sábado, 24 de outubro de 2015

Ele

                                             



                                                      
Com um pincel Ele pintou as joaninhas, algumas de preto com bolinhas laranja, outras de branco com bolinhas pretas, e ainda umas de verde com bolinhas amarelas. Com verniz cor de imbuia ele envernizou as asas das baratas. Nos besouros, Ele envernizou com goma laca, mas antes, tingiu com betume e deu uma bela polida.
No jardim Ele pegou uma moita de marias-regateira e pintou cada uma de uma cor, umas laranjinhas, outras rosinhas, outras azuladinhas, outras branquinhas, tudo com pinceladas de tinta guache.
Na maçã Ele fez uma obra prima! Usou vermelho magenta, amarelo ouro e um pouquinho de branco, foi pincelando, colocando mais vermelho, mais amarelo, umas pitadas de branco e por fim um verniz copal pra dar um brilhosinho.
Ele também fez com papel verde picotado um grande gramado e com bolinhas de massinha marrom fez os tatuzinhos colocando pelos de crina de cavalo cortadinhas pra fazer as perninhas. Também usando massinha ele fez umas cobrinhas pequeninas e fininhas e as colocou na grama e deu a elas o nome de minhoca, com uma espátula pequenina ele fez os risquinhos nas minhocas dando-as um formato mole com um monte de anéis emendados.
Ele pegou argila e fez um monte de bolinhas, pegou papel de seda e fez umas asinhas, pegou mais crina de cavalo cortou bem pequenininho e espetou nas bolinhas de argila, aí com o pincel de pelo de malta pintou listrinhas amarelas e pretas nas bolinhas, colocou mais uma bolinha fazendo uma cabecinha e pintou com spray metálico fazendo grandes olhos, a essas bolinhas coloridas Ele deu o nome de abelhas.
Por hoje ele achou que já estava bom. Então ele olhou pra esses bichinhos e plantinhas e falou: - Vivam!
Aí Ele juntou toda a tralha do seu ateliê e foi contente pra sua casa. Muitas pessoas não acreditam que foi Ele quem fez tudo isso e tudo mais o que existe, mas Ele não está nem aí,  por isso continua fazendo mais e mais a cada dia! 





sábado, 17 de outubro de 2015

Eu?




Estão culpando Deus.
Culpando o governo.
Culpando o vizinho, o calor, o frio.
Estão culpando as chuvas, a estiagem, os ventos.
Culpando os cachorros da rua e os gatos de casa.
Estão distribuindo culpas.
Os dedos estão em riste.
O julgamento é voraz.
Ninguém tem culpa de nada.
Mas todo mundo é culpado.
Pela falta de emprego, de luz, de água, de arroz, de amor, de um forrózinho gostoso pra dançar agarradinho!
Quem inventou esse rock barulhento?
Quem educou essa geração de energúmenos?
Onde estão os beijos, as flores, e os amores?
Onde estão os políticos honestos?
Onde está o verdadeiro futebol brasileiro?
Os dedos estão em riste.
O julgamento é voraz!
Querem que eu vista a carapuça?
Querem dizer que cada cidadão tem uma parcela de culpa?
Mas o cidadão não tem nem mais a parcela do PIS... Onde está meu décimo terceiro que estava aqui?
A culpa é da igreja.
Das famílias sem igreja.
Das pessoas sem Deus.
Dos padres, dos pastores e dos ateus!
O mundo vai acabar... Cadê Jesus que não volta logo?
Vamos fazer a arca e esperar...
Querem que eu vista essa carapuça?
Os dedos estão em riste.
O julgamento é voraz.
Mas...
De quem é a culpa afinal?
Acho que da habilidade que todos nós temos, pra jogar a culpa de tudo nos outros...
Ops! Todos nós não...
Vocês!





sábado, 10 de outubro de 2015

Dois meninos





Zéquinha chegou da escola correndo, jogou sua mochila na cama e apressadamente voou até o fogão. Colocou arroz, feijão, bife, ovo frito e um pouco de abóbora. Sentou-se no sofá da sala e matou seu pratão com um grande copo de laranjada, pra ajudar a empurrar tudo. Em minutos ele já tinha dado um beijo em sua mãe e estava gritando na frente do portão de Osvaldo seu amigo:
- Anda Osvaldo, "vamo" logo!
Quase que instantaneamente, Osvaldo se materializou na rua com uma bola debaixo do braço e os dois foram correndo pro campinho onde seus amigos estavam esperando pra começar a pelada.
Wilson Júnior chegou da escola, abriu a porta devagar, limpou os pés, entrou e colocou sua mochila em cima da escrivaninha do lado esquerdo, encaixadinha entre a parede e o computador.
Depois, Wilson lavou bem as mãos enquanto a empregada esquentava o marmitex no forno de microondas. Wilson mastigou a comida bem mastigadinha. Tinha arroz, lasanha, batata frita, salpicão e bife à role, tudo acompanhado com um copo de refrigerante. Ele estava meio amarelo ultimamente, e o médico da família receitou uma vitamina que devia ser tomada logo após o almoço. Wilson acabou de almoçar, escovou os dentes e foi para seu quarto ligar o computador.
Zéquinha estava empolgado, seu time estava ganhando do time da rua de baixo, e quem perdesse iria pagar tubaína e paçoquinha pro outro time.
- Toca a bola Roliço - gritou Carlinhos - toca logo!
Roliço tocou a bola pro Carlinhos, que tocou pro Zéquinha que chutou pro gooooooolllllllllllllllllllll!
- Hahahahaha - gargalhou Zéquinha - ganhamos a tubaína e paçoquinha!
Wilson Júnior conversou um pouco no facebook com alguns amigos virtuais e depois abriu uma página de jogos on line, pra jogar em rede com outros amigos que não conhecia.
Depois da partida emocionante, Zéquinha e os moleques foram roubar manga no quintal do seu Argemiro. Eles fizeram escadinha com as mãos e pularam o muro. Os meninos deram sorte porque seu Argemiro tinha saído e havia prendido os cachorros no quintal da frente de sua casa. Foi uma festa só!
Wilson Júnior era bom em matar os soldados inimigos no computador. Matou, correu, jogou bomba, dirigiu helicóptero e submarino. Ficou sentado em frente ao jogo, das quatro da tarde até as oito da noite quando sua mãe e seu pai chegaram do trabalho.
Zéquinha voltou das brincadeiras por volta das cinco horas. Comeu um pedação de bolo de fubá com leite e foi fazer a lição de casa.
As sete horas jantou, e se sentou na calçada junto com seus pais e os pais dos seus amigos num grande bate papo. As dez, morto de sono, Zéquinha tomou um copo de leite quentinho que sua mãe preparou e desmaiou até o outro dia. Sua mãe foi ao seu quarto, deu-lhe um beijo no rosto, e o cobriu com carinho. Então ele sorriu mesmo dormindo e sonhou com os anjos.
Enquanto os pais de Wilson Júnior estavam checando seus e-mails, ele ficou mais um tempo no facebook. Depois disso desceu com cuidado a escada, foi até a cozinha, tomou um copo de refrigerante, abriu um pacote de bolacha recheada, e passando pela sala, falou boa noite aos pais e foi dormir.
Os pais responderam sem levantar e nem tirar os olhos do computador. Wilson teve pesadelos... Sonhou que o exército inimigo o havia capturado e que ele estava encurralado num beco sem saída...




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Crise? Onde?




A gente pensa na situação... Escuta pessimista atrás de pessimista, falando que tudo vai de mal a pior e que ainda tende a piorar mais!
Puxa vida, serão os últimos dias?
Os economistas dizem que um hecatombe econômico vem aí, e que nós brasileiros provavelmente vamos morrer de fome, consumidos pelo verme inflacionário, e que depois disso, nem nosso pó sobrará, para detectar nosso DNA de povo mal votante.
Gente, estou com medo! Acho que ou é o reino do capeta se instalando, como fala em apocalipse, ou, o capeta é a Dilma e Jesus já está voltando.
Ainda bem que a gente, povo brasileiro, além de não saber votar, também não sabe ouvir, não sabe ler, não sabe assistir ao noticiário, não sabe escutar o rádio quando o assunto é sério, e por isso, a gente continua acordando cedo, saindo pra trabalhar, e dando duro o dia inteiro pra comprar o leitinho das crianças.
Já pensou se a gente tivesse aprendido a ler?
Ficaríamos em casa esperando a crise passar. Não tomaríamos banho, pra não gastar nem agua, e nem energia. Não compraríamos roupas, vinho, refrigerante, picanha, carvão e nem Danoninho que vale por um bifinho... Porque uma vez letrados e entendidos, a gente iria descobrir, que em tempos de crise, vive-se a pão e agua. Em tempos de crise, faz-se sopa de pedra. Em tempos de crise anda-se a pé...
Ufa! Ainda bem que a gente é burrão, porque vivemos uma crise mais ou menos, e deixamos o espanto e a preocupação para os analistas, os economistas, os padres e pastores...
Nós apenas vivemos um dia após o outro.
A única coisa ruim de sermos burrões, é que definitivamente não sabemos votar... Porque se soubéssemos, certamente esse país aqui seria mais chique que a França, mais rico que Dubai, mais desenvolvido que o Japão e mais humano que o Tibete.
Mas fazer o que? Em tempos de crise é assim mesmo. E só daqui a umas duas gerações, onde a sociedade brasileira vai realmente ser mais educada, letrada e escolarizada, é que nós vamos aprender a votar e a viver o lado correto dos dias.
Até lá... Se Jesus não voltar antes e se a Dilma não for mesmo o capeta, nós vamos Zecapagodiando e deixando a vida nos levar.




sábado, 19 de setembro de 2015

Paixão de maluco

Amigos, essa é uma re-postagem de um conto que gosto muito, e como faz tempo que não posto um conto aqui no blog, resolvi postar este novamente, que até já foi publicado um uma coletânea de contos, chamada: Antologia de inverno, da editora Big Time.



                                                

Chegou o derradeiro dia para o futebol brasileiro deste ano, o Maracanã; maior estádio do país, se dividia em quatro cores! De um lado a torcida verde e laranja do Clube de regatas Intergalácticos, do outro, a torcida vermelho e azul do Brasilina futebol clube.

Os dois times entram lado a lado, com seus jogadores em fila indiana.

Foi impossível para os atletas conterem a emoção diante de um Maracanã abarrotado, muito além de sua capacidade máxima. A vibração e a adrenalina que as arquibancadas mandavam para dentro do campo, faziam atropelar o batimento cardíaco do mais frio dos jogadores.

João Pedro madrugou e chamou a família para uma conversa durante o café da manhã:

— Mãe, pai, eu e o Irineu compramos o ingresso para a final do campeonato brasileiro.

— Ingresso? — estranhou o pai de João. — Tá maluco? O jogo vai ser no Rio de Janeiro.

— Eu sei pai! Mas a gente foi em quase todos os jogos do campeonato e não podemos perder a final de jeito nenhum!

— Mas meu filho; é muito perigoso! — falou a mãe de João colocando o pote de manteiga na mesa.

— Eu sei mãe! Mas muita gente daqui vai pra lá! Vamos invadir o Maracanã... Pode ficar tranquila!

— Pedrinho, e... eu n... não estou feliz com e... esse negócio não!

— Calma pai; está até gaguejando! Eu já tenho trinta e dois anos, e senhor sabe que eu sei me cuidar! Eu e o Irineu não vamos sozinhos. Nossa torcida vai em peso.

— Olha, se você me prometer que não vai beber e que vai correr de confusão eu até deixo você ir!

— Eu prometo! Vocês me conhecem bem, e sabem que eu não entro em briga. Aliás, eu sou tão legal, que com trinta anos, eu nem precisava pedir pra vocês deixarem eu ir, e olha eu aqui pedindo!

— Não precisa pedir!? — rebateu a mãe de João Pedro. — Olha só que cara de pau! Fique sabendo que pra gente você sempre vai ter dez anos; seu moleque!

Japuíra acordou mais cedo neste domingo, nesse bairro ficava a sede do Clube de regatas Intergaláctico, o time favorito na disputa dessa tarde contra o Brasilina.

O Intergaláctico tinha a seu favor o empate, por isso, se o jogo acabasse com igualdade no placar, eles levariam mais uma taça para o seu abarrotado museu, de tantas glórias e conquistas.

Os jogadores estavam concentrados há dois dias. Todos no elenco, juraram fazer deste jogo final, “a batalha de suas vidas”. Eles estavam motivados, por uma fatalidade que aconteceu na antevéspera do jogo com o amigo e massagista do time a vinte anos, Biribinha, que fora atropelado por um mototaxista.

Ele não corria risco de vida, mas estava internado na Santa Casa de São João do Meriti, todo enfaixado, com duas costelas e a clavícula quebrada.

No dia anterior o time todo o havia visitado e prometido ganhar o campeonato para o amigo querido.

Biribinha, era considerado por todos como um segundo pai. Sempre pronto a ajudar e dar conselhos aos jogadores, e devido à toda essa dedicação, era muito querido por todos.

A batalha era intensa: jogadores de ambos os lados disputavam cada centímetro do gramado como se suas vidas dependessem disso. O primeiro tempo terminou num zero a zero nervoso, com poucas chances de gol de cada lado. A partida era quase toda disputada no meio de campo, quando um lance de perigo acontecia, as defesas levavam vantagem sobre os ataques.

O segundo tempo continuou truncado e o árbitro deu 6 minutos de acréscimo.

Aos 46 minutos, Armando pegou a bola na intermediária e enfileirou os adversários. Driblou Eduardo, Paulinho, Cáceres, Luizão, entrou na área e passou a bola para Chicão, que de cara pro gol, quando ajeitava o corpo para chutar, foi tocado no calcanhar por Emiliano, se desequilibrando e caindo ao chão.

O juiz Oscar de Moura não titubeou um segundo e príííííííííííííííí!!!!! Apitou, apontando a marca da cal.

— PÊÊÊÊÊNALTIIIIIIIIIIIII! — gritaram todos os locutores que transmitiam aquela final.       

Armando estava no final da sua carreira, quando chegou ao Brasilina. Muita gente foi contra, e falou que o presidente do clube estava maluco por ter contratado alguém tão rodado e que até agora, aos 36 anos, nunca havia sido campeão de nada importante.

O meia já havia jogado — sem grande destaque — em alguns clubes médios do futebol brasileiro, mas depois acabou indo jogar no leste europeu, em pequenos times, que disputavam campeonatos sem muita expressão. Há dois anos, havia voltado para o Brasil e estava jogando na segunda divisão, quando o presidente do Brasilina resolveu contratá-lo para compor o elenco.

O problema aconteceu, quando Babá, o meia titular do Brasilina, rompeu os ligamentos do joelho esquerdo e teve que operar. O tratamento e o período de recuperação, levaria o restante do ano e talvez, até o primeiro trimestre da próxima temporada.

Como poderia Armando, um jogador velho, rodado e vindo da segunda divisão, assumir o papel de maestro do meio campo da equipe e ainda levá-la ao tão sonhado título?

Mas Armando, jogo a jogo, calava a boca de todos. Com atuações impecáveis, acabou adquirindo o status, tanto pelos torcedores, quanto pela crítica especializada, de melhor jogador do campeonato.

Benedito, era torcedor fanático do Brasilina desde os 15 anos de idade, quando assistiu o time do seu coração despachar o grande Santos de Pelé, com uma acachapante goleada de 6 x 3. Desse dia em diante, resolveu que iria ser brasilinense, e assim o fez.

Todos os oito filhos de seu Benedito seguiram o pai.

Hoje, em todos os dias de jogo a família se reúne para torcer, gritar, sorrir e chorar pela paixão da família. Mas o netinho do seu Benedito, de repente apareceu com “tendências intergalácticas”, o menino só fala no time laranja e verde, e isso está tirando o sono de seu Benedito, que como última cartada, fez um acordo com o netinho: se o Intergaláctico ganhar do Brasilina nessa final, o neto está liberado pra torcer por quem quiser, mas se o Brasilina ganhar, o neto terá que seguir a tradição da família, e se tornar mais um brasilinense de coração.

Chicão pegou a bola, colocou-a debaixo do braço, e se dirigiu para a marca do pênalti. Ele era o artilheiro do campeonato com 22 gols, mas em nenhum momento de sua carreira, havia encarado um momento tão tenso e importante como esse.

Claudinha, era fanática pelo Intergalácticos. Era ela, quem cuidava das bandeiras e das faixas, da torcida "Leões fiéis", que era a maior e mais apaixonada que o time laranja e verde tinha. Claudinha iria se casar justamente neste domingo, data da grande final.

Quando ela e o noivo escolheram essa data, o time não estava tão bem no campeonato, mas do começo do segundo turno em diante, o Intergalácticos atropelou os adversários e acabou chegando ao derradeiro embate.

Foi uma briga homérica entre Claudinha e seu noivo, que ameaçou até largá-la de vez.

— Cláudia, — insistia ele, numa de suas últimas tentativas. — A gente já pagou tudo! Festa, buffet, viagem! Alugamos seu vestido, meu terno, e...

— No dia da final eu não me caso! — interrompeu ela sem deixar seu noivo terminar sua frase.

— ..., mas, Claudia... você não está agindo com a razão!

— Lógico que não! Pelo Intergalácticos eu só consigo agir com o coração.

Quando o noivo de Claudinha percebeu que não teria mesmo jeito, ele resolveu adiar o casamento. A disputa dele contra o time laranja e verde pelo amor de sua noiva, chegava a ser desleal.

Os jornalistas falaram na beira do campo para o juiz Oscar de Moura, que as TVs mostravam claramente que Chicão havia se jogado, e que não foi pênalti. Oscar de Moura, que estava a um passo de ser escolhido o arbitro representante do Brasil para a próxima copa do mundo, ficou muito triste, porque tinha tanta convicção de que tinha marcado corretamente, que falou para o juiz do VAR, que nem queria ver as imagens e que chamava para ele a responsabilidade.

— Oscar! — falou um dos juízes do VAR. — Na verdade, o lance é interpretativo. Pois existe mesmo um toque no calcanhar do Chicão. O que não dá pra saber é se esse toque foi suficiente para derrubá-lo.

— Eu acho que foi! — respondeu Oscar de Moura.

— Como você tem tanta certeza?

— O atacante estava de frente para o gol! Não tinha porque se jogar...

— Bom, — falou o juiz do VAR — estamos com você então! 

“Puxa vida! — pensou o juiz, nervoso consigo mesmo. — Eu não posso voltar atrás em uma coisa que tenho certeza. Agora que já marquei o pênalti..., seja o que Deus quiser! O jeito é torcer para o Fernando Inácio defender.”

Se o goleiro Fernando Inácio defendesse, o Intergaláctico seria campeão, mas se Chicão convertesse o pênalti, aí o Brasilina é que levaria o caneco.

O público dentro do estádio permanecia estático! A tensão era enorme! Uns oravam, outros choravam, outros viraram de costas, outros se ajoelharam, outros sentiram tontura, e alguns poucos, até tiveram que ser socorridos.

Mais de 120 mil pessoas se acotovelavam, espremidos, com olhos fixos no gramado. Silenciosos e imóveis, eram tomados tensão que castigava seus corações.  

Espalhados pelo país, milhares de telespectadores acompanhavam e sofriam, vidrados em suas TVs, nas telas de seus celulares, pela internet, ou, os mais tradicionais, com o radinho de pilhas colados ao ouvido.

Seu Jorge estava com batedeira, dona Rute estava trêmula, dona Dirce xingava o juiz, Juvenal levava a cerveja até a boca e a abaixava sem beber, Raimundo rezava o terço — sem saber em que oração estava, Aristides acendeu uma vela azul e vermelha, Mariana se debruçava em lágrimas.

Chicão colocou a bola na marca do pênalti, olhou para Fernando Inácio, que apontava o lado esquerdo e gritava:

— Chuta aqui que eu vou pegar, chuta aqui que eu vou pegar!

Biribinha assistia a tudo do seu quarto no hospital. Do seu lado, um torcedor adversário falava que seria gol, os enfermeiros pararam de atender pra assistir ao pênalti.

Chicão correu pra bola.

Enquanto corria, o atacante olhava pra ver se Fernando Inácio dava pinta se pularia antecipadamente para algum lado.

Chicão correu, parou com seu pé de apoio ao lado da bola e chutou.

Enquanto a bola viajava, vários corações viajaram junto. O momento seguinte certamente ficaria marcado na vida de muita gente, de tantas Claudinhas, Beneditos, Armandos, Antônios, Rodolfos, Juvenais, Irineus, torcedores e torcedoras, contra e a favor, que amam essa paixão de maluco, chamada — futebol.

 





sábado, 12 de setembro de 2015

Comunismo Camaleão






Eu até acho que o Marx tinha uma boa intenção quando teve suas ideias comunistas. Na verdade, ele sonhava com um mundo lindo, alegre, e contente, onde todos dividiriam o pão igualmente, sem passar a perna em ninguém.
Pelas ideias do Marx, não era só o fabricante de gilete que não teria lucro, na verdade, pra ele, ninguém teria lucro! O homem viveria para o homem, e o Estado regulamentaria isso, estocando bens, e dividindo igualmente para a população, e esse sim, o Estado, poderia obter lucro com os bens que o povo lhe cedesse, mas não para enriquecer, e sim para dividir esse lucro em forma de benfeitorias para a comunidade.
Acontece que o velho barbudo não percebeu, que para seus sonhos se tonarem realidade um ingrediente importantíssimo teria que funcionar perfeitamente, e esse ingrediente infelizmente não funciona como Marx imaginava. O homem!
O homem é mesquinho, gosta de levar vantagem, sonha em enriquecer a todo custo, é um ser acumulativo, adora ter coisas, muitas coisas! O homem não gosta de dividir, ele sempre acha que trabalhou mais, mesmo quando trabalhou menos e por isso, sempre acha que merece mais. O homem nunca está contente com o que tem e insaciavelmente luta e vai lutar por toda a sua existência, pra lucrar, mais e mais e mais.
Bom, como nós homens, somos esses seres desprezíveis, as ideias do Karl serviram só para que alguns aproveitadores tipo Stalin, Lênin, Che, Fidel, Mao e outras figurinhas espertas, tomassem o poder em nome de igualdade, para desigualar as coisas. Como todos nós sabemos, o comunismo não deu certo em lugar nenhum, pois ao contrário de paizão do povo, se tornou um padastrão, e daqueles bem safados. Oprimindo e tolhendo as pessoas, na base da força e truculência: física, moral e intelectual.
Acontece que outros pensadores barbudos, made in Brasil, inventaram o comunismo camaleão. Um comunismo disfarçado, meio malandro, que engana o povo, lhe dizendo que o país vive o capitalismo e a mais pura liberdade, só que na verdade, não é nada disso.
Esses pensadores barbudos, usando de artimanhas maquiavélicas, conseguiram empobrecer cultural e intelectualmente o povo, tirando-lhes uma escola de qualidade, atacando as famílias através da mídia, e destruindo as relações interpessoais através do medo de socialização das pessoas. Eles conseguiram dividir a sociedade em pequenas ilhas, onde cada um pensa apenas em si, e ninguém quer mais amar o próximo como a si mesmo.
Depois dessa desconstrução da sociedade, esses pensadores, em nome do capitalismo de mentirinha, aplicaram milhares de impostos para a população pagar. Impostos em tudo, e que podem ser aplicados duas, três ou até quatro vezes no mesmo produto. O cidadão paga imposto pra plantar, pra colher, pra beneficiar, pra produzir e pra vender o mesmo produto.
Com esses impostos excessivos, o cidadão trabalha sete ou oito meses, somente para o Estado, que lucra e fica milionário nas costas do povo trabalhador. Em troca desse dinheiro todo, o Estado retorna para o povo: más escolas, saúde precária, saneamento básico pífio, segurança inexistente e muitos escândalos de corrupção.
Esses novos barbudos devem estar fazendo a carcaça do velho Marx se remexer lá no inferno, enquanto saqueiam o Brasil. E a gente, povo brasileiro, burro que só, acha que está vivendo uma democracia, capitalista, livre e linda.

        



sábado, 5 de setembro de 2015

Muito além do peso




Eu assisti a esse documentário, e me assustei!
As crianças de 7, 8 e até 10 anos de idade, não conseguem reconhecer um mamão, ou uma cenoura, uma maçã, uma berinjela! Meu Deus!
Algumas mães irresponsáveis, deixam seus filhos até 5 horas em frente da televisão, como se a televisão fosse uma babá eletrônica, e não percebem que a televisão está jogando milhões de informações para essas crianças, e que em 99% das vezes, essas informações são benéficas apenas para os produtores da TV e seus patrocinadores, criando assim, uma geração inteira de consumidores compulsivos e desenfreados.
Crianças com problemas de coração, de pulmão, de auto-estima, de diabetes, colesterol e muito mais. Tudo causado por má alimentação e bombardeio midiático.

Assistam o documentário, vai ser importante e impactante. Eu prometo!