quarta-feira, 26 de março de 2025
Procura-se o perdão! Reflexão sobre pais e filhos.
sábado, 22 de março de 2025
Cabo de guerra
A nossa sociedade está vivendo um momento tenso. Poucas pessoas extremadas, mas que fazem muito barulho, jogando um cabo de guerra e puxando para lados opostos, enquanto a maioria é levada para cá e para lá, sem saber que está sendo manobrada.
Esses dias eu assisti um podcast onde o Roger Moreira, cantor, compositor e fundador da banda Ultraje a Rigor foi entrevistado e praticamente concordei com tudo o que ele disse.
A ideia que nós dois temos de mundo é uma visão mais conservadora e mesmo assim, moderada em vários aspectos.
Eu olho para algumas pessoas que idolatram o Bolsonaro e percebo que, assim como os que idolatram o Lula, são pessoas iludidas ou carentes, que veem os políticos como se fossem um time de futebol para torcer, e não como um representante do povo, que deve explicações ao povo, que têm seus salários muito bem pagos e que tem obrigações a cumprir.
Outro dia assisti a outro podcast, dessa vez uma entrevista do Edgard Scandurra, que é um dos melhores guitarristas do Brasil na minha opinião. Grande compositor de muitas músicas que marcam a minha vida inteira. Pessoa que gosto muito e que assisti ao vivo a nove shows da sua banda, Ira! aqui na minha cidade e em toda a região; mas que quando fala de politica e ideologia fica difícil de escutar.
Eu fico chateado quando vejo um ídolo que poderia ser um livre pensador, falando com tanta ideologia instalada em suas ideias, que não o deixam olhar além de sua bolha, mas o que me consola é que eu acho que não é culpa dele. Parece que a narrativa da esquerda é implantada como um mantra na cabeça desses caras e a ordem é ficar batendo numa tecla só!
Racismo, feminismo, meio ambiente, LGBTQIA+, vitima da sociedade e do capitalismo e pronto! Acabou o assunto.
Ops! Quer dizer, acabou, não! Porque eles falam, falam, falam e falam esses mesmos assuntos sem parar!
Olha que eu não estou dizendo que essas pautas não sejam importantes. O que estou dizendo é que ficar batendo insistentemente nessas teclas, sem trazer uma solução e ficar focado na ideia de nós contra eles, só vai gerar atrito e raiva em uma população, que como falei acima, é manobrada para cá e para lá.
Os direitistas radicais também vivem repetindo palavras de ordem, preocupados com ataques comunistas e outras tantas coisas que não estão acontecendo na verdade. Pode até ser que com algum tempo e com a ideologização da sociedade, isso venha a acontecer, mas por enquanto não estamos nem perto.
Mas o povo não quer mais saber dessas divagações!
O povo quer trabalhar, quer menos impostos, quer empreender, quer estudar os filhos, quer menos criminalidade, quer segurança, quer atendimento médico, quer comida na mesa. O povo quer saúde! Quer escola de qualidade. O povo quer ter condições de tirar férias com a família! O povo quer ter uma família! A maioria das mulheres querem ser mães e ter um marido e a maioria dos homens querem ser pais e ter uma esposa.
Estão fazendo das minorias uma pseudo-maioria, porque é voz que mais grita! E como grita!
E mesmo que você se enquadre na visão da esquerda, em um desses nichos menores e não compactue com a ideia deles, você também é excluído e aloprado por eles.
Eu estou selecionando meus interlocutores. Pessoas que gosto e por quem nutro carinho e amizade, mas que se tornaram chatos extremistas, batedores de uma tecla só, infelizmente estão riscados da minha agenda.
Não sou melhor que ninguém, mas não consigo mais participar de fogo cruzado.
No campo das artes eu consigo separar a obra do CPF. Ainda bem, né?
Eu acho que nós devemos fazer um exame em nossa consciência! Vamos acordar para a vida e encarar os problemas que realmente afetam a grande maioria da população.
Briguinhas e polarização não vão levar a lugar algum... Nunca levaram.
segunda-feira, 17 de março de 2025
Seja platéia
Outro dia eu estava conversando com uma pessoa que entendia de tudo: política, história, matemática, religião, filosofia, futebol, automobilismo, mecânica, viagens espaciais, química, biologia, agronegócio, zootecnia, advocacia, veterinária, gastronomia, crime organizado, cinema, física quântica, engenharia molecular, arqueologia, cutelaria, churrasco, vinho, artes plásticas, música e gestão de pessoas.
Ele não deixava a gente falar e cortava todos a todo instante, colocando sua explicação para todos os problemas da vida.
Nós que estávamos conversando trocamos olhares que diziam: "Meu Deus, que cara chato do cacete!" Mas o sabichão, no alto de sua majestade, nem percebeu que estava sendo inconveniente.
Era como se ele vivesse em uma bolha onde fosse o único ser com direito a pensar e transmitir seus pensamentos e sentimentos.
Outro dia, eu conversei com outro amigo que gosta de viajar. E o assunto perto dele acaba sendo direcionado para suas viagens. Ele sabe tudo sobre os lugares que visitou. Tipo: se ele for em uma viagem de um final de semana na Argentina, na volta ele sabe fazer um relatório de todo o povo argentino! Suas crenças, pensamentos políticos, seus costumes, o que comem, o que gostariam de comer, como é o dia a dia, como funcionam suas leis, o que pensam os patrões, os empregados, os estudantes, os velhos, as mulheres e até o que pensam os pombos que dormem na praça central de Buenos Aires.
Ele já falou isso sobre os Estados Unidos, Chile, Canadá, Turquia, Itália, Peru, Nova Zelândia, Austrália, Amazonas, Sergipe, Serra Gaúcha, Florianópolis e Inglaterra... Deve faltar mais algum país ou estado, mas não me lembro agora.
Será que essas pessoas são mais dotadas de inteligência que a gente? Ou são mais dotadas de egocentrismo? Eu, que gosto de ver até onde a vaidade dessas pessoas vai, acabo inflando o ego delas, fingindo que estou acreditando, concordando e interessado nas balelas que elas dizem. E às vezes estou mesmo. Não porque concorde, mas porque gosto de conversar e ver até onde as coisas vão.
Meus amigos "mais normaizinhos" me chamam de cínico, mas não é verdade! Eu acabo me divertindo com esse tipo de gente boca-aberta, que se acha a última bolacha do pacote. Gosto de ver que eles realmente acreditam no que dizem.
Seria engraçado, se não fosse trágico, perceber que essas pessoas, apesar de se acharem tão importantes, na verdade são carentes. São amargas e necessitam de aceitação.
Ao longo da vida, eu percebi que muitas pessoas que se comportam assim podem até parecer descoladas, antenadas e alegres, mas, no fundo, são sérios candidatos a ter depressão e a cometer suicídio.
Muitas dessas pessoas imaginam que estão em um palco e que a plateia está ali para aplaudi-las.
Eu já vi isso até em pastores. O cidadão se acha mais importante que Jesus Cristo, e alguns fiéis também idolatram o cara, como se o motivo da reunião fosse ele, e não um culto a Deus.
A queda pode ser dura!
Logicamente, todos nós temos uma área da vida, um hobby ou um assunto que realmente conhecemos de verdade e sobre o qual podemos conversar e até ensinar. Mas nunca sabemos de tudo sobre nada! Não sabemos tudo nem sobre nós mesmos.
Mesmo os doutorados e PhDs não sabem tudo sobre suas especialidades.
Eu acho que, quando nos deparamos com pessoas como as que citei acima, não devemos isolá-las por completo. Devemos entender que elas são carentes. Entender que, apesar de serem "um pé no saco", elas precisam do palco e de espectadores.
Nem que seja para depois virmos ao blog e escrever um texto desses falando mal, mas a gente tem que aprender a conviver com eles.
Pense nisso.
segunda-feira, 10 de março de 2025
Torto Arado
Torto Arado é o maior sucesso literário nacional dos últimos tempos. Ganhou o prêmio Jabuti e vendeu mais de 800 mil exemplares.
A história é simples e não se complica na hora de passar sua mensagem.
Talvez o diferencial que o fez ser considerado um bom livro, seja a estrutura sem diálogos e os parágrafos enormes, narrados por 3 pessoas diferentes. Bibiana e Belonisia; meninas que cresceram durante a história e que contam em primeira pessoas as suas memórias; e santa Rita Pescadora, uma entidade que vive pelas redondezas da cidade, vendo, ouvindo e participando dos acontecimentos, desde tempos antigos onde era influente nos terreiros, até os dias de hoje, onde está um pouco esquecida.
O livro tem um tom místico e aborda muito uma vertente do candomblé chamada Jarê, que tem muita importância para a vida dos personagens e os acontecimentos ao longo da história.
A narrativa é totalmente focada nas mulheres. Todos os personagens principais são mulheres. Todos os acontecimentos são revelados sob o olhar das mulheres. As mulheres da trama são destemidas, fortes, determinadas, inteligentes, resilientes e sabem lidar com os problemas, resolvendo-os muitas vezes de forma violenta, mas com um pano de fundo que as faz ter razão em seus atos.
Os homens do livro servem para fazer a parte má, ou são coadjuvantes sem tanta importância, a não ser o pai das narradoras, que é o líder religioso do Jarê, mas que quando incorpora sua entidade, ela também é mulher e veste roupas de mulher.
A gente entende porque esse livro chegou tão longe, se formos analisar o viés feminista que está tão em moda no momento. Isso o torna nos dias atuais, uma obra "politicamente correta." Pena que alguns autores e a própria editora Todavia, foram desmascarados, mostrando que tudo não passava de fachada. Muitos deles escreviam textos e narrativas feministas e progressistas, mas intra-muros, não passavam de picaretas, machistas e enganadores. O que prova, que mal-caratismo existe tanto na direita, quanto na esquerda.
Agora, falando tecnicamente, eu achei um absurdo esse livro ter ganhado o prêmio Jabuti. Absurdo de proporções estratosféricas.
Os personagens são pessimamente desenvolvidos. As meninas que narram a história são quilombolas, vivem em condições precárias, vivem com pessoas sem instrução e sem estudo, mas elas narram de forma culta, usando palavras de um vocabulário que elas não tem. Falam de coisas que elas não conhecem e até de acontecimentos que elas não participaram. Isso é um furo enorme. Você olha para a situação narrada e a forma como elas narraram e não vê um personagem verdadeiro. Na verdade, o que a gente vê é a narração do autor, palavras do autor e não palavras da personagem. Eu particularmente achei que o autor desrespeitou a origem das personagens, o que, em uma análise mais delicada, pode deixar a impressão de que o próprio autor não dá o devido valor às pessoas daquela realidade, pobre e inculta.
O livro é dividido em três partes, cada narradora, conta uma das partes da história sob a sua ótica, mas todas elas usam a mesma linguagem, e se elas não avisassem a nós leitores, que elas é que iriam contar a história à partir daquele ponto, a gente nem saberia que mudou. Todas são idênticas, inclusive a entidade santa Rita Pescadora.
Como história, como contexto e como denúncia, o livro é correto. A narrativa das condições precárias, que os empregados, negros, quilombolas, mulheres e meeiros passavam nos anos 1970, até meados dos anos 80, é importante. Como obra literária e desenvolvimento de personagens, o livro é ruim.
Na média, a nota para Torto Arado é 6, mas como viés feminista e ideológico ele entrega o que se propõe com louvor.
Um livro para ficar para história, e servir de exemplo de uma época onde o viés político valeu mais do que a técnia lierária, em um prêmio tão decantado, como é o prêmio Jabuti.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Mais um bate papo
Eu estou numa ressaca escrevística, por isso vou agora apenas fazer um bate papo bloguístico com vocês, amigos do blogue.
O word fala que escrevística e
bloguístico não existem, mas ele não sacou ainda que quem manda sou eu.
Esses dias eu li o original de uma
escritora. Eu faço esse serviço de ler originais e orientar o escritor sobre as
incoerências, inconstâncias, falta de ritmo, falhas de continuidade, erros
graves de ortografia. Erros cometidos pelo narrador (tem muito isso), e erros
no tempo em que os acontecimentos se passam.
Acontece que essa escritora ainda
estava um pouco crua. Ela errava coisas muito básicas.
A história dela era muito interessante, mas as coisas aconteciam aos montes, sem muita explicação, sem pé nem cabeça.
O word quer que em vez de “sem pé nem cabeça”, eu escreva: “sem fundamento.” Ele é chato pra caramba!
Bom voltando ao que estávamos conversando antes de sermos interrompidos; eu aconselhei a moça a ler alguns clássicos, a ler alguns bons e bem escritos livros policiais, que é o estilo dela, a ler alguns livros voltados exclusivamente para escritores e a aconselhei a ir com calma nos acontecimentos da história dela.
Mostrei pra ela como os personagens apareciam do nada, e até como uma personagem principal, não tinha passado, presente e apenas existia.
Ela não gostou e me apresentou toda uma história daquela personagem, e eu gostei muito, mas tinha um problema: tudo estava apenas na cabeça dela.
Quando eu disse: — Muito bom! Parabéns! Mas reparou que é só você que sabe disso tudo, e o seu leitor não?
Putz! Isso caiu como uma bomba pra ela, que não tinha percebido até então que o livro era apenas um rascunho da grande ideia, cheia de pormenores, que ela tinha na cabeça.
Ela parou de escrever o livro por enquanto, e disse que era para pensar melhor.
Ficou chateada consigo mesma, (e talvez comigo, apesar de jurar de pé junto que não), mas resolveu parar o livro.
Isso é muito mais comum do que a gente imagina. As pessoas têm ideias maravilhosas, mas não colocam tudo no papel. Por isso, vemos hoje alguns livros que seriam maravilhosos com 50 ou 100 páginas a mais.
Uma outra escritora, que escreve histórias da época dos barões do café, entendeu o que eu estava dizendo e ajustou o seu livro, que também estava corrido e fora de ritmo, no final o livro ficou muito bom.
Eu entendo que talvez bata uma preguicinha na hora de escrever, e o autor fica sem coragem de colocar tudo que está em sua cabeça, tintim por tintim, no seu livro. Mas essa preguiça estraga o produto final.
Por isso que eu sempre digo: Vamos ler os clássicos, vamos ler livros bons do gênero que escrevemos, vamos estudar gramática!
Escrever não é fácil!
Até escrever um blogue não é fácil.
Esse livro que coloquei a capa acima, é sensacional para quem quer se aventurar nessa maluquice, que é, escrever.