Velhos conceitos...
De mentes velhas.
Mesmo que em corpos novos
mesmo que em corpos jovens
mesmo que em novos corpos jovens...
Os conceitos podem ser velhos.
A reciclagem da vida
não encontra guarida na teimosia
teimosa
terrivelmente teimosa...
Mesmo que o mundo mude
mesmo que tudo mude
mesmo que o mudo fale!
Os conceitos
na cabeça
do teimoso, espuma menos que na cabeça do burro velho...
E o burro velho
mesmo que em novos corpos jovens
sofre!
Pois ele está aprisionado em si mesmo.
Em sua soberba
em seu orgulho...
E as novas idéias,
as novas cores
novos cheiros
nova vida...
Não encontra guarida na cabeça do burro velho...
Ele só enxerga o que quer enxergar
o que quer
o que quer
o que quer?
Não!
Ele só enxerga o que sua teimosia deixa
e ela não o deixa enxergar muita coisa
pois ele está aprisionado
em velhos conceitos
velhas idéias
velhas
velharias
inúteis e ultrapassadas!
Velhos conceitos
conceitos sem concerto
velhos
conceitos...
Inúteis e ultrapassadas, velhas, velharias,
pensadas
num tempo
onde essas idéias velhas
eram novas
mas o tempo
passa
tempo que passa
tempo que já foi...
Reciclagem!
Reciclagem de conceitos
reciclagem de velhas
velharias
reciclagem...
Movimento!
Idéias em movimento
movimento de idéias...
Novos conceitos!
Basta ter coragem
basta ter
basta ter novos conceitos
novos rumos
novas idéias...
Reciclagem!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Bebéco
Eu era um adolescente viciado em música nos anos 80! Agora com mais idade e menos cabelo, restou o vício e uma apuração natural onde o "meu" bom gosto dita a regra no meu cd-player.
Durante esses vários anos de roqueiro e bluseiro eu ví muita gente ruim fazendo sucesso e muita gente maravilhosa pasando quase despercebida do grande público.
Eu não tenho a resposta pra isso, sinceramente acho que é o poder da mídia e do dinheiro que corrompe o gosto do povo.
O cara mais injustiçado do rock nacional pra mim se chama Bebéco Garcia, um guitar-man e compositor além de cantor, de primeiríssima qualidade. Nos anos 80 ele fazia parte de uma banda que se chamava "Garotos da Rua", que acabou tendo uma ou duas músicas tocando no rádio aqui na região sudeste. Um dia, eu na minha curiosidade musical e gosto pelo underground, comprei um disco desses caras, acho que foi em 1987 ou 1988... Fiquei fã na hora!
Mais tarde descobri que lá no sul eles tinham muitos fãs e levavam muita gente a seus shows, mas isso foi muito pouco pela genialidade desse cara!
Mais tarde descobri que lá no sul eles tinham muitos fãs e levavam muita gente a seus shows, mas isso foi muito pouco pela genialidade desse cara!
Meu nenê Samuel foi fabricado ao som de "Meu coração não suporta mais" e "Eu já sei", que são músicas desse cara. Infelismente ele morreu de infecção generalizada contraida durante uma cirurgia em 2010. Morreu quase anônimo nesse nosso país da "bunda".
Hoje resolvi fazer uma pequena homenagem aqui no meu blog pra esse cara que fez e faz parte de horas tão boas na minha vida!
Aqui em baixo tem um vídeo falando sobre a vida, carreira, e a obra desse cara, se você puder, tem muitos sites com links pra baixar seus discos. Procure por Garotos da rua e por Bebéco Garcia!
Hoje resolvi fazer uma pequena homenagem aqui no meu blog pra esse cara que fez e faz parte de horas tão boas na minha vida!
Aqui em baixo tem um vídeo falando sobre a vida, carreira, e a obra desse cara, se você puder, tem muitos sites com links pra baixar seus discos. Procure por Garotos da rua e por Bebéco Garcia!
É o bom e velho rocknroll... Infelismente descriminado nesse país que não dá valor ao talento!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Heróis
Quando eu era criança, tinha três pessoas que pra mim, eram os caras! Um era o Peter Parker, o outro era o Jerry Lewis e o último era o Frank Poncherello. O Peter Parker, pra quem não sabe é o Homem-aranha, dããããã! Eu gostava dele porque ele não era chatão igual ao Super-homem que resolvia seus problemas sem esforço nenhum... O Homem-Aranha apanhava e sofria muito pra conseguir vencer seus inimigos. Isso sem contar que o Peter Parker era um durão na vida, trabalhava e estudava feito um camelo e ainda só se dava mal no final, eu adorava isso! Ficava esperando o gibi chegar na banca do seu Nicolau que todo mês separava o meu “O espetacular Homem-Aranha.” Inclusive a banca do seu Nicolau foi o primeiro lugar na minha vida em que eu abri uma “conta”, porque quando eu não tinha dinheiro ele deixava eu levar o gibi pra pagar depois.
O Jerry Lewis era um comediante que foi muito famoso no final da década de 60 até meados da década de 80. Seus filmes passavam na sessão da tarde, e quando passava, as ruas ficavam vazias de crianças, pois a molecada só saía de casa depois do fim do filme! Eu imitava o jeito idiota do Jerry Lewis conversar, rir e andar, até hoje quando dou risada, a minha se parece com a dele. Acho que foi uma herança dessas tantas imitações que acabou ficando.
Mais o cara que eu era mais fã, se chamava Frank Poncherello! Ele era um policial de um seriado que se chamava “CHiPs”, que tinha um enredo baseado em dois policiais que trabalhavam nas rodovias no que eles chamavam de “radio patrulha rodoviária.” Os dois policiais era John Bacher que era o cérebro, inteligente e cabeça pensante da dupla e o Frank Poncherello que era o meio burrão, meio doido, que resolvia as coisas sempre do jeito mais difícil, mas que era o engraçado.
O Poncherello morava num trailer, e eu me lembro até hoje de uma cena onde ele chegou em casa e com uma mão só, quebrou um ovo dentro de um copo e depois tomou o ovo cru! Ah... Eu não tive dúvidas, peguei um ovo e com minha mãozinha de criança penei pra quebrar com uma mão só! Acho que quebrei uns dez ovos, até acertar. Aí quando consegui tomei o ovo numa golada só... Vomitei na pia inteira!
Esses heróis da minha época de criança até que eram bons! Não tinham malícia, não usavam de violência, eram até meio bobos. Outro dia na TV eu assisti a um programa onde o repórter entrevistou umas crianças, e elas diziam que seus heróis eram os chefes do narcotráfico! Eu fiquei pensando nisso... Acabei chegando a conclusão que a culpa é mais uma vez dos pais, porque a criança de livre e espontânea vontade não vai torcer pro bandido, a não ser que esse bandido venha a lhe ser apresentado como mocinho! E quem é que tem que dar o discernimento pra criança e lhe ensinar o caminho certo?
Pais... Olhem com carinho com quem seus filhos andam, com quem eles conversam na internet, quem é o amiguinho dele e de onde vem, e principalmente apresente bons heróis e exemplos pro seu filho, senão ele pode acabar sendo seu inimigo também! Pois se você quiser reagir quando ele já estiver com a personalidade formada, talvez seja tarde demais.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Resto de festa
Eu estacionava meu carro pela manhã numa rua que fica ao lado do meu serviço e em frente a uma praça. Enquanto manobrava para estacionar eu reparei num senhor que caminhava lentamente atravessando a rua. Ele estava com roupas muito sujas, vestia uma calça clara, uma camiseta dessas de propaganda política e um farrapo de blusa cobria-lhe as costas.
Com uma das mãos ele segurava um saco de pano grosseiro que caía sobre as costas. Na cabeça, além de uma farta cabeleira suja e enrolada, tinha também um boné encardido que em algum dia devia ter sido branco.
Eu acabei de estacionar e segui em direção ao meu serviço. Enquanto andava eu vi o homem pegar uma bituca de cigarros no chão e sentar-se num dos bancos da praça. Depois, como ventava um pouco, ele colocou uma das mãos na frente da bituca e com a outra tentava ascendê-la.
Nesse momento um cidadão que vinha em sentido contrario, olhou pra mim com uma cara de quem contava uma piada muito engraçada e apontando com a cabeça, esticou o beiço para o andarilho, falando:
- Aí... Isso aí é o resto da festa que sobra pra nossa cidade!
Eu não retribuí o sorriso e nem o gracejo que essa pessoa ignorante me fez. Pelo contrário, essa frase infeliz dele, chamando um outro cidadão de “resto de festa”, na verdade mostrou a dureza de coração, a falta de educação e a falta de humanidade que ele carrega dentro de si.
A gente nunca sabe o que leva uma pessoa a sair pelas ruas como andarilho. A gente não sabe se ela tem problemas psíquicos, se ela teve uma dolorosa decepção e não conseguiu se controlar depois disso, se ela teve ou não uma base familiar que o auxiliou durante a vida, se ela é assim por opção, ou seja lá o que for!
Por isso acho que as palavras de sarcásmo e ironia, que esse sujeito usou, chamando o andarilho de “resto de festa”, foram infelizes.
Mesmo que talvez a gente não faça a nossa parte colocando a mão na massa para fazer um mundo e uma sociedade mais justa e igualitária, onde todas as pessoas tenham condição de vida e apoio nas horas difíceis, pelo menos consideração pelo ser humano independentemente do seu aspecto e condição social, é a nossa obrigação!
Fazer graça na desgraça dos outros, não é humor! Nem humor negro, pois o humor negro trabalha em coisas absurdas, mas não reais como a vida desse andarilho...
Pense nisso!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Penas para o ar
Meu irmão Júnior, tem um repertório de "causos" que ele sempre conta nas reuniões de família. Esse aqui é um deles. Ele escreveu pra que eu colocasse no meu blog. Achei que ficou divertido e que vale a pena você ler e dar um pouco de risda! Ele jura que é verdade... E posso falar como irmão mais novo, que ele não é muuuuito mentiroso!
No ano de 1972 , eu tinha 9 anos de idade e morava com minha avó em Barretos, numa casinha bem simples de três cômodos e bem distante da do centro cidade , o vizinho mais próximo era a “Maria Macumbeira” que morava ao lado (que eu achava que não valia como vizinha), depois dela, o segundo mais próximo ficava a uns quatro quarteirões. Nós não tínhamos energia elétrica, água encanada, nem nada que pudesse significar algum conforto, pelo contrário, a vida era bem difícil porém como vão perceber bem ela era divertida!
Minha avó era muito rígida comigo (à moda das pessoas rústicas e honestas de antigamente), também era uma polivalente, pois cuidava da casa, cuidava de um mercadinho, criava galinhas e o melhor de tudo! Era a única parteira da cidade! Além disso fazia caridade e trabalhos sociais na sua Igreja. Não preciso dizer que eu participava de tudo isto de forma direta e indireta e ai de mim se não participasse.
Um dos maiores orgulhos de minha avó eram suas “preciosas” galinhas caipira e seus galos da raça índia, todo ano era certeza que ela expusesse esses galináceos, na feira de animais que acontecia na Festa do Peão. Ela não admitia que suas galinhas não fossem premiadas sempre com o primeiro lugar! O pior (ou melhor, pra ela), era que sempre levava o premio maior.
Mas como será que estas galinhas chegavam até a Festa do Peão? Aí é que começava o meu drama. O netinho lindo da dona Lourdes era a transportadora...
Eu como ator coadjuvante nas peripécias da minha avó, andava a pé (pois nem bicicleta eu tinha), por essa cidade toda, hora transportando galinhas, ora buscando latas de lavagem para os porcos e em todas as situações pagando meus vários “micos.”
Todo ano, sempre no primeiro dia da festa do peão, eu acordava bem cedo, fazia um desjejum puxando uns 15 baldes de água da cisterna que parecia não ter fundo. Comia algo bem rápido, pois não podia me atrasar. Daí minha avó “adoravelmente” colocava as estrelas galináceas fêmeas num saco, e os galãs galináceos machos em outro. Eu (a transportadora), colocava estes sacos nas costas, e ia sempre á pé, rumo ao local da exposição dos animais, que ficava num bairro bem distante. Ia sempre de chinelo de dedos, isso quando “havainas” era chinelo de pobre! O sol escaldante maltratava minha pele de menino, por isso eu sempre pensava num plano para acabar com aquele evento. Mas logo depois me conformava com o que o destino tinha me reservado. Este trajeto de ida e volta demorava mais ou menos duas horas, eu chegava exausto, e minha avó sempre, “mas sempre mesmo”, perguntava porque eu tinha demorado tanto. Se eu pudesse pelo menos lançar meu olhar de ira já ia ficar satisfeito, mas naquele tempo uma criança jamais podia confrontar uma pessoa mais velha, nem mesmo em pensamento! Falando nisso acho que minha avó lia meus pensamentos! Que coisa mais louca... O sistema era bruto!
Mas um ano, eu resolvi dar uma de esperto. Repeti o ritual até o ponto de iniciar a longa e exaustiva caminhada, mas com um plano já arquitetado na minha mente. Andei uns 500 metros para despistar minha avó e peguei o ônibus, com o dinheiro que minha tia Mariana tinha dado para eu chupar um sorvete (saudades da Tia Mariana!) Então, dentro do ônibus, eu me sentia numa limusine! Sentei bem no meio num banco que parecia mais um brinquedo de pula-pula! Fomos eu e as estrelas galináceas.
Depois de uns quinze minutos achando estranho que todos me olhassem feio apenas pelo barulho dos cacarejos, resolvi investigar se as madames tinham feito alguma sujeira dentro do saco. Porque fui fazer aquilo! As amarras do saco se soltaram e foi galinha pra todos os lados. Parecia um caminhão de galinhas!
E parecendo vingança, as galinhas sujaram todo o ônibus. Eu desesperado, tentando pegá-las, inocentemente pedia ajuda, mas o que ouvia era:
- Credo que nojo! - Ai Jesus que é isso? - Ah... Só podia ser o neto da parteira!
Como percebem, todos conheciam minha avó, eu mesmo não tinha nome, porque numa época onde os meninos, principalmente os bem pobres como eu, eram em sua maioria meros desconhecidos, pelo menos eu era “o neto da parteira.“
Então depois de muito lutar, não sabia quem estava mais cansado! As galinhas, eu, ou as pessoas que assistiam a tudo impassíveis. O motorista parou o ônibus, e finalmente consegui colocar as galinhas novamente no saco. Fui expulso do ônibus junto com as celebridades ensacadas, (o que era de se esperar), mas a tristeza do jeca não era essa, pois certamente levaria uma surra quando chegasse em casa. Pois além de levar quase o dobro do tempo, antes que eu chegasse em casa minha avó já estaria sabendo de tudo, e pensar nisso era realmente aterrorizador...
É lógico que o imaginável se cumpriu. Uma surrinha foi inevitável... Eu jurei matar todas as galinhas, mas logicamente isso não aconteceu pois o que eu mais gostava era dos bichos que nós tínhamos em nossa casa. Galinhas, gatos, cachorro e muitos pássaros soltos pelo jardim.
Para garantir minha integridade, ao final da festa resolvi buscar as madames seguindo a rotina padrão do caminhar, junto ao meu amigo sol escaldante, ou então, na companhia da luz do luar, que lindo né?
Essas lembranças me divertem ainda hoje e trazem a mente as lições de humildade, domínio próprio, mansidão, etc. Tudo dentro do plano e do cuidado que Deus já tinha comigo. Realmente sou muito grato a Ele, pois foi por permissão Dele que tudo aconteceu para a formação de meu caráter.
Então até a próxima ! Deus os abençoe !
Assinar:
Postagens (Atom)

