segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Alimento intelectual



Com o que você tem se alimentado intelectualmente?
Quanto tempo faz que você não lê um bom livro?
Quanto tempo faz que você não assiste a um documentário, um programa de debates ou uma entrevista interessante?
Quanto tempo faz que você não vai a uma banca de jornal? A uma livraria? A um sebo? A uma biblioteca?
Quanto tempo faz que você não conversa com seu avô, sua avó ou com o vizinho mais velho?
Como é seu alimento intelectual?
Big Brother? Novela das sete? Das oito? Das nove? Das dez? A fazenda? Faustão? Cidade Alerta? Programa do Ratinho? Novela das sete? Das oito? Das nove? Das dez?
Como é sua formação intelectual?
Você sabe ler e interpretar corretamente um texto?
Sabe escrever uma redação?
Sabe formular um pensamento?
Sabe discutir um assunto sem discutir com as pessoas?
Na sua formação intelectual existe espaço para a humildade? Para o bom carater? Para o aprendizado eterno?
Como você alimenta sua intelectualidade?
Você sabe qual a sua raiz? De onde vem a sua tradição?
Qual a sua tradição?
De onde você veio? 
Quais são seus ídolos?
Quais são as suas lendas?
O halloween? Os vampiros e lobisomens do cinema? Guloseimas ou travessuras? A bruxa da vassoura e do caldeirão?
Quanto tempo faz que você não lê um livro?
Não lê um poema?
Não lê um simples conto?
Não assiste um bom filme?
Como está a sua alimentação intelectual?
No que você acredita? Quais são seus ideais? Qual a sua meta na vida?
Você sabe o que são ideais?
E meta?
O que você vai querer ser daqui a dez anos? Quem você vai querer ser daqui a dez anos? Onde você vai querer estar daqui a dez anos?
Será que até lá você vai aprender a interpretar um texto?
Vai saber de onde veio? Vai conhecer suas bases históricas e sociais? Vai aprender a ler as entrelinhas? Vai aprender a votar?
Qual a sua dieta intelectual? A que produz neurônios ou a que produz vento?
De que é alimentada a sua intelectualidade?
Hein? Pense aí...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Tesouros




A muuuuito tempo atrás na pacata escola estadual Professor Antonio Prudente, havia um menininho gordinho, de óculos com armação grossa, e devorador de livros... Eu!
Um belo dia eu peguei o livro "A Ilha do tesouro", do escritor escocês Robert Louis Stevenson. Tudo bem que pra minha idade aquele era um livro um pouco complicado, mas nem tanto assim pra mim. Eu já havia lido D'artagnan e os três mosqueteiros, As aventuras de Simbad o marujo, Robin Hood, Mobby Dick, e mais um monte de clássicos.
Felizmente a biblioteca da minha escola era "a biblioteca", nela tinha muitas obras boas demais, e devorando-as, eu me divertia muito. E para minha felicidade um dia eu peguei  "A ilha do tesouro" pra ler...
Eu me lembro que naquele ano os trapalhões fizeram o filme "O trapalhão na ilha do tesouro" que era um filme maravilhoso. Muito divertido e bem dirigido, esse filme era do tempo em que o Dedé Santana e o Renato Aragão estavam com vontade de se firmarem como pessoas importantes do humor nacional. Eles tiveram a felicidade de fazer esse filme que era totalmente baseado no livro A ilha do tesouro. Ainda hoje de vez em quando me lembro da musiquinha do filme:

Sete homens na arca do defunto,
yohoho, yohoho,
eles bebem e o demônio bebe junto
e depois se encarrega de um por um.

Hahahahaha, como era legal essa musiquinha! Sempre que eu ia brincar de playmobil, eu queria ser algum pirata. Sempre minhas histórias inventadas em nossas brincadeiras tinham uma ilha perdida, um navio fantasma ou algo desse tipo.
Tempos depois eu lí novamente A ilha do tesouro. Eram outros tempos e eu enxerguei outras coisas no livro que me fizeram gostar dele ainda mais. A narrativa do autor, o modo como ele descreveu as cenas e as pessoas... Tudo era maravilhoso.
Os livros clássicos são clássicos porque são maravilhosos. Os autores ficam imortalizados por escreverem obras que nunca ficarão velhas, pois pode o mundo envelhecer, mas aquelas histórias universais sempre serão atuais. A trama, a forma de contá-la... Tudo num clássico vale mais. É mais belo, é mais emocionante.
Semana passada eu acabei de ler pela terceira vez A ilha do tesouro, dessa vez eu novamente encontrei coisas novas, imagens novas, sensações novas.
Eu recomendo a todos vocês que gostam de ler e devoram livros: Leiam os clássicos! Vocês não vão se arrepender nunca! A viagem vale a pena.
Ontem assisti um novo filme chamado: A ilha do tesouro.
Dessa vez a coisa é séria. O filme não á baseado no livro apenas, ele é o livro em imagens. Apesar de que o roteirista do filme ter dado umas mudancinhas aqui e umas acrescentadinhas alí. Ele até interferiu na história de alguns personagens importantes. Mas no geral o filme bebe na fonte do livro em uns 80%. O diretor caprichou. É uma grande e bem feita produção... Chorei! Ví naquelas imagens a minha infância e minhas brincadeiras com o playmobil ganharem vida na minha frente.
Não sou um bom resenhista de filmes, não sei falar tecnicamente. Só sei falar as coisas com o coração. E com o coração eu falo mais uma vez pra vocês:
Leiam os clássicos, aprendam a escrever lendo esses tesouros e depois se der... Assistam os filmes baseados neles.
Todos nós que gostamos de ler só temos a ganhar com isso!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Kaiser

Mais uma história de meu irmão da série: Quando eu morava com minha avó em  Barretos.



No ano de 1972 eu tinha 9 anos de idade e morava com minha avó Lourdes em Barretos numa casinha branca tão pequena e distante da cidade que parecia ter o silencio eterno. Só perturbado pela passagem dos trens na linha férrea há alguns 100 metros de nossa casa, e pelos cavalos do jóquei quando relinchavam em seu palco de corridas pertinho dali. A água de poço era tão cristalina quanto difícil de se retirar, “teimosa que só ela”. Energia... Apenas dos nossos corpos e de todos aqueles amigos bichos, não tinha nada que pudesse significar algum conforto, mas tudo nos dava muita alegria e movimentava nossos corpos e mentes além de ser muito divertido!
Minha avó era muito rígida comigo (á moda das pessoas rústicas e honestas como antigamente), também uma polivalente pois cuidava da casa, cuidava de um mercadinho, criava galinhas e o melhor de tudo... Era a única parteira da cidade, além de fazer caridade em trabalho social para sua Igreja. Não preciso nem dizer que eu participava de tudo isto de forma direta ou indireta.
É nesse cenário e contexto que vem a história a seguir:
Um dos meus melhores amigos era um amigo bicho cão chamado Kaiser (nada a ver com a cerveja), minha Avó era fã de um general que tinha esse nome, daí ela achou que homenagearia o coitado do amigo cão... Valeu a intenção.
Se Kaiser fosse gente com certeza seria meu irmão, pois quantas vezes nos dias de frio eu o colocava debaixo do cobertor sem minha Avó perceber e ali ele ficava por muito tempo pela manhã. mas algumas vezes não era assim que funcionava.
Como já disse em outras historias, minha Avó era uma exímia criadora de galinhas, acho que devíamos por volta de umas 50 galinhas, fazendo dupla, de criador, com ela estava o fiel... Kaiser! Um exímio cão pegador de galinhas, acho que estava cursando ultimo ano da faculdade de pegar galinhas... Então, aos domingos pela manhã sempre as sete horas em ponto... Oh senhor! Maldita pontualidade! Quando as galinhas se ajuntavam para comer, era “o circo no seu ápice do espetáculo” .
Minha Avó como uma sirene de bombeiro. chamava o Kaiser, eu já acordava me lembrando de que pelo barulho e estardalhaço deveria ser domingo! Eu torcia para que ela não chamasse o Kaiser por mais de 3 vezes porque se isso acontecesse era a fatídica comprovação de que ele tinha se mandado pra dar umas voltas, (acho que ele usava relógio), se isso acontecesse, minha avó carinhosamente me acordava aos solavancos dizendo: “Aquele cão mardito sumiu de novo! Vamo! Levanta que tem umas 10 galinha pa pegá depois oçê dorme dinovo!” Realmente, acho que o Kaiser usava relógio, aquilo pra mim era o mais indesejado desjejum matinal , mas como sempre eu obedecia e lá ia eu correndo feito louco em campo aberto, ás vezes me embrenhando pelo mato, subindo até em árvores, e ai de mim se não pegasse todas as galinha que minha avó apontasse... Já nas últimas galinhas, eu já exausto recebia o elogio fatal da adorável vovó: “Vai muleque lerdo, larga de ser mole, vo cuspir no chão, antes de secar quero essas galinha na minha mão senão çe sabe, te dou uma surra.”
Depois destas doces palavras como não ia me reanimar? Minha avó deveria ser psicóloga! Ela mexia com minha cabeça... Eu pensava: Hehhhh Kaiser, eu pego as galinhas, mas eu também vou te pegar!
Mas como sempre, eu tinha um plano!
Resolvi que aos sábados á noite eu iria prender o Kaiser, e no domingo lá pelas 6:30 hs antes do horário fatídico que era as 7:00 horas eu o soltaria e voltaria a dormir, perfeito não?
Sabe que isso funcionou bem. Mas como tudo tem um fim isso foi apenas por um tempo, pois eu comecei a não acordar em tempo de soltar o Kaiser.
Resultado? Uma surra fatal.
Daí então eu desisti desse plano e parti para outra estratégia, levantava as 6:00 horas procurava o Kaiser colocava-o debaixo do cobertor para depois soltá-lo logo que minha Avó acordasse!
Outro plano perfeito que resultou em outra surra (acho que eu fazia coleção de surras!), pois muitas vezes eu esquecia de colocá-lo para fora do cobertor.
Só me restou me conformar com aquela vida de corredor, pegador, sei lá como se chamava aquilo, só sei que com tudo isto eu era bem magrinho, ágil e bem esperto!
Terminado estes shows de domingo, o Kaiser chegava com aquela cara de “não sei de nada” e eu bem cansado mas bem mais faminto o perdoava como sempre e ia com o Kaiser para o pomar, e lá eu colhia algumas frutas, pouca coisa como 20 laranjas, pitangas, uns maracujás do mato, seriguelas e tudo que visse já maduro e levava para cima da árvore e em seguida içava o Kaiser lá pra cima com um invento que meu Avô arrumou e ficávamos por horas lá em cima. Sabe que o bichinho danado até gostava da árvore? Malandro...
Apenas por momentos eu tentava descobrir o porque de tudo aquilo, talvez aquilo fosse um acordo entre o Kaiser e as galinhas? Uma trama dos vizinhos se vingando dos pães amassados? (Isso é uma outra história), talvez uma louca experiência da minha Avó ? Ou então seria o meu dia a dia mesmo...
Eu logo esquecia de tudo porque desde esses dias eu aprendia que Deus sabia de tudo e se Ele sabia então estava tudo bem. Aprendi que em tudo ele me amava.
Assim eu seguia cumprindo os meus dias repletos de muita emoção, mas de pensamentos simples e na beleza da inocência de menino.
Abraços a todos vocês

Crisógono Júnior.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mais um na multidão




Eu queria ser um gigante!
Queria ser jogador de futebol.
Queria ser o melhor dos amantes... Saber dançar tango e cantar as musicas de Carlos Gardel.
Eu queria ser empresário, engenheiro, arquiteto e astronauta! Trabalhar na Nasa e projetar Ferraris, projetar Lamborguinis e ser piloto de fórmula 1.
Eu queria ser fazendeiro! Ter bastante gado nas pastagens de minha fazenda. Queria plantar arroz, soja, milho e laranja. Queria criar galinhas. Ter um grande chiqueiro de porcos e talvez criar ovelhas também!
Eu queria ser piloto de avião. Conhecer o mundo. Conhecer a Europa, a Ásia, a Oceania. Queria ser capitão de navio.
Navio mercante, navio cargueiro, navio... Navio.
Eu queria ser cozinheiro de um restaurante na Grécia ou na Itália ou na Espanha e talvez em Portugal... Isso!
Eu queria fabricar vinho em Portugal! Fabricar vinho, azeite e queijos, muitos tipos de queijos.
Eu queria ser holandês! Plantar flores na Holanda... Plantar bambu na China e plantar macaxeira na Paraíba...
Eu queria ser maestro! Reger orquestras pelo mundo, queria também saber tocar violão... No barzinho alí da esquina.
Eu queria ser jogador de futebol, artista de novela, ator de cinema, escritor de livros, desenhista de história em quadrinhos. Eu queria ser o Homem-aranha!
Eu queria ser veterinário, tratar de cachorro, gato, boi, macaco e onça! Eu queria ser biólogo! Queria ser astrônomo e arqueólogo também. Queria ser o Indiana Jones.
Queria ser um mercador do deserto, Um beduíno. Andar de tapete voador. Comer coalhada seca com pão sírio todos os dias. Mergulhar no lago de um oásis debaixo da sombra das tamareiras.
Eu queria!
Infelizmente não sou nada disso...
Ainda!



domingo, 21 de outubro de 2012

Anjos

De tempos em tempos eu posto esse texto. Já faz quase um ano que eu o postei a última vez foi dia 25/12/2011 e infelismente ele continua atual. Acho que meu trabalho e o de todo mundo que se sensibiliza com essa situação é falar, falar e falar sem parar. Quem sabe assim as autoridades um dia tomarão alguma atitude. Então tá aí. Pra quem já leu pode se lembrar e pra quem não leu, tomara que o texto lhe diga algo de bom, mesmo que esse bom venha junto com uma dose de revolta.


 
Zezé era menino.
Menino que não sabia.
Menino que não conhecia.
Zezé era um menino que não sabia de onde veio.
Não conhecia seu pai, era filho de pai sem mãe...
Não conhecia sua mãe, era filho de mãe sem pai ...
Zezé foi criado por uma irmã mais velha. Um ano mais velha. Marcia era o nome dela.
Comiam os restos das latas de lixo, dormiam debaixo da ponte, se cobriam com jornal, cheiravam cola e fumavam bitucas de cigarro.
Um dia acharam o corpo de Marcia num matagal, comida pelos vermes e pelos humanos.
A policia achou normal, afinal, era só uma menina de rua mesmo...
Zezé prosseguiu sozinho. Já tinha quatorze anos e uma mulher! Carol.
Carol, que já tinha treze anos. A oito meses grávida...
- Que legal, eu vou ser pai!
E foi!
Comiam os três restos de lixo, comida roubada ou ganhada, o mercadão jogava muitas verduras fóra.
Carol, desnutrida, não tinha muito leite, e quem tinha não dava. Afinal um centavo valia muito falou o presidente!
Um dia a polícia entrou no cafofo. Cafofo era a casa de Zezé, e de Jão, Zé, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e mais um monte de moleque de rua.
Cheirador de cola!
- E esse nenem? - Falou o policial - vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol.
- Vai ele e você!
Carol se atracou com o policial que queria tirar o nenem do seu colo, e os outros moleques entraram na briga, foi uma confusão. De repente um dos policiais puxa a arma e atira!
Legítima defesa ele afirmaria no processo.
Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho cairem no chão...
O tiro atravessou os dois.
Zezé matou um dos policiais a pauladas!
Mais polícia chegou, a televisão chegou, as pessoas chegaram... Mais policia chegou, mais televisão chegou, Os moleques foram presos!
Hoje Zezé está preso... Deflorado, surrado, usado, pisado...
Ele sonha com o dia em que vai sair da cadeia para menores infratores...
Legal né?
Ele sonha...
Afinal ele é criança, que sonha antes de dormir, afinal ele é criança e sonha com fantasias de criança... Criança de quinze anos...
Que sonha acordado!
E sonha com dias melhores... E sonha com os Anjos!