sábado, 29 de setembro de 2012

Plantação

Olá amigos! Essa é mais uma re-postagem de um texto que escrevi a algum tempo e que agora volta a ter um significado em minha vida. Espero que pra quem já leu, o texto agora nessa releitura lhe diga algo diferente do que lhe disse da outra vez. E pra quem não leu ainda, espero que gostem e que ganhem alguma coisa de bom, pois essa é a intenção do texto.
Um abraço a todos e obrigado pelas visitas e comentários.





A plantação começou !
Começou no dia do seu nascimento. No dia em que você começou a interagir, a falar, a dar opiniões. Aí começou a plantação.
Nas frases que você falou, nas atitudes que você tomou, nas escolhas que você fez. Ai começou a plantação.
As vezes em que você teve a chance de ajudar e virou as costas, cada momento desses foi uma semente de ervas daninhas que você plantou. Em outras ocasiões em que você se fez amigo e útil, aí você plantou sementes de arvores frutíferas .
As vezes em que você no seu serviço, ou na sua escola, ou na sua igreja, ou mesmo no seu bairro, foi simpático, gentil, prestativo. Ai você plantou sementes de cereais e hortaliças.
As vezes em que você foi áspero, agressivo, mal intencionado, desleal, infiel e ingrato. Certamente você plantou sementes de espinhos, galhos secos e até plantas venenosas.
Um dia você vai começar a colheita... Pois cada uma dessas sementes que você plantou foram plantadas no coração de alguém! Alguém cultivou essas sementes plantadas por você, e as viu germinar e crescer no coração de seu intimo, e viu essa semente virar frutos ou pragas!
Um dia esse alguém vai te devolver a plantação e o mundo vai te devolver a colheita, e a sociedade vai te devolver tudo aquilo que você plantou. Só que multiplicado muitas vezes, afinal cada semente dá inúmeros frutos, cada semente se torna muitas outras e tudo voltará para você!
Pense bem... Ainda dá pra reverter, ainda dá pra passar o arado, tirar as pragas e plantar coisas boas, sementes boas em terra boa, em corações amáveis e amigáveis.
Pense bem... A colheita pode não ser tão boa. E tudo depende de você. Você nasceu para ser um plantador de boas sementes, e colhedor de boas colheitas.
Não deixe que a maldade do mundo se impregne nas suas sementes, assim se todos nós plantarmos só boas sementes, um dia não vai mais haver essa maldade. E o mundo todo e todos os corações vão agradecer por suas belas colheitas!
Pense bem... Agricultor!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Decreto



Quando Ivan era criança, um dia seu pai lhe disse: - Você não tem jeito muléque! Nunca vai consertar na vida! Eu cansei de te ensinar as coisas e você nunca aprende, seu imbecil!
O pai estava nervoso porque Ivan, um menino hiperativo de apenas 5 anos, arrancou todas as flores do jardim numa brincadeira onde imaginava ser um jardineiro.
As palavras de seu pai entraram na cabecinha de Ivan e se alojaram no seu coraçãozinho de criança. Ivan foi um aluno repetente, se envolveu com coisas erradas na vida, virou traficante, ladrão, assassino e hoje está preso na penitenciária de segurança máxima. Seu pai de vez em quando vem lhe visitar e sempre sai se perguntando, “onde foi que eu errei?”
Carolina era uma linda menina de 15 anos. Muito bonita, era cobiçada por todos na escola, era o sonho de todos os meninos, realmente ela era linda!
Um dia sua mãe presenciou Carolina dando um beijo em um namoradinho na saída da escola. A mãe não sabia, mas aquele era seu primeiro beijo, era o primeiro momento em que Carolina descobrira algo diferente em sua vida. Mas a sua mãe não conteve sua raiva. Pegando Carolina pela orelha, na frente de todos seus amigos e amigas a mãe falou em voz alta: - Sua putinha! Vou te ensinar a ser sem vergonha com a cinta lá em casa!
Carolina apanhou da mãe fisicamente, mas o que mais a marcou foram as palavras da mãe na frente de seus amigos! Essas palavras se alojaram em seu coração, e hoje Carolina está num leito de hospital. Ela é HIV positivo. Contraiu essa doença trabalhando como prostituta em vários prostíbulos da cidade. Ela se tornou uma profissional do sexo, assim como as palavras de sua mãe a induziram naquele dia...
Renan era gordinho,gostava muito de comer, era um menino saudável, que corria, brincava e tinha uma grande imaginação. Um dia no aniversário de seu primo, Renan passou correndo pela mesa do bolo e não se conteve. Pegou um brigadeiro e comeu. Sua tia que era a dona da festa, o viu fazendo isso e gritou no meio da sala: - Renan seu gordo baleia! Deixa os brigadeiros aí seu sem educação... Os doces são pra todo mundo e não só pra você!
Renan olhou pra todas as pessoas na sala, que devido á fala de sua tia, lhe encaravam com semblantes de reprovação. Essas palavras se alojaram no coraçãozinho de criança de Renan e hoje ele está preso a uma cama, numa clínica de emagrecimento. Renan tem 298 quilos. Não consegue andar, quase não consegue respirar sem aparelhos, apenas vegeta enquanto os médicos tentam reverter a difícil situação.
Luiz era um rapazinho de 16 anos, quando conheceu alguns amigos não muito bons. Esses amigos saíram com Luiz e o levaram para roubar iogurte e chocolate no supermercado! Luiz nunca havia feito uma coisa dessas e “tremeu na base” quando pegou um chocolate e colocou dentro do calção.
Raimundo que era um dos guardas que vigiavam o supermercado, segurou Luiz pelo braço quando ele iria sair do supermercado e abaixando-se para ficar da altura de Luiz, olhou fixamente em seus olhos e docemente falou:
- Menino, eu não te conheço pessoalmente, mas já te vi aqui com sua mãe e seu pai. Eu notei que vocês são uma linda família. Vejo que seu pai e sua mãe te amam. Vejo que vocês são pessoas boas e sei que você é um menino bom! Então me devolva esse chocolate que está no seu calção! Você é um menino abençoado e nunca vai precisar roubar pra conseguir o que quiser... Eu não vou contar isso pra ninguém, só quero que você me prometa que nunca mais vai tocar em nada do que é dos outros. Me promete?
Luiz retirou a barra de chocolate do calção e entregou a Raimundo, e soluçando, com uma lágrima entalada na garganta falou: - Eu prometo!
As palavras de Raimundo se alojaram no coraçãozinho de Luiz. Hoje ele é um grande empresário, bem sucedido, bom pai de família e querido por todos!
Realmente a vida funciona assim... As vezes uma palavra que se fala mal falada e mal interpretada pode determinar a vida inteira de uma pessoa. Basta que ela se aloje em seu coração... Por isso é melhor semear boas palavras. Palavras de incentivo, de engrandecimento pessoal e que sempre vão impulsionar as pessoas cada vez mais para o sucesso em suas vidas e nas vidas de quem os rodeiam. Afinal, somos responsáveis pelas nossas palavras e principalmente pelo impacto que elas causam.
Pense nisso!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Encantar





Algumas pessoas se acham menores que as outras porque não tem o mesmo status social daquelas que julga, bem sucedidas, ou porque são de uma família de condições precárias, ou porque não tem o cargo dos seus sonhos em seu serviço. Por isso elas se trancam em si mesmas e se tornam pessoas tímidas e as vezes amargas.
O maior problema que essas pessoas encontram na vida, é que elas perdem o dom de encantar. E sem encanto, tudo se torna morno e sem graça. Quer coisa mais chata que uma pessoa sem graça?
Eu conheço uma pessoa que tem uma condição precária, muito precária, pois nem pessoa ela é considerada... Essa pessoa é minha cachorra Frida!
A Frida, apesar de ser uma cachorra, tem tanto poder de encantar, de demonstrar carinho, companheirismo, alegria, amizade e mais um monte de encantos, que foi elevada a categoria de “pessoa de quatro patas”.
O engraçado é que algumas pessoas que são amigas da minha família e que não gostavam de cachorro, dizendo que nunca teriam um em casa, se encantaram tanto com a Fridona, que arrumaram um companheiro canino pra trazer alegria em suas vidas!
A Frida encanta pela forma estabanada e incondicional em que ama! Ela não sabe falar, não tem escolaridade, mora numa casinha no quintal e não entra dentro de casa. Mas pra ela nada disso é problema. O importante pra ela, são os momentos em que ela pode passar perto de mim, da minha esposa, da Chambinha (minha gata), e dos amigos que nos visitam. Ela aproveita esses pequenos momentos e com sua alegria, ganha o coração e o respeito de quem a conhece.
O que eu estou querendo falar com isso?
Estou querendo falar, que se uma pessoa é triste, amarga, tímida demais e se sente inferior por vários motivos que a vida lhe impôs, ela perde o poder do encantamento, e isso joga contra ela! Pois se uma pessoa demonstra ser uma pessoa legal, amável, companheira, “pau pra toda obra” e principalmente feliz, tenha certeza que coisas boas acontecerão na vida dessa pessoa. Seu serviço vai melhorar, suas relações pessoais vão melhorar, seu nível social vai melhorar, sua auto-estima vai melhorar e “de tabela”, vai contagiar a auto-estima de quem estiver do seu lado. Quem não quer conviver ao lado de uma pessoa assim?
Por isso acho que a Frida é tão querida por minha família, por meus amigos e por todo mundo que a conhece! Por isso hoje ela subiu de cargo. Não é mais uma cachorra e sim, uma pessoa de quatro patas!
Faça você também como a Frida faz, e suba de cargo na vida e no reconhecimento das pessoas. Deixe a vergonha e o amargor de lado, seja e faça as pessoas felizes. Você só tem a ganhar com isso, e todos a sua volta também!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Olhar de cinquenta anos

Sabrina, Jonas, Augusto Cesar e Priscila entraram pelo salão de festas trazendo o bolo de bodas de ouro do vovô Valter e da vovó Soraia. Os velhos esperavam o bolo chegar, rodeados pelos filhos e amigos, que cantavam “parabéns pra você”. Uma lágrima escorreu pelo rosto da “vovó Sosô” e do “vovô Vartinho”. A cinquenta anos atrás eles nunca imaginariam que um dia chegariam a um momento desses.
Em 4 de agosto de 1952, Soraia era uma linda jovenzinha que trabalhava no mercadinho de seu “Manoel português”, um homem bom como patrão, mas muitíssimo exigente com seus funcionários. Soraia estava pesando um quilo de feijão para uma cliente, quando Valter entrou pelo mercadinho apressado para comprar batatas.
- Seu Manoel! – Falou Valter num só fôlego. – Me dê um quilo de batatas meio rápido, porque já está quase na hora de eu ir pra escola e minha mãe ainda não fez o almoço.
- Olhe garoto, vais ter quê spêrar a sua veixz! Purquê tem umas pssoas qui chigaram em vossa friente!
Soraia olhou para Valter com cara de poucos amigos... Ela detestava esses apressadinhos que vinham tumultuar o seu serviço.
Em 3 de setembro de 1953, Soraia esperava o ônibus para ir ao cinema encontrar seu namoradinho novo, um rapaz loiro que tinha os olhos mais azuis de todo o mundo! Perdida em pensamentos ela nem notou quando Valter sentou-se ao seu lado no banco do ponto de ônibus e começou a folhear um gibi do “Cavaleiro Solitário”. Os dois entraram no mesmo ônibus e mais uma vez sentaram-se lado a lado, até chegarem à porta do cinema. Soraia logo encontrou o rapaz loiro e Valter logo encontrou seus amigos que foram até ali pra trocar gibis e dar uma paquerada nas meninas.
Em 23 de maio de 1954, Soraia passeava com sua amiga Gorete pela praça da catedral, quando Valter passou em sua bicicleta olhando para Gorete, que era a menina mais linda da cidade.
Valter descuidou-se com os olhares e nem viu o banco da praça! Foi um capote só! Sorte que Valter caiu dentro do chafariz e apesar de ter se molhado todo, não se machucou além de uns arranhões.
Em 17 de janeiro de 1957 Valter discutia com sua namorada Ermínia sentado num banco da praça do coreto, enquanto Soraia namorava Arlindo num banco ao lado. A discussão de Valter se elevou tanto que Ermínia deu-lhe um tapa no rosto. O estalo foi tão alto que no banco ao lado Soraia e Arlindo até se assustaram! Quando olhou para ver quem tinha apanhado, Soraia só viu um rapaz indo embora com sua bicicleta por entre o jardim.
Em 22 de dezembro de 1959 Soraia estava junto com as meninas da igreja, passando de casa em casa fazendo uma coleta para montar cestas de natal para pessoas carentes. Ela bateu numa casa e a dona saiu muito brava, falando que não tinha nada para ajudar e que já estava cansada de pessoas enchendo o saco em seu portão. Valter passava pela rua e vendo o destempero da mulher, parou sua bicicleta e entrou no assunto defendendo a “menina da igreja”.
- Dona Rute! – Falou Valter em alto e bom som. – Isso que a senhora está fazendo não é legal! As meninas da igreja estão tentando fazer uma boa ação! Se a senhora não quer ajudar é só falar que não e fechar a porta, não precisa falar besteiras pra menina.
Foi a primeira vez que Soraia encarou os olhos de Valter. Ele era um desconhecido pra ela e ela era uma desconhecida pra ele.
Hoje, mais de cinqüenta anos mais tarde, os dois velhinhos se abaixaram para apagar as velinhas de cinqüenta anos de união. Ela encarou os olhos de seu velho e se lembrou desse dia em que ele a defendeu. Os olhos eram os mesmos, e a pessoa por trás deles também.
Novamente ela se encantou por aqueles olhos...
Jovens olhos.
Olhos de cinquenta anos...
Do amor de sua vida!



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A salvação de Jonas

Olá amigos! Essa é uma re-postagem de um texto que escrevi a mais ou menos um ano. Como a rotatividade do blog é grande, eu acho que vale a pena postar de novo. Um grande abraço a todos!



Jonas olhou a sua volta, tudo estava escuro, a lama cobria-lhe o joelho, a cada passo que ele tentava dar se atolava mais e mais. Jonas não via saída, o caminho estava difícil demais pra ele. O sol já não batia mais em seu rosto, a floresta era muito densa e as arvores encobriam o horizonte. De dentro da vegetação ele ouvia sussurros e uivos. Parece que falavam dele, mas não dava pra ter certeza pois as vozes vinham de sombras que ora apareciam por detrás das folhas e ora sumiam fazendo algazarra.
- Ei! - Gritou Jonas - vocês aí, me ajudem. Estou perdido!
Não adiantava, a cada grito de Jonas, a cada pedido seu, as vozes se calavam e apenas olhos esbugalhados apareciam em meio ao breu. Esses olhos pareciam curiosos pra saber se Jonas iria sair da enrascada em que estava mas não pareciam querer ajudar.
Jonas estava aflito, e com esforço sobre-humano ainda dava passos lentos e tentava prosseguir. Ele levantava uma perna da lama pegajosa, inclinava seu corpo pra frente e pisava mais adiante, depois repetia com a outra perna e assim ia tentando sobreviver.
De vez em quando Jonas sentia que alguém segurava sua perna e lhe puxava pra baixo, ele sentia que de vez em quando alguém colocava mais lama no meio do caminho, mas Jonas precisava vencer, Jonas precisava prosseguir, Jonas precisava respirar, Jonas precisava sobreviver.
Foi quando uma pessoa apareceu do outro lado do caminho, ela parecia conhecida. - Olá! - Falou Jonas - Você é a minha professora da quarta série?
A pessoa não respondeu mas jogou um livro para Jonas, o livro se depositou no fundo da lama e Jonas pôde se apoiar nele. Foi quando mais pessoas apareceram ao lado do caminho. Todos pareciam conhecidos de Jonas, uns pareciam antigos professores, um parecia com o dono da livraria, outro parecia o dono da banca de jornais, e eles foram jogando livros e mais livros para Jonas.
Jonas notou que essas pessoas que hoje vinham lhe ajudar, ele, no decorrer de sua vida, não havia dado muita importância a elas...
Mesmo assim elas arremessavam revistas, jornais e muitos livros para ele.  
Jonas ia usando esses livros como escada, subindo, subindo, saindo da lama até que conseguiu sair do buraco em que estava. Até que conseguiu atingir terra firme, terra sólida e sair da densidão daquela floresta negra... 
Então o sol bateu de novo em seu rosto, então as cores da vida tornaram a aparecer.
Então, Jonas sorriu!