sábado, 31 de dezembro de 2011

Camada de ozônio

Ele se levantou, escovou os dentes, fez xixi e tomou um copo de leite. As festividades do final do ano não cairam muito bem no seu estômago. Algumas cervejinhas a mais. Um vinhozinho extra. Um champanhe rosê, um branco e um daqueles bem fididos que aquela tia avarenta sempre leva.Tudo isso combinado com uma dose a mais de comida e uns docinhos deliciosos acabam formando um coquetel molotov que de vez em quando explode em gases que contribuem para a destruição da camada de ozônio!
Dando umas batidinhas na barriga enquanto anda pelado pela casa ele pensa: "Acho que deve  ser por isso que janeiro é tão quente... Os gases aumentam muito na primeira semana né?"
Ele está se preparando para o primeiro dia de mais um ano. Se esse ano continuar no mesmo ritimo dos demais ele sabe que muita coisa vai acontecer. Ele vai sorrir, ele vai chorar, ele vai ter vitórias e perdas tambem. Ele vai ter felicidade e paz, mas também vai ter impaciência e momentos de raiva. Mas ele sabe que isso é que faz a vida boa de ser vivida, e ele quer mais é viver!
Então ele toma um banho, passa um perfuminho e se ajeita pra ir trabalhar. Ele sabe que as rotinas da vida matam, mas também salvam! Cabeça vazia é oficina do capeta, já dizia sua avó! Então ele vai trabalhar. Ele sabe que não tem o melhor serviço do mundo mas sabe que está longe de ser o pior tambem... Ele sai feliz por mais um ano que começa e por saber que Deus lhe deu a honra de ter acordado e vivido 365 dias no ano que passou. Agora ele está pronto pra mais uma batalha. Aí vem mais 366 dias e ele quer estar presente em todos eles pra que daqui a um ano ele esteja assim feliz, cheio de comidinhas e bebidinhas e contribuindo para acabar com a camada de ozônio e deixando os janeiros cada vez mais quentes...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um ano de boas guerras



Rufus, o cavalo de Valfredo vinha quase que cambaleando pela estradinha que trazia até a cidade. Desmaidado de sono e jogado em cima dele vinha seu dono e companheiro de tantas aventuras. Esse ano os dois passaram por muitos apuros juntos. Muitas batalhas, muitas justas, mataram muitos inimigos, muitos bruxos, muitos cavaleiros negros e praticamente um dragão por dia.
O dia estava raiando quando Rufus ganhou a praça central da cidade e se encaminhou para a casa de Valfredo. Eles estavam exaustos. Acabaram de salvar a princesa de West City das mãos do Rei da Laubânia. O rei a havia capturado e a fazia refém em seu castelo. Valfredo teve que agir como um agente secreto e se infiltrar entre os cavaleiros da Laubânia para poder chegar até o castelo sem ser notado e assim poder salvar a princesa. O problema é que na hora da fuga eles foram notados e Valfredo teve que enfrentar os soldados da guarda real. Foi uma batalha épica para Valfredo porque a guarda real da Laubânia era conhecida por ter grandes espadachins, mas felizmente pra Valfredo eles não tinham sua experiência na arte de guerrear e um a um foram caindo enquanto Rufus já se posicionava na porta do castelo pra assim os três saírem em uma fuga desenfreada.
Quando chegaram com a princesa de West City às portas de seu principado eles foram surpreendidos em uma emboscada e acabaram descobrindo que foi a própria irmã da princesa que querendo ser a única herdeira do reino a havia traído e entregado ao Rei da Laubânia. Valfredo desceu de Rufus pra enfrentar os cavaleiros e falou pra seu companheiro: - Rufus! Corra com a princesa e a salve! Leve-a para o castelo de seu pai.
Rufus saiu correndo com a princesa enquanto Valfredo ficou ali enfrentando com fúria todos os cavaleiros que fizeram a emboscada. O aço das espadas soltavam fagulhas a cada pancada que davam entre sí. Depois de muitos minutos de luta Valfredo não aguentou e caiu no chão. Quatro cavaleiros que ainda sobravam de pé cercaram Valfredo e quando iriam desferir o golpe de misericórdia ouviram o som de uma trombeta e de uma cavalaria que chegava. Todos correram deixando Valfredo com vida. À frente da cavalaria vinha Rufus guiando a guarda de West City. Os cavaleiros chegaram e saudaram a Valfredo dando-lhe os cumprimentos reais.
Já era tarde e Valfredo morto de canseira não quis ir até o castelo e se despediu alí mesmo da princesa, dos guardas e voltou assim pra casa.
Valfredo e Rufus enfrentaram coisas que nunca imaginaram nesse ano. Mas como tudo o que se semeia com carinho acaba dando bons frutos, chegando ao final desse ano mesmo que esgotado e esfarrapado Valfredo sabia que valera a pena.
Valfredo chegou em casa, desceu de Rufus, desarreou seu amigo e deu-lhe água, milho e soltou-lhe no pasto para descansar. Então a esposa de Valfredo veio lhe ver, deu-lhe um beijo de boas vindas e os dois entraram em casa.
- Val - falou a esposa - o mensageiro do rei deixou essa carta pra você!
Valfredo abriu a carta e viu que nela havia as seguintes instruções:
"Cavaleiro Valfredo,se apresente no castelo de Browistone as sete horas da manhã do dia 3 de janeiro.
Você tem alguns serviços agendados para o mês de janeiro. Entre eles deve matar um dragão que está assustando o povo do vilarejo de Soya, depois tem que caçar o cavaleiro negro que tomou o castelo da Sardênia, em seguida ai se juntar a tropa de cavaleiros da meia cruzada para expulsar os bárbaros das terras baixas da Holanda e por fim caçar a bruxa da floresta negra que está amedrontando os caçadores de raposa."
Valfredo olhou para o céu e com os olhos brilhando pensou: - Puxa vida... Como é bom ter saúde e disposição e poder começar o ano com tanta coisa pra fazer! Assim me sinto cada dia mais vivo e útil! Triste deve ser quem não tem vontade de se virar e viver só de sonhos... Parece que mais um ano feliz vem por aí!

Desejo a todos os amigos, seguidores e visitantes um ano novo cheio de batalhas e com muitas conquistas!
Vivam 2012 com alegria. Tenham disposição e não se deixem cair em armadilhas. Vigie, caminhe sempre pra frente e seja feliz!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Anjos

Mais uma re-postagem desse texto. Tomara que no próximo ano esse texto se torne bobo e esse problema não exista mais.


Zezé era menino.
Menino que não sabia.
Menino que não conhecia.
Zezé era um menino que não sabia de onde veio.
Não conhecia seu pai, era filho de pai sem mãe...
Não conhecia sua mãe, era filho de mãe sem pai ...
Zezé foi criado por uma irmã mais velha. Um ano mais velha. Marcia era o nome dela.
Comiam os restos das latas de lixo, dormiam debaixo da ponte, se cobriam com jornal, cheiravam cola e fumavam bitucas de cigarro.
Um dia acharam o corpo de Marcia num matagal, comida pelos vermes e pelos humanos.
A policia achou normal, afinal, era só uma menina de rua mesmo...
Zezé prosseguiu sozinho. Já tinha quatorze anos e uma mulher! Carol.
Carol, que já tinha treze anos. A oito meses grávida...
- Que legal, eu vou ser pai!
E foi!
Comiam os três restos de lixo, comida roubada ou ganhada, o mercadão jogava muitas verduras fóra.
Carol, desnutrida, não tinha muito leite, e quem tinha não dava. Afinal um centavo valia muito falou o presidente!
Um dia a polícia entrou no cafofo. Cafofo era a casa de Zezé, e de Jão, Zé, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e mais um monte de moleque de rua.
Cheirador de cola!
- E esse nenem? - Falou o policial - vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol.
- Vai ele e você!
Carol se atracou com o policial que queria tirar o nenem do seu colo, e os outros moleques entraram na briga, foi uma confusão. De repente um dos policiais puxa a arma e atira!
Legítima defesa ele afirmaria no processo.
Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho cairem no chão...
O tiro atravessou os dois.
Zezé matou um dos policiais a pauladas!
Mais polícia chegou, a televisão chegou, as pessoas chegaram... Mais policia chegou, mais televisão chegou, Os moleques foram presos!
Hoje Zezé está preso... Deflorado, surrado, usado, pisado...
Ele sonha com o dia em que vai sair da cadeia para menores infratores...
Legal né?
Ele sonha...
Afinal ele é criança, que sonha antes de dormir, afinal ele é criança e sonha com fantasias de criança... Criança de quinze anos...
Que sonha acordado!
E sonha com dias melhores... E sonha com os Anjos!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Papai Noel e o conselheiro

Papai Noel chegou ao vilarejo. Tudo estava muito escuro, porque ainda não existia eletricidade ligada nas casas. Na verdade as casas da vila não eram assim... Casas.
Eram alguns casebres espalhados pela vila, rodeando a igreja central.
Noel notou que as pessoas estavam reunidas numa espécie de galpão que ficava ao lado da igreja. Então ele amarrou as rédeas que prendiam as renas do seu trenó numa árvore, e foi com cuidado dar uma espiada.
Pé ante pé, Noel chegou até a janela do barracão, e furtivamente começou a espiar. Ele viu que um homem com uma espécie de túnica branca, falava para as pessoas, que atentamente o escutavam sem ao menos piscar. Noel achou interessante aquilo, porque no meio do sertão, onde não existia nada a quilômetros de distância, ele percebia que aquele homem era como um messias para aquelas pessoas. Até uma espécie de cajado ele tinha nas mãos.
Foi quando papai Noel escutou um "click" atrás de sí, e lentamente virou-se dando de cara com dois canos de uma carabina apontados no meio da sua testa.
- Quem é vósmecê?
- Eu sou o papai Noel.
- Pai de quem?
- Noel... Você nunca ouviu falar?
- Vosmecê é purtuguêis?
- Hã...? Português?
- É melhor vosmecê ficá quétim qui eu vô levá ocê pra cunversá com o mestre Antonio Conselheiro.
Então o capiau encaminhou o papai Noel pra dentro do barracão, onde todos ficaram emudecidos ao ver aquela figura estranha.
- Mestre, - falou o capiau. - Esse sujeitim aqui tava ispiano alí da janela. Eu pirguntei quem ele era, e ele me falô qui era o pai dum tar di Noel.
- Não meu filho... - Interrompeu o bom velhinho. - Eu sou o papai Noel!
O velho mestre, chamado pelas pessoas de Antonio Conselheiro, fez um movimento levantando seu cajado, e todas as pessoas se sentaram e ficaram observando. Depois virando-se para Noel, o beato falou: - O senhor é português ou mandado pelo rei?
- Pelo rei? Que rei?
- Oras meu senhor, não te faças de desentendido. Pelo rei de Portugal, colonizador dessa terra chamada Brasil.
- Olha meu filho, ho-ho-ho-ho, eu sou o papai Noel, eu venho das terras gélidas do norte europeu e vim trazer paz e alegria junto com o espírito natalino.
- O que é espírito natalino? - Perguntou Antonio Conselheiro olhando-o de cima abaixo.
- É o espírito de paz, alegria, felicidade, amor! Eu faço isso a muitos anos na europa, e agora meu chefe mandou eu começar a fazer isso aqui nessas novas terras também.
- Seu chefe é o rei de Portugal? O senhor é português?
- Ho-ho-ho-ho - gargalhou papai Noel - eu sigo as ordens de Deus meu filho! Eu represento a união dos povos em torno do nascimento de Jesus!
- O senhor é chegado a uma falácia hein senhor Noel? Onde já se viu dizer que trabalha diretamente com Deus... O senhor é português e trabalha para o rei de Portugal, e está aqui pra confundir meu povo, mas nós não vamos deixar! O senhor tem dez minutos pra se retirar da vila de Canudos; e se voltar aqui, não vai sair com vida. E por favor não seja ridículo com essa roupa vermelha e esse chapeuzinho horroroso! - Virando-se para o capiau que estava com a carabina, Antonio Conselheiro falou: - Chiquinho! Leve esse senhor daqui.
Chiquinho levou Noel até onde o trenó estava amarrado. Papai Noel subiu no trenó e levantou vôo sumindo entre as estrelas. Engraçado é que Chiquinho não se lembra disso e nem sabe como Noel foi embora. No outro dia de manhã era dia de Natal, e uma coisa estranha aconteceu na vila de Canudos. Todas as crianças acordaram com roupas e sapatos novos. Alguns vestiram sapatos pela primeira vez na vida. Ninguém sabe de onde os presentes vieram. Nas mesas dos casebres, apareceu uma espécie de pão engraçado e muito gostoso todo cheio de umas frutinhas cristalizadas no meio.
As pessoas perguntaram a Antonio Conselheiro o que era aquilo, ele simplesmente respondeu que devia ser mesmo coisa de Deus, ou simplesmente uma tentativa do rei de Portugal em fazer as pazes com o povo da vila.
Diz a lenda que essa foi a primeira vez que papai Noel veio ao Brasil, dali em diante ele nunca mais deixou que ninguém o visse quando viesse deixar os presentes para as crianças brasileiras. Dizem que numa conversa informal com um dos anões da fábrica mágica, papai Noel teria comentado que o povo do Brasil é diferente, porque mesmo achando que ele fosse um inimigo, ainda o deixaram ir embora. Todos os anos sequentes até hoje, Noel sempre volta ao Brasil, pena que já no ano seguinte a Vila de Canudos e Antonio Conselheiro não existiam mais.
Mas para a surpresa de Noel, quando Conselheiro chegou ao céu, ele perguntou a Deus sobre aquele velhinho de roupa feia e chapeuzinho horroroso que apareceu uma vez na vila de Canudos. Deus explicou pra ele quem era realmente o papai Noel. Desde esse dia, Antonio Conselheiro mora na aldeia do papai Noel, e ajuda a confeccionar aqueles pães engraçados. Ele faz isso com gosto, pois se lembra da alegria das crianças do seu antigo povoado se deliciando com aqueles pães.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O duelo


O sol estava esturricante naquela manhã. As pessoas da cidade de Cactus Valley estavam apreensivas porque um duelo estava marcado para aquele dia.
Alonzo Ceifador, o gatilho mais rápido e maior matador do oeste disse que iria matar o jovem forasteiro chamado Zézim Quicheramobim que veio de um distante país e estava morando numa fazenda vizinha.
Os moradores de Cactus Valley sabiam que Alonzo era terrível e que ninguém tinha chance contra ele, ainda mais um rapazinho que viera de um país onde as armas oficiais eram estilingue e arco e flecha. Seria um massacre!
A filha do delegado, a linda Mary Louise que estava apaixonada por Zézim tentou fazê-lo desistir da idéia de enfrentar Alonso, mas Zézim não via escapatória porque o bando de Alonzo havia cercado a cidade e não havia nenhuma rota de fuga disponível no momento. E o pior é que as pessoas da cidade também não o deixariam fugir porque eles fizeram várias apostas onde jogavam dinheiro tentando adivinhar com quantas balas Zézim iria morrer, ou com quantos minutos ele iria morrer, ou se o seu corpo cairia pra frente ou pra trás quando fosse atingido. Ele virou a atração do dia. Todos tinham total certeza que Zézim morreria naquele início de tarde.
Mary Louise quando viu que não teria jeito e que o duelo realmente aconteceria, levou Zézim para conversar com o sábio do pântano. Chegando na cabana do sábio Mary apresentou Zézim a ele e explicou qual era o problema. O sábio pensou, pensou, meditou e disse:
- Meu filho, esse duelo já está marcado e não tem jeito de desmarcar?
- Não tem sábio - falou Zézim cabisbaixo - todas as pessoas já sabem sobre o duelo e apostaram sobre ele. Não tem jeito e nem pra onde correr.
- Então meu filho - disse o sábio coçando a barba – eu vejo duas saídas pra você. Se você tiver vontade, tiver disposição, não tiver medo, enfrentar com coragem esse Alonso Ceifador talvez você se safe e ainda consiga viver. Mas se você for para o duelo já psicologicamente derrotado, com medo, covardemente e só assistindo as ações do Alonso Ceifador, aí meu filho com certeza ele vai te destruir assim como o Barcelona fez com o Santos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Poção mágica


Colocou três pitadas de asa de morcego, um colherinha de patas de barata, três dentes de alho e meio litro de mel de jataí. Mexeu tudo com uma colher de pau feita com o tronco da árvore mais torta do bosque. Ela acreditava nessas coisas e achava que isso iria mudar a sua vida!
Juntou mais sete minhocas vermelhas e sete minhocas brancas, uma pata de coelho e vinte e dois cogumelos bravos que dão em madeira podre de lugares úmidos.
Ela ouvia dizer que essa poção era tiro e queda. Era uma poção antiga que vinha passando de geração em geração desde a criação da sociedade das bruxas obscuras de Cabrobró. E agora essa poção prometia acabar com todas os seus problemas. Ela não sofreria mais por amor. Não teria mais TPM, ninguém mais fofocaria sobre ela, nunca mais ela teria impulsividade por comprar coisas no shoping! Essa poção seria magia pura em sua vida.
Com cuidado ela juntou dois rins de tartaruga, quatro olhos de cachorro poodle, um testículo de gato persa. Mexeu mais uma vez acrescentando aos poucos trinta e oito gotas de limão siciliano. A cada gota que caía ela tinha que recitar as nove palavras mágicas e dar uma volta completa no caldeirão. Mas ela fazia isso com muito prazer porque a lenda afirmava que todas as mulheres que recorreram a essa poção nunca mais choraram por desilusão, nunca mais tiveram problemas com roupas que não lhe cabiam, nunca mais tiveram estrias, nunca mais tiveram celulite, nunca mais tiveram pensamentos suicidas quando viram aquela amiga que ela detesta usando um vestido igual ao que ela comprou naquela loja caríssima.
Como toque final ela colocou três pétalas de rosa vermelha, duas pétalas de rosa branca, um talo de couve manteiga e trezentas gramas de estrume de uma vaca malhada e com uma pitadinha de pólvora branca... Pronto!
Agora todos os seus problemas iriam acabar.
Com um sorriso nos lábios ela colocou duas conchas cheias da poção em uma caneca e recitando pela última vez as palavras mágicas tomou sete goles da poção dando o intervalo de sete segundos entre elas.
Diz a lenda que realmente todos os problemas dela foram resolvidos porque a poção mágica a transformou numa linda ameba!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lar doce lar



Valfredo estava contra a parede. A ponta da espada do inimigo estava encostada em seu nariz. Do outro lado da lâmina o inimigo que a empunhava olhava fixamente pra Valfredo se deliciando por poder dar o golpe de misericórdia. A respiração dos dois estava ofegante porque o duelo exigiu muito esforço dos cavaleiros. Mas num golpe de sorte o inimigo de Valfredo conseguiu retirar-lhe a espada deixando-o desguarnecido. O que o inimigo não sabia é que o dragão da floresta estava bem atrás dele pronto para chamuscá-lo com uma baforada de fogo. Valfredo torcia para o dragão agir antes do inimigo cravar-lhe a espada. Foi quando o dragão fez um movimento mais brusco chamando a atenção do inimigo que num breve instante titubeou e olhou pra trás. Era isso que Valfredo precisava. Num golpe rápido Valfredo retirou a espada de sua frente e correndo pelo corredor do castelo pulou pela janela para cair no fosso dos crocodilos. Para Valfredo ter que enfrentar os répteis gigantes era bem mais fácil do que enfrentar uma lâmina espetada em sua fuça. Na hora em que pulou pela janela Valfredo ainda teve tempo de ver o dragão transformar seu inimigo em churrasquinho. - Ufa! - Pensou Valfredo. - Dessa eu me livrei.
Valfredo caiu bem nas costas de um grande crocodilo e rolou pra dentro d'água. Os crocodilos não esperavam e se afastaram com medo do barulho e do baque na água mas logo viram que era comida que caiu por ali e tentaram voltar e abocanhar Valfredo, mas já era tarde e ele tinha conseguido subir o barranco e ganhar a estrada.
Valfredo correu como nunca porque o dragão da floresta vinha logo atrás louco por mais um churrasco. Então Valfredo seguiu mata adentro conseguindo despistar o dragão, mas o que ele não sabia é que a bruxa escarlate que comandava aquela floresta estava vendo tudo em sua bola de cristal e mandou os gárgulas vampiros irem atrás de Valfredo.
Não demorou muito Valfredo se viu cercado por aquelas criaturas nojentas, metade homem, metade morcego, metade demônio! Eles davam vôos rasantes e com suas unhas enormes rasgavam a armadura de aço de Valfredo como se fossem de papel. Valfredo corria pela floresta desenfreadamente até que chegou a um descampado onde ficou totalmente vulnerável ao ataque das criaturas que o cercaram e com gargalhadas demoníacas se aproximavam cada vez mais. Valfredo foi dando passos pra trás sem tirar os olhos das criaturas até que o chão se abriu sob seus pés e Valfredo caiu de um penhasco direto dentro de um rio. Sua armadura que o protegera dos crocodilos no fosso que era muito raso agora dentro do rio começou a pesar e levar Valfredo para as profundezas. Foi quando meio atordoado e quase sem ar Valfredo conseguiu se desvencilhar da armadura e subir para respirar.
Valfredo seguiu nadando pelo rio e conseguiu escapar com vida.
Mais tarde Valfredo chegou a vila onde morava perto do Castelo de Browistone. Sua esposa estava na porta lhe esperando.
Quando viu sua esposa Valfredo ficou muito feliz.
Sua esposa quando o viu chegar foi logo falando: - Isso é hora de chegar em casa? Todo arranhado? E sua armadura? Deve ter esquecido na casa de alguma safada por aí né?
Valfredo chegou perto da esposa, sorriu e pensou: - Puxa como amo essa mulher! E como é bom voltar pra casa!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Podemos ser um Noel também

Eu re-posto alguns textos de vez em quando aqui no blog. Esse é um que vou postar de novo a cada natal. 




Eu vejo essas pessoas que falam que se lembram de tudo o que aconteceu com elas desde que eram crianças, desde que tinham três ou quatro anos, que se lembram “como se fosse hoje”, aí eu penso que então eu sou ruim das cacholas... Porque eu não me lembro de quase nada! Na verdade eu tenho uns flashes de algumas coisas que me aconteceram e que geralmente não sei porque, são lembranças de momentos não tão felizes.
O pensamento mais antigo que lembro é um muito triste, de um homem que vendia biju na rua, que vinha com aquela matraca de madeira batendo “plac plac plac plac! - Olha o bijuuuuuuu!”, e então eu que deveria ter uns três anos (sei disso pela casa em que a gente morava) e ainda não conhecia dinheiro fui correndo em casa e peguei uma nota qualquer que estava por ali e corri pra comprar o biju. O homem disse que o dinheiro não dava. Então eu voltei correndo e peguei outro dinheiro que encontrei, fui correndo e ele disse que ainda não dava. Eu falei pra ele esperar e voltei correndo vasculhei a casa toda e arranjei mais umas notas, fui de novo ao bijuzeiro que pegou as notas todas amassadas na minha mãozinha de criança e falou para as outras crianças que estavam em volta dele: - Olha esse dinheiro hahahaha! Não dá pra nada e até parece dinheiro de bêbado, hahahahaha! Vai embora moleque seu dinheiro não dá pra comprar nada hahahaha.
E todos os meninos deram risada da minha cara... Essa é a lembrança mais antiga que eu tenho, de um bijuzeiro velho e desumano...
Outra lembrança muito antiga deve ser do ano seguinte, no natal, que é o natal que eu recebi meu primeiro presente do papai Noel, e eu já tinha quatro anos. Até então meu pai que trabalhava muito, mas também adorava gastar com as maravilhas da noite, não deixava faltar o básico em casa, que era comida, aluguel, água e luz, fora isso tudo era luxo, um chocolate olha lá que deveria ser uma vez a cada três ou quatro meses, refrigerante deveria dar pra uma semana e não era toda semana que tinha... Nesse contexto de humildade e pobreza eu pedi numa redação da escola que o papai Noel me desse uma bola “dente de leite” que era uma bola que tinha naquele tempo e que parecia uma bexigona, e que hoje em dia as crianças não querem nem ver.
Lembro que meu pai foi a cozinha, voltou, e se deitou na cama com minha mãe, eu dormia numa cama ao lado, porque nossa casa só tinha um quarto um banheiro e uma cozinha, depois de algum tempo meu pai falou: - André, você escutou esse barulho na cozinha? Vai lá ver o que é?
Eu fui e me lembro da bola ali em cima da pia! Embrulhada num papel vermelho... Puxa! O papai Noel havia lido a minha redação!
Meu natal não teve nada além da bola, eu nem sabia o que era panetone, não teve refrigerante, leitoa assada, churrasco... Imagina se isso era possível... Mas não importava nada disso, porque eu tinha ganhado uma bola dente de leite! O que mais que eu iria querer.
Esses dias eu estava pensando em como a vida melhorou, apesar de não ter mais meu pai aqui entre a gente mas mesmo pouco antes dele morrer ele já havia resolvido ser pai de família de verdade e as coisas foram melhorando e melhorando. Eu dou graças a Deus por tudo o que ele tem me dado de bom na vida.
Sabe eu estava assistindo a uns três anos uma reportagem sobre garotos muito pobres que estavam pedindo ao papai Noel lhes trazer alguma coisa no natal. Um carrinho, uma bolinha, uma roupinha, qualquer coisa...
Então eu resolvi que iria ao correio ser um papai Noel de alguma criança daquelas que escrevem pedindo presentes. Desde então eu faço isso todo Natal. Eu sei que só vai o presentinho que a criança pediu. Não vai churrasco, nem leitoa assada, e talvez essa criança também nem saiba o que é panetone, mas eu me lembro da felicidade que fiquei quando o papai Noel me trouxe aquela bola dente de leite e posso falar que valeu a pena!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Toda a verdade sobre o papai Noel



- Minha mãe falou que se eu for um bom menino, o papai Noel vai me trazer um presente no natal.
- Ah, mas a minha mãe tambem me fala isso todo ano e nunca que esse papai Noel vem...
- É que ele vem numa hora que a gente não está olhando. Sabe, eu acho que ele é meio mágico.
- Eu também já pensei nisso, na verdade, eu acho mesmo, é que ele vem de outro planeta com uma nave espacial vermelha,  com muitas  luzes que piscam sem parar e bastante brilho.
- Mas e o trenó? E as renas?
- É que a minha professora falou assim, que nos textos antigos as pessoas falavam umas coisas simples, para que as pessoas que não eram sabidas poderem entender. Se falassem de nave espacial na época dos nossos avós, eles nunca iriam entender.
- Ah... Não sei não! Você está fantasiando muito... O papai Noel mora no gelo e os anões trabalham pra ele. Durante o ano eles fazem os brinquedos pra gente.
- Então como os brinquedos vem com marca de fabricante? Só se o papai Noel tiver mesmo uma tecnologia extra-terrestre, que dá pra ele copiar todos os brinquedos, porque como ele iria comprar ou fabricar todos os brinquedos?
- Você não entende. Ele dá os presentes só para as crianças boazinhas! Aquelas que fazem bagunça, repetem de ano, brigam e respondem aos pais,  ele deixa sem  presentes... Aí  é o pai que vai ter que comprar esses presentes, e se passar por papai Noel, entendeu? Assim é que vem esses presentes com marca do fabricante, e também é por isso que ninguém vê o papai Noel.
- Ixxi... Será que nós não estamos sendo tão bonzinhos e por isso que não estamos vendo o papai Noel?
- Puxa é verdade... Eu não tinha pensado nisso. Essa teoria é melhor do que a do extra-terrestre.
- Hummmm, mas é melhor acreditar que o papai Noel é um extra-terrestre, do que não acreditar que ele não existe. Meu irmão bobão fala que ele não existe.
- Mas pense comigo. Seu irmão só faz bagunça e é mal educado, então pra justificar que ele nunca viu o papai Noel ele fala essa besteira de que o papai Noel não existe.
- Verdade! Então agora a gente descobriu toda a verdade! Papai Noel existe sim, a gente que as vezes não merece a visita dele.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Fazer bem feito


Eu gosto de cozinhar. Na verdade eu sou um mestre cuca. Faço coisas absurdas e deliciosas. Minha esposa fala que na vida toda ela não conheceu ninguém que cozinha tão bem. Eu como sou bobinho acredito no que ela fala e no que as pessoas falam quando eu os convido pra uma jantinha ou um almoço de domingo.
Aqui vão duas hipóteses: Ou as pessoas falam pra agradar porque afinal eu os convidei e os elogios deles são apenas o exercício da boa educação, ou realmente elas gostam. Eu acho que gostam, porque no final não sobra nada!
Tem algumas pessoas que não gostam de cozinhar. Elas falam que dá trabalho, que detestam picar o alho, que não gostam do cheiro da cebola, que detestam mexer com a carne crua por causa do sangue, que escolher arroz dá trabalho, que lavar louça dá trabalho e que no final o resultado não é tão bom assim. Eu já acho o contrário! Adoro picar alho, cebola, pimenta, coentro, salsinha, escolher arroz, refogar o feijão, fritar um bife e no final o resultado acaba sendo bom. Mas aí é que está o "x" da questão. Eu faço porque gosto e tudo que a gente faz com gosto fica legal.
Esses dias eu fui num velório e ficamos de madrugada esperando o corpo que vinha de outra cidade chegar. Enquanto o corpo não chegava ficamos conversando com o porteiro do velório que é um senhor que tem mais de 40 anos que trata de arrumar corpos para serem enterrados. Ele contou que acha normal mexer com os defuntos e que tem prazer em arrumá-los direitinho no caixão. Ele fala que é a última imagem que os familiares vão ter daquela pessoa e que então é obrigação dele deixar a pessoa bonita e assim deixar essa imagem menos chocante. Puxa vida! Se fosse eu não tocaria no defunto pra arrumá-lo de jeito nenhum e a imagem que os familiares teriam do morto seria a pior possível... Entendeu? Tudo que é feito com amor e carinho fica mais gostoso, fica mais bonito, fica melhor.
Minha esposa fica brava porque eu gosto de fazer pratos sofisticados para as pessoas comerem mas quando é pra me agradar a melhor comida que você pode fazer é arroz, feijão, salada de tomate, bife e ovo frito com a gema mole! Se possível uns três ovos! Se você fizer com amor então... Hummmmmmm viro freguês!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cheirinho de xibíu



Tem uns cachorros malandrões que estão rondando meu portão de novo e isso quer dizer que a Frida tá no cio mais uma vez.
Eu fiquei dando uma observada nos meliantes esses dias e notei uma coisa engraçada. Eles chegam até o portão, encostam o xibíu na grade, a Frida dá uma cheiradinha e depois encosta o dela, eles dão uma cheiradinha e pronto! Só falta eles falarem assim: - Puxa a quanto tempo não te vejo!
Outro dia uma veterinária na tv falou que esse ato dos cachorros cheirarem um o xibíu do outro quando se encontram é para eles se reconhecerem. Ela falou que o cachorro pode até esquecer da cara um do outro mas que do cheirinho do xibíu eles não esquece jamais! Podem passar anos, mas se der uma cheiradinha certamente vai reconhecer o colega, ou até o inimigo.
Eu achei engraçado, nojento e interessante esse negócio. Ainda bem que o nosso faro não é tão poderoso assim porque tem cada pessoa por aí muito mais fidido que a Frida. O bicho homem sem sombra de dúvida é o animal mais fidido desse nosso planetinha. Por acaso você já conversou com esse povo andarilho cachaceiro que anda pela rua sem tomar banho? Meu Deus do céu como são fididos!
E umas pessoas que tem "cc" e não usam desodorante de jeito nenhum e a gente fica com vergonha de falar que ela tá fididinha pra não chateá-la. Que terrível! Eu perdi uma amiga assim, mas pelo menos ela hoje não anuncia sua chegada a metros de distância.
Eu acho que se os cachorros cheirassem a homens eles iriam dar um outro jeito de se reconhecerem, talvez tirassem até RG ou CPF pra não ter que cheirar o xibiu um do outro, mas como eles são animais eles não fedem tanto assim.
Então meus amigos, como nós somos humanos, vamos tomar uns banhos a mais, passar um desodorantinho e um perfuminho porque isso não faz mal pra ninguém. Na verdade faz até bem... Para os outros!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Limpem os túneis


 Todo dia era a mesma coisa, eles nem se lembravam mais qual foi o primeiro dia em que eles começaram a trabalhar naqueles tuneis. No começo o percurso era menor e os tuneis eram novos e fáceis de trafegar, mas com o passar do tempo o percurso só foi aumentando e os túneis cada vez mais foram ficando cheios de obstáculos.
O serviço deles era de vital importância nesse sistema. Eles tinham que levar oxigênio para o controle central e de lá esse oxigênio era distribuído para todos os órgãos por esses túneis.
O problema maior é que com o passar dos anos o gerente dessas instalações não tomou as devidas providências para manter os túneis limpos e fáceis de trafegar. O gerente deixou muito lixo se aglomerar nas paredes dos túneis e deixou-os infectar por produtos tóxicos e nocivos ao sistema. Assim os funcionários responsáveis pelo transporte de oxigênio estavam com muita dificuldade de fazer o seu serviço fazendo com que o comando central mandasse cada vez mais energia nos túneis tentando fazer com que o fluxo de oxigênio continuasse correspondendo as necessidades. O descaso com a malha de túneis era tanta que o controle central não estava conseguindo executar o processo e o sistema inteiro estava sofrendo... O setor responsável pela filtragem da água não filtrava direito e mandava impurezas para todos os lugares, o setor responsável pela renovação do oxigênio dos túneis não conseguia sugar e nem transferir esse ar para o sistema, o setor responsável pela inteligência do comando central e pela mecanização do todo começava a falhar e tudo estava entrando em colapso até que o sistema todo parou!
- Vamos tentar mais uma vez - falou o médico na ambulância!
- Carregando - falou o enfermeiro - pode colocar os eletrodos no peito dele, um, dois, três, lá vai!
O corpo estrebuchou e o coração deu sinais de vida.
- De novo - falou o médico!
- Um, dois, três... Lá vai!
O corpo estrebuchou de novo e o médico começou a fazer massagem no peito do paciente e respiração boca à boca. Conseguiram salvar o paciente. Ele foi internado na UTI. Quando saiu o médico lhe passou um regime, um plano de exercícios e alguns remédios. O médico falou que seu corpo estava muito descuidado e debilitado e que se ele não se cuidasse fatalmente não teria muitos meses de vida. Ainda dá pra recuperar só depende de você!
Assim as coisas foram melhorando para as celulas que eram os funcionários dos túneis. Agora eles poderiam levar oxigênio para todo o corpo e assim continuar a semear a vida. As placas de gordura foram sumindo das veias e o sistema conseguiu uma sobrevida melhor e com mais qualidade.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Procura-se... o perdão



Rodrigo filho de Lucas estava desaparecido a três dias.Três penosos dias onde Lucas procurou por todos os lugares possíveis em que Rodrigo poderia estar. Procurou nos arrebaldes da escola, procurou nas praças vizinhas, procurou nas casas dos amigos, colocou no jornal, deu queixa de desaparecimento na polícia, falou na rádio e nada.
Durante essa busca um filme passava na cabeça de Lucas. Um filme sem diálogos onde ele via seu filhinho desde bebê, crescendo ficando menino, até agora adolescente. O curioso é que Lucas só via imagens do filho nesse seu filme. Ele não se lembrava de situações onde os dois estavam juntos. Ele não se lembrava de uma brincadeira entre os dois, de uma conversa de pai pra filho, de um abraço ou um beijo. Ele não se lembrava de nada disso.
No seu filme Lucas apenas se lembrava das vezes que deixou Rodrigo cêdo na escola e de vê-lo trancado no quarto à noite... Dos domingos Lucas não tinha lembrança de passeios, companheirismo, de amizade. Esse filme começou a lhe incomodar.
Finalmente apareceu a informação de que Rodrigo estaria na casa de um traficante. Lucas foi até lá buscar o filho. Quando Lucas entrou pela porta da "boca" pôde ver o seu menino deitado no chão, todo sujo, com a roupa mijada cheirando muito mal, com a camiseta dura de vômito e com os olhos em transe profundo.
- O que você quer aqui? - Perguntou o traficante.
- Vim buscar meu filho, aquele ali de camiseta amarela.
- Ele me deve 150 reais.
Lucas abriu a carteira, tirou os 150 reais, deu ao traficante que pegou colocou no bolso e falou: - Agora você vai até o seu filho e pergunta se ele quer ir com você, se ele acha que você é amigo dele, se ele é feliz lá na sua casa.
Essas palavras caíram como uma bomba na cabeça de Lucas que conseguiu claramente entender porque o filme que a três dias passava na sua cabeça não tinha diálogos entre ele e o filho.
- Meu filho - falou Lucas se aproximando de Rodrigo - eu não estou nervoso com você. Eu tenho consciência de que eu sou o maior errado entre nós. Eu nunca fui seu amigo porque achava que só trabalhando eu já estava fazendo minha parte e na verdade eu estava errado. Não vi você crescer, não vi você começar a ler, a andar, a namorar, não vi nada. Por favor, vem embora comigo pra casa que eu te prometo ser um pai de verdade de hoje em diante...
Rodrigo levantou os olhos marejados de lágrimas, pegou na mão que seu pai lhe estendia, se levantou e abraçados os dois foram pra casa.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cliente chato


- O senhor já foi atendido?
- Ainda não.
- Então pode pedir.
- Eu quero um chá mate gelado batido com limão e mel.
- A gente não tem isso aqui.
- Vocês tem chá mate?
- Temos.
- Gelado?
- Temos.
- Tem limão?
- Temos.
- E mel?
- Temos também.
- Então é só pegar tudo colocar no liquidificador, bater e colocar num copo pra mim.
- Nós não fazemos isso.
- Porque não fazem isso?
- Ordens da gerência.
- Você sabe quem eu sou?
- Sei...
- Sabe? Quem eu sou?
- Um cliente como todos os outros.
- Quem é gerente aqui?
- O Nicolau.
- Eu posso falar com ele?
- Ele não gosta de ser incomodado e não vai adiantar muito porque ele não vai ceder. Aqui a gente só vende o que tem no cardápio.
- Eu queria falar com ele.
- Ele não gosta de ser incomodado e não adianta que aqui a gente só vende o que tem no cardápio. O seu Nicolau sempre fala que cliente pensa que tem razão mas na verdade quase nunca tem razão. Ele ensinou a gente assim então não vai adiantar o senhor falar com ele.
- Dê esse cartão a ele e diga que eu estou aqui fóra e veja se ele pode me atender.
- Tá bom vai - falou a garçonete fazendo cara feia - vou levar pra ele.
Entrando pela porta fazendo barulho e pisando duro a garçonete parou em frente ao seu Nicolau e foi lógo falando: - Tem um cliente chato aí fóra que quer um chá mate batido com limão e mel e eu já falei pra ele que não adianta que a gente só vende o que tem no cardápio, ele não desiste e está insistindo a meia hora e agora quer falar com o senhor, mas eu já falei que não vai adiantar porque o senhor não dá moleza pra cliente chato então ele me deu esse cartão e falou se o senhor pode falar com ele.
Nicolau pegou o cartão, e arregalou os olhos começando a tremer.
- O que foi seu Nicolau parece que viu fantasma? - Perguntou a garçonete.
- É que esse aqui é o dono da franquia...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A salvação de jonas


Jonas olhou a sua volta, tudo estava escuro, a lama cobria-lhe o joelho, a cada passo que ele tentava dar se atolava mais e mais. Jonas não via saída, o caminho estava difícil demais pra ele. O sol já não batia mais em seu rosto, a floresta era muito densa e as arvores encobriam o horizonte. De dentro da vegetação ele ouvia sussurros e uivos. Parece que falavam dele, mas não dava pra ter certeza pois as vozes vinham de sombras que ora apareciam por detrás das folhas e ora sumiam fazendo algazarra.
- Ei! - Gritou Jonas - vocês aí, me ajudem. Estou perdido!
Não adiantava, a cada grito de Jonas, a cada pedido seu, as vozes se calavam e apenas olhos esbugalhados apareciam em meio ao breu. Esses olhos pareciam curiosos pra saber se Jonas iria sair da enrascada em que estava mas não pareciam querer ajudar.
Jonas estava aflito, e com esforço sobre-humano ainda dava passos lentos e tentava prosseguir. Ele levantava uma perna da lama pegajosa, inclinava seu corpo pra frente e pisava mais adiante, depois repetia com a outra perna e assim ia tentando sobreviver.
De vez em quando Jonas sentia que alguém segurava sua perna e lhe puxava pra baixo, ele sentia que de vez em quando alguém colocava mais lama no meio do caminho, mas Jonas precisava vencer, Jonas precisava prosseguir, Jonas precisava respirar, Jonas precisava sobreviver.
Foi quando uma pessoa apareceu do outro lado do caminho, ela parecia conhecida. - Olá! - Falou Jonas - Você é a minha professora da quarta série?
A pessoa não respondeu mas jogou um livro para Jonas, o livro se depositou no fundo da lama e Jonas pôde se apoiar nele. Foi quando mais pessoas apareceram ao lado do caminho. Todos pareciam conhecidos de Jonas, uns pareciam antigos professores, um parecia com o dono da livraria, outro parecia o dono da banca de jornais, e eles foram jogando livros e mais livros para Jonas, revistas, jornais, e mais livros e mais livros e Jonas ia usando esses livros como escada, subindo, subindo, saindo da lama até que conseguiu sair do buraco em que estava. Até que conseguiu atingir terra firme, terra sólida e sair da densidão daquela floresta negra... Então o sol bateu de novo em seu rosto, então as cores da vida tornaram a aparecer.
Então, Jonas sorriu!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ele



 
Com um pincel Ele pintou as joaninhas, algumas de preto com bolinhas laranja, outras de branco com bolinhas pretas, e ainda umas de verde com bolinhas amarelas. Com verniz cor de imbuia ele envernizou as asas das baratas e dos besouros, se bem que nos besouros antes do verniz Ele deu uma tingidinha com betume, depois deu uma bela polida e pronto, ficou muito chique!
No jardim Ele pegou uma moita de marias-regateira e pintou cada uma de uma cor, umas laranjinhas, outras rosinhas, outras azuladinhas, outras branquinhas, tudo com pinceladinhas e tinta guache.
Na maçã Ele fez uma obra prima! Usou vermelho magenta, amarelo ouro e um pouquinho de branco, foi pincelando, colocando mais vermelho, mais amarelo, umas pitadas de branco e por fim um verniz copal pra dar um brilhosinho.
Ele também fez com papel verde picotado um grande gramado e com bolinhas de massinha marrom fez os tatuzinhos colocando pelos de crina de cavalo cortadinhas pra fazer as perninhas. Também usando massinha ele fez umas cobrinhas pequeninas e fininhas e as colocou na grama e deu a elas o nome de minhoca, com uma espátula pequenina ele fez os risquinhos nas minhocas  dando-as um formato mole com um monte de anéis emendados.
Ele pegou argila e fez um monte de bolinhas, pegou papel de sêda e fez umas asinhas, pegou mais crina de cavalo cortou bem pequenininho e espetou nas bolinhas de argila, aí com o pincel de pelo de malta pintou listrinhas amarelas e pretas nas bolinhas, colocou mais uma bolinha fazendo uma cabecinha e pintou com spray metálico fazendo grandes olhos, a essas bolinhas coloridas Ele deu o nome de abelhas.
Por hoje ele achou que já estava bom. Então ele olhou pra esses bichinhos e plantinhas e falou: - Vivam!
Aí Ele juntou toda a tralha do seu ateliê e foi contente pra sua casa. Muitas pessoas não acreditam que foi Ele quem fez tudo isso e tudo mais o que existe, mas Ele não está nem aí, por isso continua fazendo a cada dia!


sábado, 26 de novembro de 2011

A carência do arrogante


Tem um senhor que eu atendo lá no meu serviço que é um cara um tanto quanto arrogante. Ele é um professor e diretor de escola aposentado. Hoje ele tem um sítio que toma boa parte do tempo dele, o tempo restante ele leva lendo livros e enchendo o saco das pessoas.
Um dia ele descobriu que eu gosto de ler, então ele desceu do trono em que vive e veio falar comigo. Falou que nunca assiste televisão, que nunca assistiu novela, que nunca ligou um rádio, que não torce pra time nenhum, que nem se liga em quem está concorrendo na política e que se pudesse nunca iria votar. Falou que passa o tempo lendo, as horas vagas pra ele são apenas para leitura. E deixou bem claro que só lê clássicos e grandes autores renomados no mundo todo e adora livros difíceis com temas pscicológicos e controversos, e quanto mais inteligente for a trama do livro melhor! Me falou que grandes nomes da literatura mundial deveriam ser nossos melhores amigos!
Eu me empolguei porque nunca ví ele se abrindo com ninguém e falei que (na época), eu estava lendo uma trilogia do Marcos Losekan que se chama "Uma entrevista com Deus", e que era muito boa, que era muito interessante e que prendia a gente do inicio ao fim... Bruscamente ele me intenrrompeu e falou que isso tudo era besteira! Quem era Marcos Losekan? Eu expliquei que era um correspondente da rede Globo e um grande jornalista...
- Bosta - falou ele irritado - achei que você tinha um pouco de cultura!
Então ele olhou pra mim, ajeitou o manto real e a coroa, pegou seu cajado e com um olhar fuzilante foi embora.
Outro dia ele voltou à loja e veio falar de novo comigo, perguntou o que eu estava lendo agora. Eu falei que estava já no terceiro livro de um autor que se chama Harlan Coben que era muito bom. Ele anotou o nome num papel e disse que iria pesquisar pra ver se servia. Nesse dia eu peguei um jornal que escrevo de vez em quando e mostrei pra ele uma crônica e falei pra ele ler. Antes dele ver do que se tratava ele falou:
- Bosta! - E irritado gruniu entre os dentes - Aqui nessa cidade ninguém sabe escrever!
Antes mesmo que eu pudesse falar que o texto era meu ele já tinha sumido na sua carruagem real.
Ontem ele entrou na loja de novo e viu sobre a minha mesa um livro que se chama "Três Sombras", que é uma obra prima de texto e desenhos, numa estória contada e desenhada pelo francês Cyril Pedrosa. Ele chegou pegou o livro nas mãos sem me pedir, abriu, viu que era de quadrinhos, colocou em cima da mesa e falou:
- Bosta, agora você está lendo coisas de crainça! - Falou e mais uma vez... Sumiu!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os amigos e a vida



Outro dia eu falei pra um amigo que as companias influênciam muito o caráter e o tipo de pessoa que a criança vai ser quando crescer. Ele me disse que não! Que o que importa é a criação e a educação familiar. Aí eu tive que contar uma pequena histórinha pra ele e hoje resolvi contar aqui pra vocês também.
Eu era um menino bôbo, daqueles puxados pela mão, daqueles que era inteligente mas não exercitava essa inteligência pra nada. No parquinho, no primeiro e segundo anos eu não tinha amigos, eu simplesmente ia pra escola, vinha pra casa, passava as tardes atormentado, passava os dias feito um zumbizinho que nem sabe o que veio fazer aqui nesse mundo. Meus pais não viviam uma boa fase, brigavam todos os dias e muito, meu pai era mulherengo e minha mãe não aceitava isso, então o pau comia lá em casa. Esses dias também foram dias em que meus pais procuraram saídas erradas para os becos da vida, de vez em quando meu pai tomava umas a mais, de vez em quando eles tentavam procurar explicações indo atrás de religiões e gente má, e esse coquetel fazia de nossa vida uma vida quase insuportável pra uma criança que via todas aquelas coisas e não entendia nada.
Uma vez fugi do parquinho e realmente iria sumir no mundo, mas tão besta que eu era que fiquei alí pelas redondezas de casa e a polícia acabou me encontrando. Eu repeti o segundo ano e posso lhes dizer que isso foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, primeiro porque eu realmente não sabia nada de nada, eu apenas vivia, depois porque eu tive a aportunidade de conhecer algumas pessoas maravilhosas que mudaram minha vida e o jeito que eu enchergava a vida.
Na terceira série eu fui transferido de escola e lá conheci o Alexandre, o Toninho e o Marcelo. Eles não sabiam de nada ainda mas o que eles me proporcionaram como amigos, me aceitadando, me incluindo e se aproximando de mim e o melhor de tudo, trazendo uma base familiar de amor que eu não conhecia muito bem, me fizeram mudar. 
Pela primeira vez eu comecei a brincar de tirar nota mais alta que meus amigos, brincar de fazer um trabalho melhor pra poder tirar um sarrinho depois, brincar de aprender a desenhar, disputar quem leria mais livros até o final do ano, disputar e brincar com coisas que só fizeram bem. Esses três caras foram importantíssimos na minha vida. Nós éramos nerds quando esse termo nem existia e isso foi muito bom pra mim. Tudo bem que como um bom nerd a gente ficou um pouco pra trás no quesito arrumar uma namorada, mas nem isso foi ruim.
Então meus amigos, se meu filho Samuel que vai nascer em março tiver a chance de na vida dele encontrar alguns amigos como o Antonio di Petta, o Marcelo Casado Urbano e principalmente o Alexandre Oliveira Batistelli eu vou poder ficar um pouco mais tranquilo, porque amizades realmente mudam vidas! As vezes podem ser pra pior, mas no meu caso eles foram anjos que Deus mandou pra me ajudar!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O acusador



- Quem você pensa que é rapaz? Olha quanta cagada você já fez na vida... Agora vem com essa cara de anjinho falando que mudou?
- Mudei mesmo, e essas cagadas já ficaram no passado.
- O que ficou no passado? Os erros que você cometeu? Hahahahahahahahaha eles estão aí vivos na sua cabeça e vão te acompanhar pra sempre!
- Não vão mais me acompanhar porque eu abandonei esses erros.
- Abandonou por enquanto, mas é só uma brechinha aparecer que você erra de novo. Você é assim, sua familia é assim, seus pais são assim.
- Mas eu decretei que minha vida mudaria e o dia que eu resolvi mudar tudo isso ficou pra trás.
- Ah que bonitinho... Tudo ficou pra trás? Toda merda, todas as maluquices, todas as pirações. Hahahahahaha, como isso meu amigo?
- Não sou mais seu amigo. Ou melhor nunca fui seu amigo. Você fica aí falando de passado de passado só porque você sabe que não tem como eu mudar esse passado, mas tem como eu mudar o presente e também o futuro!
- Uiuiuiui... Tem como eu mudar o presente e o futuro! Que bonitinha a carinha dele... Acha que engana alguém? Quem nasceu pra ser medíocre morre medíocre rapaz! Pau que nasce torto até as cinzas dele são tortas!
- Você é o acusador mesmo né? Sarcástico, malvado... Mas aquele cara que você conhecia e influênciava não existe mais! Acabou! A vida agora mudou.
- Ah... A vidinha agora mudou?
- Mudou.
- Então está bem... Vai com essa fézinha sua aí que eu vou estar aqui te esperando no dia da sua recaída, hahahahahaha, no dia da sua volta triunfal, no dia que você perceber que eu sou o seu amigo e sempre vou estar com um ombro amigo te esperando de volta!
- Espera sentado que de pé você vai se cansar!
- Tem certeza?
- Tenho?
- Você acha que as coisas, as pessoas e a vida vão te dar segunda chance seu moléque desaforado?
- Vou te falar uma coisa, eu aprendi que a vida pode tudo, ela pode te recompensar e te punir, ela pode te abraçar, acolher e também te derrubar, mas uma coisa ela não pode nunca tirar da gente. A vontade de tentar outra vez!

sábado, 19 de novembro de 2011

A festa



Lucio voltou da caminhada diária, fez um carinho na cabeça de bóris seu cachorro de estimação, entrou em casa e foi direto tomar um banho. No banho ele começou a pensar que de 3 anos pra cá desde a morte de sua esposa Carmem como sua vida estava mudada. Ele nunca havia imaginado que ao completar 70 anos estaria morando sózinho, pois os filhos estavam todos casados e cada um trabalhando num canto do país.
Lógo ele que sempre zelou tanto pela unidade da familia, pela alegria e união dos filhos com os pais... Mas é assim mesmo, os filhos crescem e querem voar por conta própria e tem de enfrentar o mundo e a vida que tem pela frente, a parte dos pais é apenas prepará-los para isso...
Lucio tomou banho, enrolou a toalha na cintura, foi até a cozinha, pegou um copo de leite e umas torradas e foi até o escritório abrir seus e-mails.
Enquanto o computador abria ele matou sua torradinha com geléia de morango e seu copo de leite gelado.
Lucio era um idoso pra frente, tinha facebook, orkut e se comunicava por MNS e Skipe com todos os netos e sobrinhos e de vez em quando até com um dos 4 filhos, ele se orgulhava disso, pois era um velho conectado no novo mundo. Quando seu e-mail carregou ele foi lendo, e-mail de propaganda de lojas virtuais, e-mail de sacanagem que seu neto João sempre mandava, e-mail com vírus que teimavam em mandar falando que era do banco, da receita federal, do SPC e um e-mail do seu amigão Marcel. O e-mail do Marcel falava assim: "Bem vindo a minha festa, se você abrir esse e-mail não poderá fechá-lo mais". Lucio abriu e dentro era mais uma daquelas correntes que dizia que a partir da hora que você lê-se o e-mail quatro coisas iriam acontecer com você:
1- Uma ligação telefônica inesperada.
2- Alguém iria lhe dar uma notícia boa.
3- Você faria uma viajem.
4- Encontraria a pessoa que você ama.
Mas como sempre era preciso enviar a mensagem para toda sua lista de contatos. Lucio não acreditava nessas coisas mas resolveu enviar, só pra participar da brincadeira. Depois disso ele leu mais alguns e-mails, navegou um pouquinho pela internet até que o telefone tocou.
- Alô!
- Paaaaaaiiiiiii, me sequestraram paiiiiiiiiiiiii, socorro!
- Quem, sequestraram quem? Jonas? É você?
- Sou eu pai, é o Jonas, me sequestraram, eles querem um resgate! Pai socooooorrroooo!
- C.. co... como is.. isso f... filho... - O coração velho de seu Lúcio não aguentou o baque, ele sentiu uma enorme dor no peito e cambaleando foi até a calçada onde caiu no chão.
A vizinha chamou a ambulância que o levou até o hospital, chegando lá foi direto para a UTI. Algumas horas mais tarde seu filho Manoel que morava mais perto chegou ao hospital. O médico leiberou para que Manoel visse o pai... Manoel chegou perto do pai e foi logo acariciando sua cabecinha e falando ao velho.
- Puxa papai... Como é que isso foi acontecer? Eu amo o senhor e a correria da vida fez a gente ficar sem contato diário... Ainda agora eu estava falando isso pro Jonas... Eu já liguei pra ele e ele vem vindo... Vê se aquenta aí...
A mente de seu Lucio estava trabalhando bem e ele ouviu a notícia boa de que seu filho Jonas estava bem, deve ter sido um trote daqueles de presidiários, pensou ele, mas sem forças pra acordar e se levantar do coma ele viu uma espécie de pessoa muito bonita com cabelos loiros e uma roupa branca bem brilhante e iluminada que chegou perto dele, pegou-o pela mão e falou: - Olá senhor Lúcio, tudo bem?
- Tudo bem quem é você?
- Eu sou um anjo!
- Um anjo?
- É... Eu vim buscar o senhor pro senhor fazer uma pequena viajem...
- Pra onde?
- Por enquanto não posso falar, mas vai ser muito bom, e sabe quem está te esperando lá?
- A Carmem?
- Como sabe disso?
- Esses e-mails... - Pensou Lúcio. - E eu que pensava que eram tudo besteira...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Próximo!


Humberto estava na fila a uns 20 minutos quando finalmente uma vóz anazalada gritou: Próximo!
Então ele entrou, olhou pra atendente e deu um sorriso falando: - Bom dia!
- O que você deseja? - Ela respodeu em meio a um suspiro.
- Eu quero tirar a segunda via do meu R...
- Já pagou no banco?
- Como senhora? Eu não entendi...
- Tem que pagar no banco, já pagou no banco?
- Pagar o que no banco senhora?
- Pagar a segunda via do RG e trazer o comprovante - falou ela olhando para Humberto com uma cara de quem olhava pra um cocô.
- Eu não sabia que tinha que...
- Tem que pagar no banco! Próximo!
Ele correu, foi ao banco, pegou a senha, esperou uns dez minutos, pagou, correu de novo até a repartição, entrou na fila mais uma vez até que meia hora depois escutou: - Próximo!
- Oi, bom dia mais uma vez!
- Pagou no banco?
- Paguei, aqui tá o comprovante.
- Agora tem que trazer o xerox do RG antigo, ou da CNH, a certidão de casamento e uma foto atual.
- Mas... Porque a senhora já não falou isso antes?
Ela olhou pro Humberto como se olhasse para dois cocôs... Deu uma bufada, ajeitou o óculos, pegou uma caneta e grifou no papel falando: - Agora tem que trazer o xerox do RG antigo, ou da CNH, a certidão de casamento e uma foto atual... Próximo!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mariana voou e Graziela se casou



Rodolfo namorou com Graziela desde a adolescência. Com o passar do tempo Rodolfo foi se transformando num rapaz ciumento e obsessivo que não aguentava ver a inteligência e a beleza de Graziela que realmente chamava atenção por onde passasse.
Luiz e Mariana namoravam a oito anos. No quarto ano de namoro decidiram morar juntos, a vida deles era perfeita, eles realmente se amavam, eles realmente se respeitavam e viviam bem!
Chegou um dia que a Graziela não aguentou mais as crises de ciúme de Rodolfo e decidiu terminar o relacionamento. Rodolfo não aceitou e chegou até a bater em Graziela. Foi uma briga enorme que mobilizou os vizinhos e até a polícia que teve que prender Rodolfo que após o pagamento de uma fiança foi liberado.
Mariana que era bióloga recebeu uma oferta de emprego no Canadá onde ela teria uma enorme chance de ficar bem de vida e fazendo o que mais gostava, só que Luiz era promotor e tinha uma carreira brilhante pela frente.
Graziela começou a namorar com Ricardo uns três anos depois da separação com Rodolfo, só que ele não aceitou isso e passou a ameaçar os dois. Ligava pra ela todos os dias, mandava cartas dizendo que não aceitava que ela namorasse outro, fazia um inferno na vida de Graziela.
 Mariana e Luiz estavam num bêco sem saída, ela tinha a maior proposta que um biólogo poderia ter, e ele tinha uma vida pela frente num ramo em que ele havia lutado muito para conseguir. Essa situação começou a martelar na cabeça deles até que em uma discussão Luiz  falou pra Mariana ir pro Canadá sem ele.
Rodolfo resolveu que não iria abrir mão de Graziela e não a deixaria se casar com Ricardo, o casamento estava marcado pro próximo sábado as 20 horas.
Sábado as 20 horas sairia o vôo que levaria Mariana ao Canadá, numa última conversa ela deixou claro para Luiz que se ele aceitasse ela abandonaria o convite de emprego e ficaria no Brasil, mas Luiz não achou justo atrapalhar o sonho de Mariana, mesmo amando-a como a amava. 
Rodolfo foi a uma bôca numa favéla e comprou um revólver.
Mariana se despediu de Luiz e foi de taxi para o aéroporto.
Graziela estava se preparando para ir pra igreja.
Rodolfo bebeu a tarde inteira pra tomar coragem de executar sua vontade.
Quinze para as oito Luiz se arrependeu, correu até a garagem e saiu em disparada com seu carro para tentar impedir Mariana de viajar.
Quinze para as oito Rodolfo tomou coragem, pegou a arma, carregou-a e partiu com seu carro pra matar Graziela e Ricardo na porta da igreja.
Luiz estva a 120 por hora na marginal, apodando todos os carros, desviando dos motoqueiros, enquanto Rodolfo vinha em sentido contrario ziguezagueando e correndo o máximo que o carro podia dar, os dois cada um movido por um tipo de pensamento vinham fazendo loucuras no trânsito, correndo riscos e pondo todas as vidas que passassem por eles em risco também.
Foi então que num cruzamento dois carros colidiram de frente, outros carros que vinha atrás foram batendo, batendo, batendo e isso se transformou no maior engavetamento que aquela cidade já havia visto. Os dois motoristas morreram na hora e pedaços de peças de carro se espalharam por quarteirões inteiros.
A polícia chegou, os bombeiros chegaram, as pessoas foram parando seus carros no engavetamento.
...
As oito horas em ponto de um lado do engavetamento Rodolfo olhou no relógio e pensou: - Isso deve ser um sinal de Deus... Eu ia fazer uma cagada e ia me ferrar pro resto da vida!
Do outro lado Luiz sentou-se no capô do seu carro, e olhando para o caos a sua frente, franziu a testa e pensou: - É... Talvez seja melhor assim...



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Paixão de maluco

João Pedro acordou, conversou com a familia, se despediu de todos e foi à casa de Irineu para que os dois ganhassem a estrada. Os dois amigos estavam com o ingresso na mão e tinham que viajar até o Rio para assistir a grande final do Campeonato brasileiro. Se tudo desse certo, com apenas 8 horas de viajem eles estariam adentrando o estádio pra ver seu time do coração o Brasilina futebol clube levantar mais um caneco!
O bairro do Jupiá acordou cedo neste domingo, alí ficava a séde do Intergalático futebol clube, o time que disputaria com o Brasilina quem seria o melhor do Brasil neste ano... O Intergalático tinha a seu favor o empate, se o jogo acabasse com igualdade no placar eles levariam mais uma taça pro seu abarrotado museu de tantas glórias e conquistas.
O time estava concentrado a dois dias, e mais unidos do que nunca eles lutariam até o fim pelo Birimbinha, massagista do clube a 20 anos que na antevéspera do jogo havia sido atropelado por um moto-taxista e estava agora internado na Santa Casa todo enfaixado com duas costelas e a clavícula quebrada. No dia anterior o time todo o havia visitado e prometido ganhar o campeonato para o amigo de tanto tempo e tanta dedicação aos atletas. Na verdade Birimbinha era um segundo pai para os jogadores, sempre pronto a ajudar e dar conselhos, sempre atento a fazer favores e por isso mesmo muito querido por todos.
Aos 45 minutos do segundo tempo dessa batalha épica onde Brasilina e Intergaláticos faziam a maior partida de suas vidas, Chiquinho pegou a bola na entrada da área, driblou Eduardo e de cara pro gol (na visão do juiz)  foi tocado no calcanhar por Emiliano e se atirou ao chão. O juiz Oscar de Moura não titubeou um segundo e apitou apontando a marca da cal!
- PÊÊÊÊÊNALTIIIIIIIIIIIII! - Gritaram todos locutores que transmitiam aquela final.
Armando estava no final da sua carreira, quando chegou ao Brasilina muita gente foi contra e falou que o presidente do clube estava maluco por ter contratado alguém tão rodado e que agora aos 38 anos nunca havia sido campeão de nada importante. Como poderia uma pessoa assim ser o maestro do meio campo da equipe e ainda levá-la ao tão sonhedo título? Mas Armando estava calando a boca de todos e estava sendo considerado o melhor jogador do campeonato.
Benedito era torcedor fanático do Brasilina desde os 15 anos de idade quando assistiu o time do seu coração despachar o grande Santos de Pelé e tudo mais com uma acachapante goleada de 6 a 0 e desse dia em diante resolveu que iria ser brasilinense e assim o fez. Todos os 8 filhos de seu Benedito seguiram o pai e hoje se reunem todos os dias de jogo pra torcer, gritar, sorrir e chorar pela paixão da familia. Só que agora o netinho do seu Benedito apareceu com tendências intergaláticas, o menino só fala no Intergaláticos e isso está tirando o sono de seu Benedito que fez um acordo com o netinho... Se o Intergalático ganhar do Brasilina nessa final o neto está liberado pra torcer por quem quizer.
Tirolês pegou a bola, colocou-a debaixo dos braços e se dirigiu para a marca do pênalti. Ele era o artilheiro do campeonato com 22 gols, mas em nenhum momento de sua carreira havia encarado um momento tão tenso e importante como esse.
Claudinha era torcedora fanática do Intergaláticos, era ela quem cuidava das bandeiras e das faixas da torcida "Leões fieis" que era a maior e mais maluca torcida que o time laranja e verde dos Intergaláticos tinha. Claudinha iria se casar neste domingo mas do meio do campeonato em diante o Intergaláticos atropelou os adversários e acabou chegando a grande final. Foi uma briga homérica entre Claudinha e seu noivo que ameaçou até largá-la de vez, mas quando viu que não tinha mesmo jeito resolveu adiar o casamento.
Os jornalistas falaram na beira do campo para o juiz Oscar de Moura que as tvs mostravam claramente que o Chicão havia se jogado e que não foi pênalti... Oscar de Moura que estava a um passo de ser escolhido o arbitro representante do Brasil para a copa do mundo ficou muito triste.  - Puxa vida - pensou Oscar - agora o pênalti já está marcado e não tem como voltar atrás. O jeito é torcer para o goleiro Fernando Inácio defender.
Se Fernando Inácio defendesse o Intergalático seria campeão, se o Tirolês convertesse o pênalti o Brasilina é que levaria o canéco.
O estadio estava dividido ao meio, metade laranja e verde e metade vermelho e azul, mais de 120 mil pessoas se acotovelavam espremidos e calados com olhos fixos no gramado, milhares de telespectadores estavam emudecidos olhando fixamente para suas tvs, outras milhares de  pessoas acompanhavam tudo com o radinho colado ao ouvido.
Seu Jorge estava com o coração disparado, dona Rute estava com tremedeira, dona Dirce estava estática, Juvenal levava a cerveja até a boca mas nem piscava seus olhos.
Tirolês colocou a bola na marca do pênalti, olhou para Fernando Inácio que apontava o lado esquerdo e gritava: - Chuta aqui que eu vou pegar, chuta aqui que eu vou pegar!
Birimbinha assistia tudo do seu quarto no hospital, do seu lado um torcedor adversário falava, que seria gol, os enfermeiros pararam de atender pra assistir ao pênalti.
Tirolês correu pra bola.
Enquanto corria olhava pra ver se Fernando Inácio dava pinta se pularia antecipadamente para algum lado.
Tirolês correu, parou com seu pé de apoio ao lado da bola e chutou... Enquanto a bola viajava vários corações viajaram junto e o momento seguinte certamente ficaria marcado na vida de muita gente, de tantas Claudinhas, Beneditos, Armandos, Antonios, Rodolfos, brasileiros, brasileiras, torcedores e torcedoras contra e a favor que amam essa paixâo de maluco chamada futebol!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O agenciador

Imagine uma pessoa falastrona e tentando ser simpática como um desses apresentadores de circo. Imagine ele com a cara e a risada sarcástica do Coringa. Agora imagine ele saindo das sombras e da penumbra e oferecendo algo bem pertinho do seu ouvido. Imagine ele oferecendo isso pra alguém que você ama muito, seu filho, seu irmão, sua namorada. Imagine que ao lhe fitar os olhos você percebesse algo de diabólico no olhar desse ser... Imaginou tudo isso? Então boa leitura.
  
- Olá rapaz, olá senhorita!
Bem vindos ao novo mundo.
Um mundo de alegrias, conquistas, status!
Olá rapaz, olá senhorita!
Eu lhes apresento aqui e agora o divertimento...
A saciedade de emoções, as luzes que piscam!
O desprendimento da realidade que lhes oprime.
Só uma pequenina porção dessa maravilha e você vai se transformar, vai ficar forte, àgil, destemido e corajoso.
Você vai deixar de ser triste e vai virar o super-homem!
Talvez dure até a noite toda!
Isso...
Talvez dure até a noite toda!
E não se preocupe meu rapaz, não se preocupe jovenzinha, pois quando o efeito acabar eu não os abandonarei!
Agora essa maravilha toda lhe custará bem pouco, depois poderá lhe custar a eternidade, hahahahahahaha! Mas me responda.
Quem lhe garante que existe eternidade? Hahahahahahaha. Bem vindos ao novo mundo!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Seleção de lentas



- Aí lá pelo meio da boate vinha a seleção de lentas!
- Seleção do quê?
- Seleção de lentas...
- O que é isso?
- Era uma seleção de mais ou menos umas 12 músicas lentas onde a gente aproveitava pra chamar as meninas pra dançar.
- E pra quê isso? Dançar musica lenta?
- Pra xavecar as meninas e quem sabe dar uns beijos, ou pedir pra levar ela embora...
- Xavecar?
- É... Se apresentar pra ela, conversar com ela, e quem sabe depois dar uns beijos.
- Tinha que falar o nome pra beijar?
- Lógico que tinha, ela tinha que te aprovar, as vezes beijavamos 2 ou 3 meninas por mês dependendo da sua habilidade de se vender na hora da seleção de lentas!
- Duas ou três por mês? E ela tinha que te aprovar pra poder beijar?
- Lógico pô! E aí você pedia pra levar ela embora...
- Pra quê?
- Porque era aí que você tinha oportunidades a mais... Quem sabe ela começava a gostar de você e começava um namoro, ou quem sabe se ela tivesse telefone marcaria pra vocês saírem durante a semana.
- Não entendi. "Se" ela tivesse telefone?
- É lógico... Um telefone valia o mesmo que uma casa popular ou um carro, as pessoas ricas tinham mais de uma linha telefônica e alugavam como se aluga uma casa hoje em dia...
- E quando é que você e essa menina tranzavam?
- Quando ela tivesse confiança em você, depois de você levá-la em casa algumas vezes...
- O senhor levava as meninas na casa dela e nem rendia nada?
- As vezes se a menina fosse fácil ia render lá pela terceira vez que vocês saíam...
- Se a menina fosse fácil!
- É... mas tinha várias meninas fáceis, se você fizésse tudo certo dava pra tranzar com uma por mês ou a cada dois meses...
- Ah tio... Larga de bobeira... O senhor quer me falar que levava as meninas em casa a pé e nem rendia nada, que tinha que converssar e levar ela no papo pra poder beijar e "pedir" pra levar ela em casa, isso tudo numa coisa absurda que se chama "seleção de lentas", e que só tranzava uma ou duas vezes por mês! E que marcava "encontros" por telefone "se" a menina tivesse telefone porque valia o preço de uma casa! Hahahaha, tio como o senhor é engraçado... E ainda acha que eu vou acreditar numa estória boba dessas, hahahahahahaha.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Saber viver


         

 Ela chegou da rua exausta, trabalhou o dia inteiro na casa da dona Ester. Lavou, passou, secou, limpou, enquanto dona Ester fazia um chazinho com as amigas para passar com mais alegria as horas enormes que o dia lhe trazia.
 Ela passou pela varanda com o balde enquanto dona Ester e suas amigas pareciam não lhe enxergar, ela passou pela varanda com a vassoura, com o rodo, com a roupa suja, com o sabão em pó, com sua dignidade ferida pois em nenhuma das vezes ninguém nem olhou pra ela... Nem lhe ofereceram chá, afinal ela não deveria gostar pois seu paladar não era acostumado com essas coisas...
Seu dia era curto e ao contrario das horas de dona Ester, seus minutos corriam e seu relógio lhe lembrava a cada instante que seu marido e seu filho chegariam as seis horas do serviço,  e as sete e meia o menino teria que entrar na escola já jantado e com sua roupa passada e agora ela lembrava que a roupa dele ainda estava no varal! "Deus ajude que não chova..."
Ela passou mais umas vezes pelas animadas e cheias de chá amigas de dona Ester quando ouviu uma delas falar em como era chato a serviçal da casa ficar passando pra lá e pra cá bem na hora do chá! Ela engoliu a seco e num breve instante teve vontade de voltar e falar um monte de coisas para essa infeliz... Mas tudo bem, o que lhe interessava no momento era o dinheiro do final do dia.
- Olha aqui o seu dinheiro – falou dona Ester olhando pra ela – acho que não vou precisar mais dos seus serviços, eu não gostei das suas idas e vindas perto das minhas amigas...
- Mas o que a senhora queria que eu fizesse se a sua varanda fica no meio do caminho entre a casa e a lavanderia?
- Bom como eu disse eu não vou mais precisar dos seus serviços.
Ela foi embora cansada, humilhada e feliz... Passou no açougue comprou meio quilo de carne moída e um quilo de músculo, passou no mercadinho e comprou cebola, cenoura e batata, passou no bar do seu Zé e comprou uma Tubaína... Valeu a pena trabalhar hoje!
Ela chegou da rua exausta, trabalhou o dia inteiro na casa da dona Ester. Lavou, passou, secou, limpou e chegou em casa finalmente. Chegou na casa onde era tratada com carinho pelo marido, com amor pelo filho, com festa pelo cachorro e como gente pelas vizinhas. Ela fez um picadinho de cenoura com carne moída, fez um feijãozinho novo, um arroz branquinho e junto com sua família jantou alegremente. Depois ela e o marido conversaram sobre o dia, juntos arrumaram a casa e esperaram felizes o filho voltar da escola... A vida dela era assim, triste e revoltante em alguns momentos mas muito feliz no restante do dia, afinal ela se amava e não desistiria da felicidade nunca!