quarta-feira, 8 de julho de 2020

Quem matou Marielle Franco?







Quem matou Marielle Franco? Essa é uma pergunta que a esquerda do Brasil não cansa de fazer!
Mas antes de tentarmos elucidar esse caso, primeiro nós temos que saber quem era a Marielle:
Marielle Francisco da Silva, foi uma socióloga e política brasileira, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade. Ela elegeu-se vereadora do Rio de Janeiro e no período de sua morte, era uma pessoa muito influente entre as lideranças de esquerda do Rio de Janeiro.
Sua morte causou comoção; as vezes sinceras e em outras, exacerbadas. Seu nome virou grito de guerra entre o nicho político que representava, ganhando destaque nacional e internacional.
Inimigos políticos, principalmente do governo atual do Brasil, elegeram a “direita radical e fascista” como principais suspeitos do assassinato.
Bem... Colocados esses dados na mesa da investigação, nós notamos que várias pontas estão absurdamente soltas, e incoerentemente esquecidas, dando a entender que a justiça parece não querer saber quem são os mandatários que encomendaram a morte de Marielle aos policiais milicianos, que aliás, estão presos e sendo investigados pela justiça carioca.
Mas como eu não sou bobo nem nada, e tenho pelo menos dois neurônios funcionando, eu pensei sobre esse caso e cheguei em algumas conclusões que faço aqui agora para vocês em forma de colocações e perguntas.
1 – Marielle Franco era uma pessoa que estava cada vez mais ganhando visibilidade e credibilidade entre as pessoas que comungavam da mesma doutrina política que ela.
Então: A quem ela atrapalharia realmente se saísse candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro?
2 – As pessoas que seguem a ideologia de direita conservadora jamais votariam na Marielle, e as pessoas de ideologia esquerdista jamais votariam em pessoas tipo Bolsonaro e seus filhos.
Então: Será mesmo que a Marielle era adversária política para políticos de centro-direita?
3 – Políticos do PT, PSOL, PCdoB etc, que perderiam muito com uma candidatura da Marielle, que certamente tinha chances de retirar a vaga de algum de seus caciques, começaram a bradar um mantra emburrecedor: Quem matou Marielle! Elegendo culpados e se escondendo atrás da massa de manobra que adotou esse mantra por modinha ou por alienação, sem ao menos raciocinar.
Então: Não seria esse mantra: Quem matou Marielle! Uma fuga? Uma forma de desviar as atenções?
Amigos, me desculpem, mas eu acho que a justiça, se realmente quiser fazer justiça, tem que começar a olhar para aqueles que perderiam com uma candidatura da Marielle. Tem que investigar os que bradam em voz alta, e principalmente aqueles que tem foro privilegiado, ou fugiram do país, depois de se elegerem, muito, graças a ausência da Marielle na eleição.
Para contratar ex-policiais milicianos, ou pessoas do tipo do Adélio, basta dinheiro. Pessoas desse tipo não trabalham por ideologia política, eles são matadores de aluguel, e trabalham para quem paga mais.
O povo brasileiro tem que parar de se deixar engambelar por bandidos, e exigir que todos sejam investigados, principalmente aqueles a quem uma candidatura de Marielle Franco faria mal.
Pensem nisso, tirem suas conclusões e levem a ideia adiante!
Matar alguém que dividiria um pequeno nicho de eleitores fiéis é diferente de matar alguém que estava disparado nas pesquisas e carregado nos braços do povo.
Matar alguém que dividiria um pequeno nicho de eleitores fiéis, interessa a pouca gente. Investiguem esses poucos!



  

sábado, 6 de junho de 2020

Anjos









Zezé é um menino.
Um menino que não tem celular, não consta nos dados do Google, não tem conta no Facebook e que não sabe o que é watsapp.
Zezé é um menino que vive à margem da sociedade. Uma margem, ao contrário do que a maioria pensa, feita de multidões e multidões de rostos invisíveis.
Ele não entende nada sobre esquerda, direita, democracia, socialismo, nazismo e não sabe qual é o tipo de governo do Brasil. Ele não sabe quem é o presidente, quem é governador e muito menos o ministro da justiça. Na verdade, ele não sabe o que é um governador, nem o que faz um prefeito ou um vereador.  
Zezé não sabe nem de onde veio, imagina se iria ficar preocupado em decorar nomes, de pessoas tão distantes.
Nem em sua lembrança mais antiga ele reconhecia um rosto para chamar pai. 
De vez em quando, ao examinar essas lembranças antigas, ele via em alguns flashes uma mancha disforme, que sorria para ele. “Essa mancha deve ser a minha mãe.” – pensava, coçando a cabeça.
Ele, com vergonha, sempre acompanhado de uma risada nervosa, brinca dizendo para todo mundo que é filho de pai sem mãe e de mãe sem pai.
Zezé foi criado por uma irmã mais velha; Marcia, apenas três anos a mais que o irmão, um dia se viu abandonada não sabe por quem, de mãos dadas a um garoto, de não mais de três anos, andando com ela pelas ruas da cidade.
Juntos, eles cresceram comendo restos de comida encontrados em latas de lixo, dormindo em terrenos baldios, ou nos jardins das praças. Eles se cobriam com jornal e trapos velhos, e quando o frio apertava muito, eles cheiravam cola para sumir desse mundo um pouco.
Em um lindo dia de primavera, acharam o corpo de Marcia num matagal atrás do campo de futebol, comida pelos humanos e pelos vermes.
A polícia achou normal, afinal, tratava-se apenas uma menina de rua.
Ela foi enterrada como indigente, e com o caixão lacrado.
Zezé nunca ficou sabendo da passagem de sua irmã. Em sua cabeça, ele imaginava que ela tinha encontrado um homem bom, e que se esquecera dele, assim como seu pai e sua mãe um dia se esqueceram.
Andando sozinho em meio à multidão, Zezé reparou que de repente as pessoas estavam usando máscaras.
- Dona, - perguntou a uma mulher que saía de uma loja – por que todo mundo está usando esse negócio na cara?
- Você não tem máscara? – respondeu a mulher examinando-o de cima abaixo. – Não está com medo do covid?
            - Medo de quem?
            - Do corona moleque! Você não tem medo corona? Você tem que se cuidar!
            - Quem é esse corona?
            - O vírus chinês! Onde você estava nos últimos três meses, que não sabe disso!
            “Onde eu estava?” – pensou Zezé confuso.
Depois do sumiço de sua irmã, Zezé continuou sua vida. Uma vida difícil, porém, para ele, feliz! Afinal, ele já tinha quatorze anos e uma mulher: Carol.
Carol, tinha treze anos e os dois tinham um filho de quatro meses.
- Por que sô feliz? - perguntava Zezé para todos que diziam que ele andava sorrindo pela rua. – Sô feliz porque eu sô pai!  
Depois que o neném nasceu, a comida encontrada nas latas de lixo não estava dando para os três, por isso Zezé começou a fazer pequenos furtos para comprar marmitas.
Ele sabia que era errado roubar, pelo menos ele ouviu o padre falando isso em uma missa. Mas será que o padre sabia o que era passar fome?
De vez em quando eles mendigavam no calçadão ou na porta do mercadão. Carol, desnutrida, não tinha muito leite, mas Zezé ouviu um homem falando na banca de jornais, que frutas e legumes ajudavam a mulher a ter mais leite.
Zezé sabia que as pessoas jogavam muitas verduras boas no lixo do mercadão, por isso sempre passava ali em busca de alguma coisa que desse para comer e quando estava com sorte encontrava além das frutas e verduras, alguns pacotes de bolacha.
 Uma vez uma mulher que viu ele e Carol revirando o lixo e acharem um pacote de bolachas, disse para eles não comerem, porque a bolacha estava vencida e poderia fazer mal.
Zezé deu risada e virando-se para Carol falou:
- Faiz mal é a barriga da gente doê e a gente não tê nada pra comê.
- Liga não – respondeu Carol – essa mulhé deve sê lôca!
Na rua, vários moleques que viviam pela cidade, acabavam por formar uma família, que dormia, comia, cheirava cola e conversava junto. Uma vez, em uma noite de muito frio, eles fizeram uma fogueira dentro de um tambor na praça, e ficaram em volta jogando conversa fora.
- Hoje uma mulhé me falô que tem um chinês aí quereno matar todo mundo. – disse Zezé a seus amigos.
- É... – respondeu Carlim. – Eu também escutei essa conversa.
- Um homem lá na porta da padaria disse que eu tinha direito a ganhar seiscentos reais do governo. – falou Craudia.
- O quê? E cê acredita nessa besteira, Craudia! – falou Zezé se levantando e caminhando até mais perto do tambor. – Se o governo dar esses seiscentos reais pra você eu dou o rabo!
Enquanto os moleques davam risada da fala de Zezé, uma viatura encostou atrás da igreja, e dois policiais chegaram furtivamente até onde eles estavam.
 Zezé, Jão, Carlim, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e outros tantos moleques se assustaram quando os policiais gritaram:
- Polícia! Ninguém se mexe!
- Calma senhor! – falou um dos moleques.
- O que vocês estão fazendo aqui e sem máscara!
- Desculpa senhor! Mas a gente não tem masc...
- Cala a boca moleque! Todo mundo tem máscara!
- Mas a gente não tem nem comida! - falou Zezé. Como é que a gente vai tê máscara?
- Já falei para calarem a boca! – gritou o policial. – Vocês não sabem que está proibido aglomeração?
- Proibido o quê?
- Aglomeração, moleque! Não sabe não?
Os meninos se entreolharam sem saber o que estavam fazendo de errado, e não entendendo nada da conversa do policial.
- E esse neném? – gritou mais uma vez o policial. - Vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol agarrando-se ao bebê.
- Vai ele e você! – respondeu o policial retirando o bebê das mãos de Carol enquanto perguntava. - Quantos anos você tem menina?
            Carol sem responder a idade, se atracou com o policial, e os outros moleques vendo a reação da amiga, também entraram na briga. Foi uma confusão!
Os dois policiais foram cercados, e para se defenderem, sacaram suas armas apenas para tentar impressionar e manter o respeito dos moleques, mas de repente ao tentar impedir o ataque de um dos meninos, um policial puxou o gatilho por instinto e atirou à esmo.
            Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho caírem no chão.
Justamente quando Carol conseguiu retirar o bebê das mãos do policial, a arma foi disparada. O tiro atravessou os dois.
Os moleques foram para cima dos policiais e Zezé com uma paulada movida a muita raiva, acertou a nuca de um dos policiais, que caiu morto ao chão.
As pessoas chamaram mais policiais, chamaram a televisão, gravaram com seus celulares, postaram no Facebook, no Instagram, no Youtube e repassaram esses vídeos incansavelmente pelo Watsapp!
Os moleques ao final da confusão, foram presos e encaminhados para a delegacia mais próxima, para depois serem encaminhados para as instituições que cuidam de menores infratores.
Um jornal noticiou que a população havia reagido aos policiais porque estava revoltada contra governo federal, outro jornal disse que essa atitude era associada a segunda onda, agora de pobreza e dificuldades financeiras, que estava chegando após a pandemia.
Pessoas, todas donas da razão, brigaram em suas redes sociais dizendo que o presidente já havia dito que isso aconteceria, outros compartilhavam o vídeo da prisão dos moleques dizendo que eles eram de esquerda, de direita, armamentistas, revoltados, contra o governador, contra o prefeito, contra o presidente, e que principalmente, o mais grave de tudo! Eles estavam aglomerados e não estavam usando máscaras!
Hoje Zezé está preso. Deflorado, surrado, usado, pisado. Considerado um maldito por ter matado um policial.
Na detenção para menores infratores ele sonha com o dia em que vai sair, e que vai ver a luz do dia novamente.
Ele sonha em encontrar alguém que goste dele tanto quanto Carol gostava. Ele sonha em ter outro filho. Sonha também com sua irmã.
A saudade bateu em seu coração e ele deixando cair mais uma lágrima em seu rosto, deseja que Marcia esteja em um lugar feliz, com um homem bom ao seu lado.
Zezé sonha em um dia, ainda conhecer seu pai e sua mãe.
Ele pede, não sabendo bem para quem, proteger seus pais e seus amigos contra o tal chinês.
Seus hematomas doem, suas costas, suas costelas, sua cabeça... Tudo dói, mas, mesmo assim ele sonha.    
Afinal, ele é criança, e crianças sonham acordadas antes de dormir.
Sonhos de criança com as fantasias de criança.
Apesar de tantas feridas causadas pela sua pequena vida, a maldade ainda não impera em seu coração, suas revoltas são muito mais por instinto do que por maldade, pois mesmo com toda sua história, ele não deixa de ser apenas uma criança de quatorze anos.
Uma criança que sorri enquanto sonha. Que sonha com dias melhores.
E que quando consegue dormir, sonha com os Anjos!
         




terça-feira, 21 de abril de 2020

Economizar é fácil








Nesses tempos de pandemia a coisa não está fácil! Eu trabalho em uma loja de materiais para construção, e apesar de ser considerada uma necessidade essencial e estar funcionando desde o começo do “distanciamento social” até hoje, as vendas caíram muito, e é por isso que eu estou em fase de economia. Atualmente eu não estou gastando meu dinheirinho com bobeira, estou dando mais valor ao meu salário e por isso parece que o dinheiro está rendendo.
Como eu tenho que sair para trabalhar, combinei com minha esposa e minha mãe, que elas ficam em casa e só eu saio pra fazer tudo o que é preciso, e por isso, eu tenho ido muito ao mercado.
Sabe que indo ao mercado eu aprendi uma coisa bacana! A gente, quando está com dinheiro na mão, acaba sendo engambelado pelas propagandas e gasta muito, pagando mais pela "marca" do que pelo produto.
Alguns exemplos:
Maizena x amido de milho:
A Maizena na verdade é um amido de milho, sem nada a mais de um produto para o outro, e a diferença de preço entre eles pode chegar até a 5 reais.
Azeites conhecidos tipo Andorinha, Gallo, etc x azeites desconhecidos:
Se a gente ver a origem e ver que ele foi envasado nesse país de origem, que pode ser Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Argentina ou Chile, e confirmar que a acidez se enquadra na categoria extra virgem, podemos comprar sem medo, e a diferença de preço pode chegar a 6 ou 7 reais.
Macarrão grano duro importado x macarrão grano duro nacional:
Aqui eu confesso que foi difícil pra mim que sou macarãozeiro, e que adoro um macarrão de origem italiana, mas mesmo assim eu comprei pra fazer um teste e me surpreendi, pois a qualidade do macarrão é idêntica, e a diferença de preço pode chegar a 10 reais.
Outra mentira, as vezes, são as tais embalagens econômicas, que de econômicas não tem nada, eu andei fazendo as contas e muitas vezes a gente confia que está pagando menos, mas está pagando bem mais.
Divida o preço da embalagem econômica pelo peso, e multiplique pelo peso da outra embalagem, e veja o quanto a gente é besta!
Esses são alguns exemplos, por isso, dá para economizar muito na hora da compra. Basta a gente não ter preguiça, não ser levado pelo lado emocional e prestar atenção.
Pense nisso.





domingo, 22 de março de 2020

Melhor ficar calado!







Nesses dias de quarentena, onde o watsapp está funcionando como nunca, eu recebi um vídeo se um senhor chamado Alexandre Terra, dono da rede Giraffas..
Ele até começa bem, falando sobre a crise que o país está passando por conta do coronavírus, e da crise econômica que vem após a pandemia passar.
Ele falou sobre os empresários, os boletos que os empresários terão que pagar, os fornecedores, as folhas de pagamento etc.
Tudo ia bem, até que ele disse: - E você, funcionário, que está aí em casa, curtindo, numa boa... (Nesse ponto o vídeo foi cortado.)
Olha a cabeça desse cidadão! Dá pra ver que o funcionário pra ele não passa de um número!
Claramente se vê que o que importa para uma pessoa dessa é talvez ter que fechar algumas de suas lojas, ele não está preocupado se o funcionário também tem boletos, se o funcionário tem casa própria e corre até risco de despejo, se o funcionário tem plano de saúde, se tem condições de passar ileso por essa crise.
O cara acha que o funcionário está em casa, curtindo, numa boa!
Percebe-se que esse cidadão não enxerga que sua fortuna existe sim pelo trabalho dele, mas que grande parte se deve ao trabalho de funcionários espalhados por suas lojas, que por sinal serve uma comida terrível de ruim, e esses funcionários ainda conseguem vender essa porcaria e juntar riqueza para o patrão, que agora, no primeiro momento de aflição, vem à público e grava uma sacanagem dessas.
E o infeliz ou outro igual a ele, tentando esconder a parte ofensiva aos funcionários, cortou o vídeo, mas por falta de capacidade, ainda deixou escapar essa frase.
Gente assim, pensando dessa forma, não é boa para o país, um cara desses acha que nós funcionários existimos apenas para extorquir os patrões.
Certamente muita gente desse tipo, viajou para o exterior, de férias, e trouxe esse vírus para o Brasil.
Não generalizando, porque quando digo: muita gente desse tipo, não quer dizer que todos que viajam são como ele.
Tem gente boa e que pensa diferente dele que também vai ao exterior e que trouxe o vírus pra cá, mas invariavelmente funcionário assalariado não consegue sair do país pra passear. Na verdade, é muito difícil tirar férias e ficar na própria cidade, acho que uns 80% dos brasileiros quando tiram férias ficam em casa e ainda fazem bicos em outros serviços. Pobre não vai passear na Europa, nos Estados Unidos e nem vai negociar na China, a não ser na base de muita economia e que isso seja um sonho de vida. Uma realização!
É triste ver a fala de uma pessoa dessas!
Já não comia essa comida ruim que vende nas lojas dele, agora, mesmo com dó dos funcionários, não vou gastar meu dinheiro colaborando com um egocêntrico desses.




domingo, 1 de dezembro de 2019

Xadrez






- Bom Dia!
- Hã? B… bom dia!
- O senhor poderia responder uma rápida pesquisa que estou fazendo?
- Que pesquisa?
- A diferença de oportunidades na sociedade brasileira em relação à raça e classe social.
- Nossa! Que bacana! Posso sim.
- Qual a sua cor?
- Como?
-Sua cor? Negro, branco, amarelo, pardo?
- Uai? A senhora não está me vendo aqui?
- Eu estou vendo, mas o senhor tem que declarar a sua cor.
- Hummm, então eu acho que sou pardo.
- Por quê?
- Porque sou moreno, bem moreno.
- Seu pai era negro?
- Não… na verdade meus avós paternos vieram já casados lá de Portugal, minha avó materna era italiana e meu avó materno era bem pardo, mais escuro do que eu, mas não era negro.
- Hummmm, então vou marcar aqui que você é pardo.
- Isso a gente pode ver só de olhar pra mim.
- Eu sei, mas a gente tem que chegar nessa conclusão depois de investigar direito, a nossa metodologia é científica.
- Ah tá… legal!
- Qual seu grau de escolaridade?
- Estou na faculdade.
- Certo, então vou marcar aqui branco.
- Branco? Mas eu não sou pardo?
- É pardo, mas com esse grau de escolaridade é branco.
- Como assim?
- Nossa pesquisa é científica, baseada na escola Juliana francesa e na escola de Frankfurt da Alemanha.
- Ah… Desculpa! Então deve ser coisa séria.
- Lógico que é séria. Posso continuar?
- Pode, uai.
- O senhor tem casa própria?
- Não, moro de aluguel.
- Então é negro.
- Negro? M… mas dona? Eu não era pardo e depois branco?
- Mas nesse quesito o senhor é negro!
- Aiaiaiaiai… vai, continua…
- Que tipo de música o senhor gosta?
- Rock, eu sou roqueiro.
- Ah… Branco…
- Branco?
- Isso, porque quem gosta de rock é branco! Negro gosta de pagode e axé…
- Dona, de onde é esse seu método científico mesmo?
- Escola Juliana francesa e de Frankfurt na Alemanha.
- E essa sua pesquisa é pra quem?
- Para um jornal e uma TV, que agora não posso revelar.
- Hummmm.
- Continuando: Que tipo de comida é a sua preferida?
- Feijoada.
- Negro.
- M… mas…
- Com que regularidade o senhor come feijoada?
- Umas duas ou três vezes no ano.
- E que tipo de comida o senhor mais come na sua casa?
- Arroz, feijão, carne, legumes, macarrão.
- Branco.
- Branco?
- É… Comida balanceada é de branco, mas vou colocar uma observação de subnutrição negra.
- Subnutrição negra!?
- É.
- Mas por quê?
- Porque o senhor come feijoada só duas ou três vezes no ano.
- Mas subnutrição? Olha o tamanho da minha barriga!
- Isso não importa na nossa metodologia científica.
- O senhor disse que gosta de rock.
- Disse e por isso a senhora me disse que sou branco.
- Certo! Aí, já está entendendo. Mas me diga, com qual frequência o senhor vai aos grandes shows de rock, tipo Lollapalooza, Rock in Rio etc?
- Nunca fui.
- Negro.
- Uai, mas quem gosta de rock na sua metodologia não é branco?
- É… mas quem não tem direito à cultura é negro.
- Olha dona, essa sua pesquisa é furada! Me desculpe, mas segundo a senhora eu sou pardo, branco e negro, dependendo da ocasião e isso não está certo!
- É a metodologia…
- Metodologia furada e ridícula! Eu não vou mais responder isso não!
- Branco!
- Hã?
- Pessoas avessas a pesquisas sociais são brancas...