Seguindo o conselho da Ivone, vou colocar no máximo de 3 em 3 dias um novo capítulo de Virgem Maria. Eu fico esperando as pessoas lerem o capítulo atual, mas isso atrapalha quem já leu e também tem que ficar esperando.
A
muralha de Manzaneda já podia ser avistada, Sr Armando e Miguel cavalgavam a
mais de duas horas, quando perto da cidade, parado debaixo de uma figueira, um
guarda fez sinal para que eles parassem.
-
Onde é que vocês vão? - Perguntou o guarda de farda impecável e elmo reluzente.
-
Vamos à cidade.
- Eu
sei quem é o senhor. – disse o homem retirando o elmo. - É o pai do menino que certamente
vai ser queimado, acusado de ser bruxo.
- Sou
eu mesmo, e vim buscar meu filho.
O
guarda olhou fixamente para Armando depois encarou a Miguel, deu um passo para
trás colocando a mão sobre sua espada e disse: - Como é que vocês dois, um
velho e um garoto, querem salvar esse menino? Vocês não entendem que desde quando
o monsenhor foi pessoalmente buscá-lo, é porque ele já foi julgado?
-
Julgado por quem? - falou Miguel. - Eu não vi julgamento nenhum, nem o poema
eles deixaram a gente ler. O pai, Sr. Armando, nem sabe do que o filho está
sendo acusado.
- Pelo
que vejo, você é fraco de músculos, mas é forte com as palavras não é garoto. Mas
vamos supor que vocês possam chegar perto de seu filho, Sr. Armando, como é que
vocês querem salvar o guri? Vocês por acaso tem algum plano?
- Nós
vamos conversar com ele primeiro e ver o que foi que ele escreveu no tal poema,
e depois, vamos elaborar a nossa defesa no caso - falou Miguel demonstrando
coragem. - Porque? O senhor tem ordens para não nos deixar
passar?
- Não,
mas eu estou aqui esperando, porque sabia que o pai viria atrás de seu filho. –
disse o guarda encarando Miguelito. - Me digam uma coisa, como vocês querem
falar com o guri se ele está preso na masmorra?
- Não
sei como - falou Armando - mas a gente vai falar com ele custe o que custar!
-
Tudo bem. - falou o guarda pegando um pedaço de papel. - Dêem esse papel, com
essas ordens, ao chefe da guarda que fica no período da tarde na masmorra, seu
nome é Antonio Fernandes e, por favor, não falem com mais ninguém a não ser ele,
digam que é da parte de Natanael, acho que assim vocês poderão ver o menino,
mas penso que conversar com seu filho – disse virando-se para Armando – pode até
ser possível, mas convencer Monsenhor Fernando a fazer um julgamento às claras,
com a presença do povo, e com direito a defesa; isso vai ser difícil.
-
Obrigado bom homem. - agradeceu Armando. - Ainda bem que nem toda a raça de
cavaleiros está atrelada as covardias e desmandos da santa igreja.
- Não
fale assim senhor, pois eu ainda sou um cavaleiro e tenho um juramento. Não me
faça arrepender de ter lhes ajudado.
O guarda Natanael, com cara de poucos
amigos, deu um passo para trás e estendeu a mão curvando um pouco seu corpo
como num cumprimento e com um aceno de cabeça, olhou para as muralhas como se
estivesse dando passagem aos dois em direção a cidade. Eles entenderam o recado
e continuaram sua jornada.






