sábado, 23 de março de 2013
Aos amigos e seguidores
Olá amigos e seguidores deste humilde mas cheio de amor, bloguinho! Eu estou aqui fazendo uma "mea culpa", porque não tenho me dedicado tanto ao blog como me dedicava antes. Eu estou com uns probleminhas de tempo e não estou conseguindo administrá-lo corretamente. Sei que isso é um mal de nosso tempo e que pessoas sábias tem mais facilidade pra se agendar, ou para pegar menos problemas pra resolver, mas fazer o que se eu sou meio burrão?
Eu estava pensando em acabar com meu blog, destruí-lo, desintegrá-lo e mandá-lo para o triângulo da bermudas para que o buraco negro intra mundos o sugue e ele nunca mais volte... Mas não consegui. Eu amo esse blog e tem muuuuuita coisa escrita aqui de que eu me orgulho. Tem muito cometário bacaninha e muito comentário bacanão também. Por isso eu sei que estou em débito com os amigos, sei que estou postando menos e visitando-os menos em seus blogues mas por enquanto vai ter que ser assim.
Em partes isso é até bom pra que eu veja quem é que me ama mesmo, hahahahaha, quem mesmo na época difícil da dificuldade dificultada, ainda vem aqui sempre me visitar, custe o que custar, aconteça o que acontecer, até que a morte nos separe.
Quando eu fiz esse blog eu imaginei um blog muito mais de cartuns e charges do que de textos, mas sabem quanto tempo faz que eu não faço um cartum? Isso mesmo, trezentos e sessenta e cinco anos... Anos luz diga-se de passagem. Mas acho eu que a correria que estou fazendo na vida, uma hora vai brotar e os frutos da persistência me trarão suas flores e frutos... Bom pelo menos é o que acho.
Os amigos sabem que escrevi um livro e sabem que eu estou batalhando na batalha batalhada que é mais tranquila que a dificuldade dificultada, mas não menos trabalhosa, para publicá-lo. "Trabalhosa é com ésse mesmo ou é com zê?" Bom mas não vem ao caso. O caso é que mandei meu livro pra tudo o que é editora e algumas responderam que o livro é muito bom, maravilhoso, primoroso e um sucesso... Desde que eu desembolse mais ou menos 5 mil reais, pague toda a publicação, a distribuição, a revisão, a arte da capa e depois de tudo pago eles colocam nas livrarias e eu ganho 10% de direitos autorais... Puxa amigos... Que triste isso né?
Bom, mas é atrás desse livro que estou correndo. Vou lê-lo agora pela terceira vez, depois que o professor e amigo Bento Sales fez a revisão e ver como ficou os finalmentes, e aí se Deus quizer vai aparecer um bendito de um editor querendo bancar meu trabalho, mas se isso não acontecer, talvez eu faça em algumas dessas editoras que enfiam a faca ou talvez faça independentemente.
Na verdade, uma editora aí "segredo" me fez uma proposta até que agradável... Mas ainda estou na base da pensação.
Beleza? Então, um beijo e um queijo para todos vocês e não fiquem magoados comigo, eu juro que essa fase vai passar e esse blog vai voltar a ser como era antes...
terça-feira, 19 de março de 2013
Vozes periféricas 4
E aí irmão dotôr, tudo beleza? Qui legal c'ocê apareceu aqui na periferia di novo. Nóis qui trabalha no corre di vendê os cedê dos Paraguai pricizamo dos criente bão assim igual o dotôr!
As vêiz tem uns bacana aí qui aparece na televisão falano qui nóis é máfia, é do crime organizado, é traficanti... Mas o irmão dotôr aí sabe qui num é nada disso tá ligado? Nóis vende cedê i devedê, só isso i mais nada. Os meu irmãozim lá im casa tem que tomá leite, os barrigudim pricisa disso e cumé qui eu vô arruma esses leite honestamente si num tem trabalho? Si q'éssa cara di melianti, preto, pobre i magrelo qui eu tenho, ninguém qué mi dá um trampo decente? O baguiu é lôco irmão dotôr! Tenho qui vendê esses produto mêmo... Mió qui vendê droga, purquê droga eu num vendo! Inda mais agora qui eu tô curtino uma igreja aí, e o pastor falô uma parada macabra di í pru inferno... Tô fóra di inférno véio. Chega o inferno aqui da vida, quando eu morrê quero vê se Jesuis olha miózinho pra mim e me arruma um lugázim bem cabuloso lá no céu, tá ligado?
Mas intão irmão dotôr, essas pessoa qui critica a preriferia e nossos serviço alternativo, tem qui sabê qui si ninguém comprasse nossos produto a gente não vendia nada, né verdade? I eu tô falanno di genti honesta igual eu e também dos mano ladrão i traficante.
Olha só. O mano ladrão de carro só róba purquê tem quem compra, ou tô falano mintira? I quem compra é os irmão dotôr assim igual o sinhor... Tem também os irmão traficante, qui só trafica purque tem quem usa as droga, num é verdade? A parada é tensa irmão dotôr... Cê tá ligado qui os maior viciado é os filho di bacana qui vem buscá as droga aqui na periferia, não tá? Cadê as mãe e os pai desses muleque qui num inxerga as coisa?
Vô ti falá uma coiso pru sinhor, pra tudo qui é coisa ruim qui alguém faiz, sempre tem alguém quereno recebê du outro lado. Até as sinhorinha fofoqueira, só fofóca purque tem alguém qui iscuta... Intão irmão, a vida é assim mêmo! É lôca e si cuchilá o cachimbo cai!
E aí... Discúpa qui toda veiz qui o sinhor aparece aqui eu sempre falo umas parada maluca pra cima du sinhor, qui déve tê muito pobrema pra fica ovino minhas baboseras né verdade? I aí? Vai levá um cedezim? Ô um devedêzim?
Esse clipe é de uma banda argentina chamada Ataque 77, punk rock hermano fazendo uma versão do sucesso da Legião Urbana.
terça-feira, 12 de março de 2013
Linguagem dos poetas
Muitas vezes nós somos enganados pela linguagem rebuscada que os poetas usam para formularem seus textos.
Se a gente for prestar atenção mesmo no conteúdo da coisa a gente
percebe como a linguagem poética pode esconder umas coisas que muitas
vezes se faladas na linguagem coloquial fica até meio feião de ler e de
falar. Resolvi então traduzir para o coloquiês alguns exemplos do
rebusquês.
Exemplo 1:
Sua tez enrubreceu, ao ver os contornos curvilíneos de sua amada. Seu coração bombeava emoções que sufocavam seu ser.
Ele teria que descarregar seu instinto animal e seus fluidos carnais urgentemente!!
Tradução: Ou esse cara dá uma rapidinho ou ele vai ter um tróço !!!
Exemplo 2:
Ludicamente
a criança caminha num mundo de sonhos sobre o jardim em que sua mãe,
feito uma artesã, criara sua mais bela obra prima...
Tradução: Eita moleque bagunceiro, estragou todo o jardim que a mãe penou pra deixar bonitinho!! Ah... vai apanhar na certa.
Exemplo 3:
Os
alvos e parcos cabelos brancos que adornavam aquela cabeça octagenária,
camuflavam seu falo em riste e seus olhinhos vivos que fitavam
entusiasticamente a rebolativa e quase desnuda, arrumadeira da casa de
seu derradeiro rebento...
Puxa... parece lindo né? Mas lá vai a tradução:
Que
véinho tarado esse... Com oitenta anos, (de pinto duro) e de zoião na
empregada do filho mais novo, e ela por sua vez, não tem nada de santa,
com essas roupinhas curtas se mostrando e se insinuando, pra lá e pra cá
.
Exemplo 4 :
Enquanto a boemia o levava aos braços calientes das damas da noite. A rainha do seu lar,
preparava seu recanto e esperava numa noite de longos minutos, a fitar
aflitamente o relógio que lhe respondia: Tic tac, tic tac, tic tac...
Agora deu vontade de chorar... Como é bela essa cena de amor... Mas traduzindo: O cara é putanheiro e essa mulher é uma tonta!
Então
amigo, preste atenção nessa linguagem dos poetas, que esses caras são
espertos, falam coisas que a gente não entende ou apenas querem passar
despercebidos pela nossa cabeça de mamão e nossa linguagem chula e
coloquial...
sexta-feira, 8 de março de 2013
Oitentinha du bão!
- Oi, tudo bem? - Eu disse sendo simpático.
- Humm... - Respondeu o rapaz do outro lado do balcão.
- Eu deixei meu celular aqui pra fazer um orçamento hoje cedo.
- Humm... - Repetiu mascando um chiclete barulhentamente.
- Você viu o que estragou nele? - Perguntei.
- Ví.
- E aí? O que foi que estragou? - Perguntei tentando retirar alguma coisa mais polissilábica.
- O visor fréquis.
- Visor Flex? O que é o visor flex?
- Uma peça. - Respondeu o atendente fazendo cara feia.
- E isso tem concerto?
- Oitentinha du bão. - Respondeu esboçando um sorriso desfalcado.
- Como?
- Oitentinha du bão!
- Eu perguntei se tem concerto. - Falei em tom irritado.
- Intão... Oitentinha du bão! - Me respondeu o atendente com tom mais irritado que o meu.
- Você me entrega quando?
- Senta alí qui nóis já arruma. - Me falou apontando uma cadeira no canto do balcão.
- Rapido assim?
- É...
- A peça que você vai trocar é original? - Indaguei com um pouco de medo.
- Ôpa... Orégis. - Respondeu o rapaz mostrando o desfalque dentário mais uma vez.
- Tá bom então pode consertar...
- Tá pronto!
- Como? Já arrumou? - Falei eu espantado!
- Já! - Me disse ele estendendo a mão espalmada, sorrindo e continuando sua fala: - Oitentinha du bão!
sábado, 2 de março de 2013
Anjos
Mais uma vez estou postando esse texto e acho que do jeito que as coisas vão eu postarei ele de tempos em tempos até o dia do final desse blog. Espero que vocês que já leram, leiam de novo e que falem sobre esse assunto com seus amigos, para que assim quem sabe um dia essa situação mude. Ouça também a música do vídeo, sei que é punk rock e que tem gente que acha agressivo demais, mas ouça e entenda a letra. Ela é um protesto e vale a pena se escutada!
Zezé era menino.
Menino que não sabia.
Menino que não conhecia.
Zezé era um menino que não sabia de onde veio.
Não conhecia seu pai, era filho de pai sem mãe...
Não conhecia sua mãe, era filho de mãe sem pai ...
Zezé foi criado por uma irmã mais velha. Um ano mais velha. Marcia era o nome dela.
Comiam
os restos das latas de lixo, dormiam debaixo da ponte, se cobriam com
jornal, cheiravam cola e fumavam bitucas de cigarro.
Um dia acharam o corpo de Marcia num matagal, comida pelos vermes e pelos humanos.
A policia achou normal, afinal, era só uma menina de rua mesmo...
Zezé prosseguiu sozinho. Já tinha quatorze anos e uma mulher! Carol.
Carol, que já tinha treze anos. A oito meses grávida...
- Que legal, eu vou ser pai!
E foi!
Comiam os três restos de lixo, comida roubada ou ganhada, o mercadão jogava muitas verduras fóra.
Carol, desnutrida, não tinha muito leite, e quem tinha não dava. Afinal um centavo valia muito falou o presidente!
Um
dia a polícia entrou no cafofo. Cafofo era a casa de Zezé, e de Jão,
Zé, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e mais um monte de moleque de rua.
Cheirador de cola!
- E esse nenem? - Falou o policial - vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol.
- Vai ele e você!
Carol
se atracou com o policial que queria tirar o nenem do seu colo, e os
outros moleques entraram na briga, foi uma confusão. De repente um dos
policiais puxa a arma e atira!
Legítima defesa ele afirmaria no processo.
Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho cairem no chão...
O tiro atravessou os dois.
Zezé matou um dos policiais a pauladas!
Mais
polícia chegou, a televisão chegou, as pessoas chegaram... Mais
policia chegou, mais televisão chegou, Os moleques foram presos!
Hoje Zezé está preso... Deflorado, surrado, usado, pisado...
Ele sonha com o dia em que vai sair da cadeia para menores infratores...
Legal né?
Ele sonha...
Afinal
ele é criança, que sonha antes de dormir, afinal ele é criança e sonha
com fantasias de criança... Criança de quinze anos...
Que sonha acordado!
E sonha com dias melhores... E sonha com os Anjos!
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