quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nesse momento




Nesse momento:
Um beduíno cruza com seu camelo a imensidão do deserto, pedindo a Alah que o próximo oásis apareça logo, pra que ele mate sua sede e descanse na sombra de uma tamareira.
Um pirangueiro do Piauí sai com seu barquinho de madeira para alto mar, para buscar alguns peixes que são o sustento de sua família; sua mulher e seus dois filhos tentam ajudar, colhendo caranguejos no mangue para serem vendidos na feira do dia seguinte.
Um nativo de uma tribo do Congo é forçado a trabalhar sem proteção alguma numa mina de diamantes. Quase nú, apenas com uma velha camiseta e uma bermuda, ele respira o ar úmido e tuberculoso dos velhos túneis da velha mina.
Uma senhora de sessenta anos, trabalha numa roça de algodão na China. Ela colhe quarenta quilos por dia e ganha alguns trocados que lhe servem para comprar arroz e batatas no mercado de sua vila.
Alguns garotos em São Paulo, brincam nadando em um córrego, onde se escoa o esgoto da COHAB vizinha.
Uma menina na Itália trabalha ajudando na colheita da uva, que servirá para fazer vinho. A produção de vinho sustenta sua família à oito gerações.
Um boiadeiro no Pantanal, atravessa a boiada num vale alagado. O caminho que normalmente seria feito em oito horas, depois das chuvas que castigaram o lugar, será feito em três dias.
Um caminhoneiro no Canadá, leva uma carga de colchões de espuma ao hospital de um vilarejo no Alaska. Ele atravessa o mar congelado com seu caminhão, e corre o risco de que a estrada se quebre e ele se perca para sempre na imensidão do mar gelado.
Um comerciante em Bangladesh negocia a venda de alguns carneiros que seu primo cria nas montanhas vizinhas.
Uma criança nasce na Indonésia, um velho morre na Costa Rica, uma mulher é atropelada na Inglaterra, um homem faz um bem sucedido transplante de coração em Porto Alegre, um casal reata namoro na Austrália, um casal se separa no Cazaquistão.
O mundo se mexe!
As coisas acontecem.
As horas passam.
E a gente...?
A gente envelhece correndo atrás do vento...

Afinal... Tudo no mundo, a não ser o amor que se ganha e que se dá, não passa de vento!



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Amarração do vento


- Ih zifía... Eu tô veno aqui, qui ocê vai tê um pobreminha co homi qui ocê gosta!
- Ah é... – Falou a moça aflita. - Mas que tipo de problema?
- Hehehe... Zifía, é um pobreminha di ôtra saia qui vai aparecê nu seu caminho...
- Mas como pai Chico? Ele vai arrumar outra mulher? Como é que esse safado faz isso comigo?
- Hehehe zifía... O bixo home é ansim mêmo, hehehe. Mais a gente póde fazê um trabainho pr'ele ficá amarrado c'ocê i num dizamarrá mais.
- E como é que a gente faz esse trabalho?
- Nóis só tem qui escrevê u nome dele num papérzinho vermêio e u seu nome num papérzinho marélo. Dispois a genti passa bastante mel, qui é proceis ficá grudadinho, e dispois a genti amarra tudo bem inroladinho, com linha cor da rósa, qui é a cor du amor. E dispois a gente amarra nos pé da pomba branca e sórta ela, qui é pro seu amor vivê feliz lá no céu... Hehehe zifía... Vivê feliz nas artura!
- Gostei pai Chico! - Falou a moça interessada.
- Hehehe, eu sabia qui ocê ia gostá! Mais ocê sabi qui pra fazê os trabaio, ocê tem qui dá um agradim pru santo... U serviço fica em trezentos reais... É só pra ajudá i agradecê as boa vontadi dos amigo do lado di lá...
- Muito abrigada pai Chico! - Disse a moça feliz. - Assim que eu arrumar um namorado ou algum paquera, eu já venho aqui correndo fazer esse trabalho pra amarrar esse safado!



sábado, 15 de dezembro de 2012

Papai Noel avisa:




Papai Noel pegou uma grande caixa cheia de cartinhas de crianças do mundo todo e começou a lê-las para separar os pedidos, e mandá-los para a linha de produção de sua fabrica mágica.
Tiaguinho de Alagoas, pediu um tablet. Manoelzinho de Lisboa, pediu um playstation. Catarininha de Livorno pediu outro playstation. Chiao Yeozinho de Xangai, pediu um robô. Fernandinha de Mar del Plata, pediu um celular Galaxy. Michaelzinho de Ohio pediu um i-phone. Obondozinho de Uganda pediu uma TV com tela de LCD. 
 O bom velhinho leu essas cartinhas e percebeu que alguma coisa estava errada com as crianças do mundo. Ninguém queria mais jogar futebol com os amigos, ninguém queria mais um belo tênis pra poder correr pela rua e brincar de esconde-esconde, ninguém mais queria um brinquedo onde pudesse usar a imaginação.
Noel resolveu que esse ano iria visitar apenas as crianças que ainda não haviam sido infectadas pelo "espírito comercial do natal", e que tinham pais que prezavam pela infância de seus filhos. Crianças interesseiras e "adultificadas", não receberiam a visita e muito menos os presentes que o velho Noel distribuiria pelo mundo. O velhinho resolveu visitar apenas as crianças que ainda sonhavam com fadas, fábulas, mágicas, palhaços e mundos extraordinários. O velhinho visitaria apenas as crianças que tivessem um amigo real para dividir a alegria que seria o desfrutar do presente ganhado. Esse ano o velhinho seria radical!
Se você é uma criança má, que tem entre 5 e 105 anos, que só pensa em ter as coisa ao invés de ser alguém no mundo. Se você só tem amigos virtuais, só se relaciona através de celulares, e internet... Não precisa esperar... Seu presentinho não virá!



Olá amigos, voltei das férias! Essa é minha preimeira postagem depois de um mês parado. Aos pouco vou visitando os blogues parceiros e retribuindo as visitas que aparecerm por aqui. Obrigado por esperarem e me desejarem boas férias!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Off





Amigos!

Eu vou tirar umas fériazinhas aqui do blog.
Faz dois anos que eu tenho blogado continuamente sem parar. Até aqui foram 344 postagens desde o dia 18/02/2010.
Eu sempre visito os blogs dos amigos, leio e comento com muito carinho, atualizo o V&B pelo menos duas vezes na semana e acho que porque levo assim tão a sério, acabei cansando.
Me perdoem. Eu sinto um grande carinho por todos os blogueiros e seguidores que comentam por aqui, e justamente para manter o nível e honrar a qualidade que acho que vocês merecem, chegou o momento de tirar umas férias, refrescar as idéias e me afastar um pouco do mundo virtual.
Essas férias devem durar de trinta a quarenta dias, mas eu prometo a vocês que não os abandonarei! Apenas vou dar esse tempinho e já volto.
Nesse tempo eu vou ficar triste, mas não vou comentar nos blogues de vocês... Snif!
Me perdoem, mas eu acho que estou precisando disso.
Estou triste, mas vai ser melhor assim.
Obrigado pelo carinho de sempre que vocês tem por mim e espero encontrá-los aqui quando eu voltar.

Um abração a todos!

André Mansim



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Alimento intelectual



Com o que você tem se alimentado intelectualmente?
Quanto tempo faz que você não lê um bom livro?
Quanto tempo faz que você não assiste a um documentário, um programa de debates ou uma entrevista interessante?
Quanto tempo faz que você não vai a uma banca de jornal? A uma livraria? A um sebo? A uma biblioteca?
Quanto tempo faz que você não conversa com seu avô, sua avó ou com o vizinho mais velho?
Como é seu alimento intelectual?
Big Brother? Novela das sete? Das oito? Das nove? Das dez? A fazenda? Faustão? Cidade Alerta? Programa do Ratinho? Novela das sete? Das oito? Das nove? Das dez?
Como é sua formação intelectual?
Você sabe ler e interpretar corretamente um texto?
Sabe escrever uma redação?
Sabe formular um pensamento?
Sabe discutir um assunto sem discutir com as pessoas?
Na sua formação intelectual existe espaço para a humildade? Para o bom carater? Para o aprendizado eterno?
Como você alimenta sua intelectualidade?
Você sabe qual a sua raiz? De onde vem a sua tradição?
Qual a sua tradição?
De onde você veio? 
Quais são seus ídolos?
Quais são as suas lendas?
O halloween? Os vampiros e lobisomens do cinema? Guloseimas ou travessuras? A bruxa da vassoura e do caldeirão?
Quanto tempo faz que você não lê um livro?
Não lê um poema?
Não lê um simples conto?
Não assiste um bom filme?
Como está a sua alimentação intelectual?
No que você acredita? Quais são seus ideais? Qual a sua meta na vida?
Você sabe o que são ideais?
E meta?
O que você vai querer ser daqui a dez anos? Quem você vai querer ser daqui a dez anos? Onde você vai querer estar daqui a dez anos?
Será que até lá você vai aprender a interpretar um texto?
Vai saber de onde veio? Vai conhecer suas bases históricas e sociais? Vai aprender a ler as entrelinhas? Vai aprender a votar?
Qual a sua dieta intelectual? A que produz neurônios ou a que produz vento?
De que é alimentada a sua intelectualidade?
Hein? Pense aí...