sábado, 14 de novembro de 2015

Chefe de familia




- Senhor! - falou o menino interpelando um homem que passava pela praça. - O senhor num compra umas bala que eu tô vendeno?
- Balas? - respondeu o homem olhando pra'quele menino de roupas muito sujas e chinelos pequenos para seu pé. - Quanto é?
- Treis real senhor. Eu tô vendeno pra ajudá minha mãe e meus irmão pequeno.
- Quantos anos você tem?
- Onze ano senhor.
- E onde está a sua mãe? - Perguntou o homem encabulado com uma criança daquelas tendo que ficar por aí trabalhando em vez de estar numa escola estudando.
- Minha mãe tá no farol ali da frente vendeno bala também.
- E seu pai?
- Não conheço ele, senhor, nem minha mãe conhece.
- E seus irmãos, onde está o pai deles?
- Não conheço, senhor.
- Hummmm - falou o homem coçando a barba e franzindo a testa - tudo bem, eu não costumo fazer essas coisas mas vou te ajudar, me dá aí dez reais de balas.
O menino sorriu e deu ao homem um punhado de balas. O homem foi embora enquanto o menino ficou olhando até que ele virasse o quarteirão. Então o menino deu a volta na praça e chegou até um banco do outro lado onde um homem estava sentado tremendo feito uma vara verde enrolado nuns trapos velhos. O menino chegou e deu a nota de dez reais pro homem que falou:
- Vai lá e compra esse dinheiro de pedra. Vai depressa, que eu não tô aguentano mais!
O menino foi até o banheiro da praça, onde outro homem estava sentado num banquinho. Ele chegou, deu a nota de dez reais ao homem, que lhe deu uma porção pequena de crack. O menino pegou o crack e levou até seu pai.
Metade do serviço do dia estava completo, agora, faltava ele comprar mais uma porção de crack pra sua mãe, e um litro de leite, pra ele e seus quatro irmãos.





16 comentários:

  1. Oi André,
    Onde estão os Direitos da Criança e dos Adolescentes? Todo mundo "borra" quando vê uma situação dessa e nada acontece. Esse é o país em que vivemos e olha lá se não morrermos por uma bala perdida, e nada acontece.
    Perdi o sono!!
    Beijos no coração
    Lua Singular

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    1. Obrigado por vir e pelo cometário Lua! Realmente a situação é de perder o sono...

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  2. Uma realidade mais frequente do que se pensa. E ninguém faz nada. Mas se um pai, ou uma mãe, por qualquer coisa, perde as estribeiras e dá um tabefe num filho na rua, aqui d'el rei, que maltrata a criança, e são bem capazes de chamar a polícia. Pelo menos aqui é assim.
    Um texto muito triste amigo André. Tanto mais triste, quanto sabemos que há milhares de crianças por esse mundo de Cristo, passando por isso.
    Obrigada pelo comentário no Sexta.Você é muito gentil.
    Um abraço extensivo à família. Tudo de bom para vós.

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    1. O comentário em seu blog foi verdadeiro Elvirinha!

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  3. Bom dia amigo André, texto que mostra a triste realidade de muitos, principalmente em cidades grandes!
    Abraços e tenhas um bom domingo!

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  4. Um texto triste - mais ainda porque faz parte da realidade actual.
    Pais desgraçados, filhos sofredores candidatos a quê?
    Pobreza sempre existiu,lembro os anos 50 - mas crianças a pedir para satisfazer vícios, não recordo.
    Como diz o Poeta "O mundo não é mau não é ruim, agente é que faz o mundo assim..."
    Bom Domingo, com um abraço de Portugal.
    Dilita

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    1. Obrigado Dilita! Portugal é um país que ainda vou conhecer!!!

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  5. Que quadro tão deplorável...porém e o mais grave existe por aí.
    Abraço amigo.
    Irene Alves

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  6. Cruel realidade dos tempos de hoje. Cracolândias espalhadas por todo o país, à luz do dia, parecendo zumbis. O fim da raça humana. E ninguém está nem aí.

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  7. Pior que costuma ser a dura realidade.
    Às vezes, nego dinheiro a pedintes, principalmente crianças, com receio de estar alimentando vícios. Prefiro comprar algum alimento, pães ou biscoitos.
    Nem o governo ou entidades assistenciais conseguem salvar os viciados, pois isto dependeria principalmente da vontade deles. O mais triste é ver crianças sendo utilizadas como instrumentos para arrecadarem dinheiro para alimentar o vício de quem deveria estar cuidando delas. Um quadro desolador.

    Abraço, André.

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    1. Desolador mesmo. Triste mas real.

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  8. Uma excelente história, apesar das tragédias bem reais que ela revela.
    Em poucas palavras disse muito. Parabéns pelo texto, gostei imenso.
    Continuação de boa semana, caro amigo André.
    Um abraço.

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  9. isto é mau demais...fiquei com um nó na garganta, pois, acho que é baseado em factos reais.
    gostei da maneira como escreveu.
    um abraço
    bom domingo
    :)

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