fazer por livre e espontânea vontade.

            Na última temporada, o ator Kevin Costner, que interpretava o patriarca John Dutton, alegou problemas com o contrato e com sua agenda e não participou das gravações da série, por isso o seu personagem teve que sumir, deixando os fãs da série revoltados com o ator e com a direção.

            Bom... Vamos lá!

            A série é boa. Prende a gente do início ao fim. Tem reviravoltas absurdas, que fazem a trama ficar cada vez mais interessante.

            A família Dutton, principalmente a Beth, é uma personagem complexa, com incontáveis camadas psicológicas, que fazem dela uma vilã e heroína ao mesmo tempo.

            Na verdade, todos da família e alguns dos empregados são ao mesmo tempo heróis e vilões. E aqui é que está o “X” da questão, pela qual eu resolvi escrever essa crônica.

            Os Dutton fazem qualquer coisa pela sobrevivência de seu rancho, que está ameaçado pela reserva indígena e pela cidade que quer se modernizar, e invadir suas terras. Qualquer coisa mesmo. Matar, torturar, julgar, enforcar, sumir com os corpos, mandar na lei e na justiça com mão de ferro, infiltrar na política da região, interferir em ações na bolsa de valores, destruir carreiras e demitir pessoas sem qualquer motivo e pisar em todos que possam ser empecilho.

            Mas apesar de serem seres desprezíveis, eles são mostrados de uma forma tão humana, desnudados de suas intimidades, com múltiplas fraquesas e questões psicológicas, traumas e carências, que a gente acaba entendendo e até torcendo por eles.

            Mas isso está errado! A série desperta na gente uma sensação de apresso pelo mal. De afeição ao monstro que o ser humano pode ser quando o poder está em jogo.

            Essa série nos mostra e joga na nossa cara, porque os políticos são tão desprezíveis e porque tanta gente apoia isso. Nós, seres humanos sempre tomamos um lado na disputa, e as vezes não olhamos e nem pensamos no que estamos fazendo. Estamos sendo manipulados e torcemos pelo lado ruim sem pestanejar.

            Tem um personagem que nos é apresentado como vilão, que é o presidente da reserva indígena; que a gente pega birra, o vê como inimigo e quer que ele se ferre, mas que na verdade durante as seis temporadas, não fez absolutamente nada de errado ou fora da lei. Inclusive, deu vários conselhos para os Dutton, abrindo-lhes os olhos para as besteiras que eles estavam fazendo.

            Olha que doido isso!

            Se você ainda não assistiu Yelowstone, vale a pena assistir, é um drama familiar psicológico de altíssima qualidade.

            No final, as coisas acabam se encaixando e o pior, nós ficamos chateados porque nossa torcida era para acabar diferente. Como espectadores... Nesse caso, torcemos pela maldade e pela loucura pelo poder. Tudo o que dizemos que mais abominamos na vida.

           


10 comentários:

  1. Ótima dica.Série bem apresentada e trazida aqui!
    abração, lindo fevereiro, chica

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    1. Oi Chica!
      É... realmente é uma série cativante, que impregna na gente.

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  2. Andre,
    Não assisti mas já guardei o nome
    da série para conferir assim que
    possível.
    Gostei da sua forma de
    apresentá-la pra nós.
    Eu adoro quando compartilhamos
    coisas que nos parecem boas.
    Nem sempre a visão a gente é
    a visão do outro, mas acredito
    que essa seja a graça.
    Estou assistindo a série Casa do Dragão
    e Cem Anos de Solidão que achei que meu
    par não ia nem prestar atenção, porque além
    de gostos diferente para filmes e séries,
    ele gosta de ação, tiro e pancadaria.
    Eu já prefiro a questão psicologica
    e o enredo bem amarrado. Em comum
    assistimos estilos CSI e do gênero.
    Em livros, sou sozinha, mas na série
    Cem Anos de Solidão, ele parou para
    prestar atenção. Incrível o que essa
    série faz com a gente.
    Mas sua dica está anotada, obrigada
    por compartilhar.
    Bjins de bom fim
    de semana.
    CatiahôAlc.
    entre
    sonhos&delírios

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    1. Vou procurar essa cem anos de solidão.
      Parece legal.

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  3. Eu estava vendo e dei uma pausa. Esse meu hábito de querer ver tudo ao mesmo tempo...mas vou voltar em breve para terminar. Sua análise está boa.

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  4. Não vi esta série, mas depois deste seu minucioso relato/análise fiquei com vontade de a ver.
    Boa semana.
    Um abraço.

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  5. No ano passado comecei a assistir essa série, mas acabei abandonando no caminho depois que soube que Kevin Costner a havia deixado pra trás.
    Mas é uma boa dica para retomada, obrigada André!
    Boa semana!

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    1. A série mesmo sem o Costner ainda é boa.
      Você vai gostar Adri.
      Um abraço!

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