quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ao vencedor? Nada...




Ultimamente eu ando um pouco sem paciência com as coisas.      
No facebook eu vejo pessoas brigando por causas irrelevantes, e percebo que essas pessoas estão vazias.
Parece que ganhar essa batalha facebuquial, seria o mesmo que encontrar um bilhete premiado de alguma loteria que lhes desse um pouco de sentido para uma vida triste e sem sentido de ser.
As pessoas estão cada vez mais impondo as suas opiniões, e certezas. Parece que ninguém no mundo pode pensar diferente delas e que, opinar e aparecer, é mais importante que viver bem e feliz em comunidade e cultivando amizade.
As pessoas estão se tornando intolerantes e acreditam que o mundo inteiro virou um grande bulling, e que todos só nasceram para ter a função de sacaneá-las! Antigamente o nome disso era esquizofrenia, mas hoje, a gente tem que aguentar esses doentes mimados, senão pode ser acusado de algum crime.
 O individualismo está massacrando as amizades, porque cada vez mais as pessoas estão solitárias e trancadas em si mesmas.
É triste, porém também enche o saco. Muita gente cheio de mimimi, cheio de não me toque, com o rei na barriga.
Eu até confesso que sempre fiz as minhas chatices, e participei de briguinhas que não levaram a lugar nenhum, mas nunca me chateei e nem perdi amizade com ninguém por causa disso. Uma vez eu escutei a frase: “Briguem as ideias, jamais, os homens.” Eu achei essa frase bonita demais, e por isso, nunca briguei pessoalmente com ninguém por questões ideológicas.
Por isso, hoje, mais maduro, eu resolvi não alimentar brigas ideológicas, políticas e nem religiosas com ninguém. Não que eu não vá dar a minha opinião, e nem dizer o que eu penso sobre o assunto, mas quando eu perceber que a pessoa não quer interagir, e sim, ganhar em uma briguinha de ideias, ela vai ter que brigar sozinha, porque eu tô fora disso.
Pois, como disse algum filósofo, que não me lembro o nome: “É melhor ser feliz do que estar certo.”





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alguns desenhos



Eu gosto muito de escrever, mas também gosto de desenhar.
A correria da vida não deixa com que eu me dedique a essas duas paixões como eu gostaria, mas, de vez em quando eu consigo fazer alguma coisa.
Aqui pra vocês, um pouquinho da minha arte, arteira.
Meio tosca, mais ou menos bem feita, mas é de coração!

















terça-feira, 31 de outubro de 2017

Poção magica






Colocou três pitadas de asa de morcego, um colherinha de patas de barata, três dentes de alho e meio litro de mel de abelha jataí. Mexeu tudo com uma colher de pau feita com o tronco da árvore mais torta do bosque. Ela acreditava nessas coisas e achava que isso iria mudar a sua vida.
Cuidadosamente, juntou mais sete minhocas vermelhas e sete minhocas brancas, uma pata de coelho e vinte e dois cogumelos bravos que dão em madeira podre de beira de brejo.
Ela sabia da antiga lenda que dizia que essa poção era tiro e queda. Uma poção antiga que vinha passando de geração em geração, desde a criação da sociedade das bruxas obscuras de Cabrobó; e agora, essa poção prometia acabar com todos os seus problemas.
Ela não sofreria mais por amor, não teria mais TPM, ninguém mais fofocaria sobre ela, nunca mais ela teria impulsividade por fazer compras no shopping, essa poção seria magia pura em sua vida.
Seguindo a receita bruxesca, ela juntou dois rins de tartaruga, quatro olhos de cachorro poodle, um testículo de gato persa, mexeu mais uma vez acrescentando aos poucos trinta e oito gotas de limão siciliano. Na receita lia-se: “Importante, a cada gota de limão que cair no caldeirão, a pessoa que estiver fazendo a poção mágica, deve recitar as nove palavras libertadoras e dar uma volta completa no caldeirão.”
 Ela fazia isso com muito prazer, porque a lenda afirmava que todas as mulheres que recorreram a essa poção nunca mais choraram por desilusão, nunca mais tiveram problemas com roupas que não lhe cabiam, nunca mais tiveram estrias, nunca mais tiveram celulite, nunca mais tiveram pensamentos suicidas quando viram aquela amiga que ela detesta usando um vestido igual ao que ela comprou naquela loja caríssima, nunca mais foi incompreendida pelo seu marido, noivo ou namorado!
Como toque final ela colocou três pétalas de rosa vermelha, duas pétalas de rosa branca, um talo de couve manteiga e trezentas gramas de estrume de uma vaca malhada.
- Pronto! – pensou e voz alta. - Agora todos os meus problemas, vão magicamente acabar.
Com um sorriso nos lábios ela colocou duas conchas cheias da poção em uma caneca e recitando pela última vez as palavras libertadoras, tomou sete goles da poção dando o intervalo de sete segundos entre elas.
Realmente todos os problemas dela foram resolvidos, a poção era mesmo mágica, as bruxas obscuras de Cabrobó sabiam fazer feitiços, e por isso ela nunca mais se queixou de nada na vida, porque a poção mágica a transformou numa linda, alegre, esbelta e delicada ameba.





segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Marqueteiro






Os marqueteiros políticos estão se especializando mais e mais em criar personagens bonzinhos, para enganar o povo burrinho, e a gente se especializando mais e mais em votar errado pra poder ficar quatro anos reclamando no Facebook.





terça-feira, 10 de outubro de 2017

Mariana viajou, e Graziela se casou




                              

Rodolfo namorou com Graziela desde a adolescência. Com o passar do tempo, Rodolfo que sempre fora um doce de pessoa, se transformou em um rapaz ciumento e obsessivo, que não suportava a inteligência e a beleza de Graziela, que era uma menina que chamava atenção por onde passasse. Ele se julgava menor perto dela e apesar de amá-la perdidamente, sentia-se confuso e acuado perto dela.
Luiz e Mariana namoravam a oito anos. No quarto ano de namoro eles decidiram morar juntos, a vida era perfeita, eles realmente se amavam, eles realmente se respeitavam e viviam bem.
Chegou um dia que a Graziela não aguentou mais as crises de ciúme de Rodolfo, e decidiu terminar o relacionamento. Rodolfo não aceitou e chegou até a bater em Graziela. Foi uma briga enorme, que mobilizou os vizinhos e até a polícia. Rodolfo acabou preso naquela noite, e depois de dormir na cadeia, logo cedo, pagou a fiança e foi liberado.
Mariana era bióloga e recebeu uma oferta de emprego irrecusável no Canadá, pois além de independência financeira, ainda poderia fazer o que mais gostava na vida, só que Luiz era promotor, e tinha uma carreira brilhante pela frente.
Graziela começou a namorar com Ricardo seis meses depois da separação com Rodolfo, dois anos se passaram, mas quando Rodolfo soube que sua ex-namorada iria se casar, passou a ameaçar os dois. Ligava pra ela todos os dias, mandava cartas, e-mails e mensagens através do Facebook, dizendo que não aceitava esse casamento. Rodolfo fazia da vida de Graziela um verdadeiro inferno.
 Mariana e Luiz estavam num beco sem saída, ela tinha a maior proposta que um biólogo poderia ter, e ele tinha uma vida pela frente num ramo em que havia lutado muito para conseguir. Essa situação começou a martelar na cabeça deles, até que no calor de uma discussão, Luiz pediu para Mariana ir pro Canadá sem ele.
Rodolfo resolveu que não iria abrir mão de Graziela e não a deixaria se casar com Ricardo, o casamento estava marcado pro próximo sábado as 20 horas.
Sábado, as 20 horas, sairia o vôo que levaria Mariana ao Canadá. Numa última conversa, ela deixou claro para Luiz que se ele aceitasse, ela abandonaria o convite de emprego e ficaria no Brasil, mas Luiz não achou justo atrapalhar o sonho de Mariana, mesmo amando-a como a amava. 
Rodolfo foi até uma favela e comprou um revólver.
Mariana se despediu de Luiz e foi de taxi para o aeroporto.
Graziela estava se preparando para ir pra igreja.
Rodolfo bebeu a tarde inteira pra tomar coragem de executar sua vontade.
Quinze para as oito, Luiz se arrependeu, correu até a garagem e saiu em disparada com seu carro para tentar impedir Mariana de viajar.
Quinze para as oito, Rodolfo tomou coragem, pegou a arma, carregou-a, e partiu com seu carro pra matar Graziela e Ricardo na porta da igreja.
Luiz estava a 120 por hora na marginal, ultrapassando todos os carros, desviando dos motoqueiros e dos caminhões, enquanto Rodolfo vinha em sentido contrario, ziguezagueando e correndo o máximo que seu carro podia dar, os dois, cada um movido por um tipo de sentimento, vinham fazendo loucuras no trânsito, correndo riscos, e pondo todas as vidas que passassem por eles em risco também.
Foi então que num cruzamento dois carros colidiram de frente, outros carros que vinham atrás foram batendo, batendo, batendo, e isso se transformou no maior engavetamento que aquela cidade já havia visto. Os dois motoristas morreram na hora, e pedaços de peças de carro se espalharam por quarteirões inteiros.
A polícia chegou, os bombeiros chegaram, as pessoas foram parando seus carros no engavetamento.
As oito horas em ponto de um lado do engavetamento Rodolfo olhou no relógio e pensou: “- Isso deve ser um sinal de Deus... Eu ia fazer uma cagada e ia me ferrar pro resto da vida...”
Do outro lado, Luiz sentou-se no capô do seu carro, e olhando para o caos a sua frente, franziu a testa e pensou: “- É, eu tive muitas oportunidades para não deixar Mariana viajar, mas talvez seja melhor assim.”


Re-postagem de um conto que gosto muito, pela rotatividade do blog, acho que muitos novos leitores ainda não leram. Espero que tenham gostado.