sábado, 14 de julho de 2012

Deus é brasileiro



Eu tenho uns amigos que trabalham comigo, que estão estudando em diversos momentos de suas carreiras escolares. Um deles está no segundo ano de faculdade, outro está no segundo colegial e o terceiro está fazendo cursinho pra prestar vestibular no final do ano.
Como um deles sabe que eu sou formado em História e Geografia, acabou puxando uma conversa surreal que apesar de divertida, me mostrou o despreparo e desrespeito em que eles são submetidos e atirados para a vida.
- André! - Falou ele. - Se Deus é brasileiro e nasceu em Belém, o que ele foi fazer lá na terra dos turcos se naquela época os homens nem conheciam o Brasil ainda?
Eu fiquei olhando para a carinha dele e não consegui acreditar no que eu estava ouvindo. Um rapaz que está fazendo cursinho para entrar na faculdade fazendo uma pergunta dessas, chega a ser uma vergonha pra qualquer professor ou escola por onde ele tenha passado.
Eu expliquei pra ele que a frase "Deus é brasileiro", é apenas uma frase metafórica que de tanto usada geralmente nos anos 70 e 80, acabou virando um bordão adotado pelos meios de comunicação e pelo povo brasileiro. Expliquei também que acidade Belém da Bíblia e a cidade Belém do Brasil, tem o mesmo nome mas são cidades diferentes. Expliquei também que "turco" é o povo que nasce na Turquia e que o povo do oriente médio por onde Jesus andou, são em sua maioria "árabes", e "judeus", mas que no meio deles coexistem várias outras etnias e povos de vários lugares que ao longo dos tempos foram parando naquela região e assim formando o que o brasileiro generalizou e deu o apelido de "turco".
Tive que explicar também o que era "frase metafórica" e a palavra "generalizou".
Eu ia falar sobre Isac e Ismael que segundo a Bíblia eram irmãos e deram o inicio dos povos judeus e árabes. Mas aí iria ser demais pra cabecinha deles!
Gente! Olha só como está o nível de entendimento de uma grande porcentagem dos jovens de hoje em dia. Eles não sabem ler e interpretar um texto, não conseguem escrever e formular uma idéia, possuem um vocabulário pobre e tem pouquíssima cultura sobre conhecimentos gerais.
Mas a culpa não é deles. A culpa é da industria escolar,que vai passando o aluno de ano, empurrado com a barriga, inescrupulosamente passando o problema adiante. Hoje uma pessoa se forma na faculdade mas não consegue ler um texto sem gaguejar. Não consegue fazer uma simples conta de dividir sem apelar para a calculadora. Não sabe a tabuada do oito!
É... Acho que só por Deus mesmo... Ainda bem que ele é brasileiro...

terça-feira, 10 de julho de 2012

A partícula de Deus e a parte da gente


Uns cientistas sabidões aí, dizem que encontraram "a partícula de Deus". Eu que sou meio orelhudo não consegui entender muito bem o que é esse negócio. Mas depois de dar umas pesquisadas por aí, eu descobri que os caras identificaram uma partícula, que "segundo eles", torna possível a criação de todas as outras partículas. Ela torna possível a criação de todos os outros tipos de massa que existe. Sendo essa massa viva ou não!
Eu que não havia entendido nada antes de dar essa pesquisada, depois de ler uns três ou quatro textos falando sobre o assunto acabei chegando à conclusão que de fato ainda não entendi nada!
Esses dias eu assisti a um documentário que se chama "Quem somos nós", confesso que entendi 10% do que ví. O documentário fala de física quântica, de átomos, partículas, matéria, anti-matéria e mais um monte de coisas malucas.
Eu como sou teimoso e interessado nessas coisas doidas, resolvi assistir o documentário ate entender do que os caras estavam falando. Assisti umas cinco vezes e dos 10% que tinha entendido, agora acho que já entendi uns 15 ou 16%... Uai, isso é sinal de "pogresso" não é não?
Sabe, eu acho que ultimamente as pessoas estão muito preocupadas com os porquês das coisas e tentando explicar os inexplicáveis da vida. Na ciência, na psicologia, na religião, nas relações humanas e por aí vai. Muita gente está tentando explicar a religião e querendo impor as suas filosofias e doutrinas. Eles querem impor suas razões e provarem que estão certos no que acreditam. Os governos gastam milhões com experimentos e estudos científicos que no final das contas não vão acrescentar em nada na vida e no bem estar das pessoas.
Claro que muito dinheiro é gasto com coisas boas que justificam o investimento e que trazem retorno para a humanidade. Mas pelamordedeus, o que eu quero saber sobre a "partícula de Deus"? Ou se tem água congelada em Marte, ou se o deserto volta a ser inundado pelas águas a cada quinze mil anos devido a inclinação terrestre?
Eu quero saber é da gentileza humana, do bom trato, da educação, da preservação da família, da alegria nos lábios das pessoas, da paz no coração.
Eu quero ver é o povo bem alimentado, bem vestido, com todos os dentes na boca. Um povo intelectualmente evoluído.
Pra mim isso é o que importa! Eu não vou pescar em Marte pra querer saber se lá tem água! Não tô nem aí pra matéria que possibilita que apareçam mais matérias... O mundo tá cheio de materiazinhas abandonadas pedindo esmolas nos sinais de trânsito. Isso sim é o que me importa.
Acho que já está na hora da gente mudar o nosso foco, o nosso olhar, a nossa atenção, os nossos investimentos!
Me desculpem se magoei algum cientista, político, antropólogo, religioso ou inteligentão aí... É isso que eu penso. Mas como eu já disse, eu sou meio burrão!

sábado, 7 de julho de 2012

O andarilho





Eu tenho algumas estórias boas com andarilhos. Eu gosto de observar e se der até conversar com eles porque alguns tem uma vida rica em acontecimentos mesmo perdidos com suas loucuras e maluquices.
Uma vez eu comprei um cartão pra dar de presente a uma menina que eu namorava, eu fui no bar que fica lado do meu serviço, com o cartão na mão e estava pensando no que eu poderia escrever, quando entrou no bar um desses andarilhos. 
O cara estava bem fidido, com a pele cor de sujeira de asfalto, com o cabelo tipo Bob Marley, vestindo uma jaqueta de exercito toda cheia de desenhos feitos com caneta bic, tipo umas carinhas do Che Guevara, outras do Raul Seixas e uns embleminhas de "não nazismo", com uma suástica cortada. Ele também tinha uns trinta colares feitos com aquelas travinhas de latinhas de cerveja. Parecia um personagem de estórias em quadrinhos. 
Ele entrou, ficou bem no meio do bar e começou a falar em voz alta: - Eu sou fruto desse sistema falido! Porque o homem é produto do meio! Desgraçada... Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha apinião... Vagabuuunnnda!!! Achei que as urnas iriam me salvar dessa vez, mas olha o preço que está a pinga!
Então ele olhou pra mim de cima embaixo e falou: - Gordinho, deixa eu escrever nesse cartão pra você?
- Tá maluco? - Eu falei sem acreditar no que estava ouvindo. - Esse cartão custa dinheiro...
- Eu tenho dinheiro - falou ele enfiando a mão no bolso e tirando uma bolota de notas amassadas - se eu estragar o cartão o dinheiro é seu, se ficar bonito você me paga uma pinga!
- Ah então tá bom. - Falei entregando o cartão pra ele.
Ele se apoiou no balcão perguntou o nome da menina que eu namorava, então se virou meio escondendo o que iria fazer e me falou: - Vaza gordinho, seu curioso, depois você vê quando estiver pronto.
Eu fiquei olhando de longe e o cara tirou uma caneta que estava presa na orelha e começou a fazer uns rabiscos no cartão e eu pensei: "Caramba agora vou ter que ir na papelaria comprar outro cartão!" 
Depois de alguns minutos, e muitos rabiscos, ele entregou o cartão pra mim.
Eu não acreditei! O Andarilho escreveu o nome da menina na vertical em letras góticas tipo aquelas de diploma e em cada linha escreveu  um verso de um poema... Puxa! Como ficou legal isso!
Eu falei então pro dono do bar sorrindo contente: 
- Pode dar a pinga dele seu Realino. Melhor, pode dar duas pingas!
- Me coloca num copo descartável por favor - falou o andarilho.
Ele pegou a pinga molhou a garganta e falou pra mim: 
- Foi bom negociar com você gordinho, mas toma cuidado que mulher é coisa do capeta! - Então ele saiu cantarolando  "eu prefiro seeerrr essa metamorfóse ambulante..."  
Eu nunca mais o ví!
Essa foi uma lição que aprendi na vida, não olhar para as pessoas com os olhos críticos do preconceito, porque a gente pode ser surpreendio.
Esse andarilho deve estar andando por aí com suas idéias malucas, com seus "Rauls" na cabeça, e escondendo uma pessoa culta, que sabe escrever em letras góticas, que certamente estudou, e que talvez por uma decepção amorosa foi viver num mundo só seu... Um mundo particular, onde nada é o que parece ser!

Amigos! Essa é mais uma re-postagem de um texto que gosto muito.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Matilde



Matilde estava desanimada. Sua vida profissional não ia nada bem. Ela trabalhava numa empresa que detestava. Detestava seus companheiros de trabalho, achava-os falsos demais, sempre falando pelos corredores coisas ruins de quem não estava por perto. Isso deixava Matilde furiosa! Seu patrão também não era legal. Aquele porco capitalista que só pensava em resultados, resultados, resultados! Matilde nunca o ouviu falar um obrigado... Nunca o ouviu agradecer nada. Muito pelo contrário o cara sempre queria mais e mais e mais!
Na sua vida amorosa as coisas também não iam nada bem. Matilde não firmava com namorado algum. “Os caras de hoje em dia só querem transar e depois tchau!” – Pensava Matilde com seu diário. Não tem mais homem que presta nesse mundo, só tem homem galinha e quando não é galinha é cachaceiro!
Das suas amigas, Matilde só tinha um contato razoável com Adriana. Ela era a única que suportava as reclamações de Matilde. Sobre a vida, sobre os namoros, sobre o serviço e sobre a sua família. Mesmo assim, Matilde não confiava cem por cento em Adriana, pois a viu beijando um cara que ela havia namorado a alguns anos e Adriana sabia disso. Mesmo com a Adriana explicando-lhe que já fazia muito tempo que o cara e Matilde haviam terminado e que eles só haviam namorado dois meses e que ela não sabia que isso magoaria tanto a amiga... Não adiantou. A amizade continuou, mas não era mais a mesma.
Matilde não gostava de sua família. Eles eram aproveitadores. Só vinham à casa dela se fosse pra algum almoço, e nunca trouxeram nem um guaraná! Matilde ia pouquíssimo a casa dos tios, tias, primos e primas. Seus país não a compreendiam e seu irmão... Um idiota que só pensava em trabalhar e estudar. Eles conversavam pouquíssimo.
Matilde nos últimos meses só se sentia bem quando ia ao consultório de seu psicólogo. Ela deitava no divã e falava, falava, falava e saía sempre de lá descarregada. Parece que seu ódio e repulsa ficava ali. Pelo menos pelo resto da tarde Matilde vivia feliz. Mas hoje Matilde pediu sinceridade ao seu psicólogo sobre qual era o problema do mundo que estava contra ela desse jeito!
O doutor olhou pra ela profundamente e teve a “audácia” de lhe falar que o mundo era assim mesmo e que o problema era com ela! Ah... Isso Matilde não agüentou... Jurou nunca mais ir a nenhum psicólogo... Esse tipo de gente covarde que só quer ganhar dinheiro ouvindo os problemas dos outros.

sábado, 30 de junho de 2012

Alegria de viver



Enquanto a água fervia, ele colocou o coador de papel no suporte e depejou três colheres de pó de café dentro dele. Na água que fervia ele colocou açúcar e deixou mais um tempinho até que ele dissolvesse. Depois colocou a água adocicada no coador e logo percebeu o perfume do cafézinho no ar.
'Hummmmm que delícia!" Pensou ele sorrindo enquanto enchia a garrafa térmica.
Depois pegou um pãozinho quentinho que acabara de trazer da padaria e antes de cortá-lo, deu-lhe uma bela "cafungada" para sentir o cheiro de pãozinho fresco. Sua boca encheu de água. Depois abriu a geladeira, pegou o pote de margarina e lambuzou o pão fartamente do jeito que ele gostava de fazer. De tão quente que estava o pãozinho, a manteiga chegou a derreter.
Ele então encheu a xícara com o café, pegou o pãozinho e foi sentar-se na varanda.
Antes de dar a primeira bocada ele agradeceu a Deus por esses momentos tão gostosos e por ter o privilégio de notá-los. Infelizmente as correrias do dia-a-dia impedem algumas pessoas de perceber que um simples café da tarde pode ser um momento tão prazeroso.
Ele se ajeitou na cadeira, e feliz da vida, comeu seu pãozinho e bebeu seu café!
"Ah... Como é bom viver!"