Ele se levantou, escovou os dentes, fez xixi e tomou um copo de leite. As festividades do final do ano não cairam muito bem no seu estômago. Algumas cervejinhas a mais. Um vinhozinho extra. Um champanhe rosê, um branco e um daqueles bem fididos que aquela tia avarenta sempre leva.Tudo isso combinado com uma dose a mais de comida e uns docinhos deliciosos acabam formando um coquetel molotov que de vez em quando explode em gases que contribuem para a destruição da camada de ozônio!
Dando umas batidinhas na barriga enquanto anda pelado pela casa ele pensa: "Acho que deve ser por isso que janeiro é tão quente... Os gases aumentam muito na primeira semana né?"
Ele está se preparando para o primeiro dia de mais um ano. Se esse ano continuar no mesmo ritimo dos demais ele sabe que muita coisa vai acontecer. Ele vai sorrir, ele vai chorar, ele vai ter vitórias e perdas tambem. Ele vai ter felicidade e paz, mas também vai ter impaciência e momentos de raiva. Mas ele sabe que isso é que faz a vida boa de ser vivida, e ele quer mais é viver!
Então ele toma um banho, passa um perfuminho e se ajeita pra ir trabalhar. Ele sabe que as rotinas da vida matam, mas também salvam! Cabeça vazia é oficina do capeta, já dizia sua avó! Então ele vai trabalhar. Ele sabe que não tem o melhor serviço do mundo mas sabe que está longe de ser o pior tambem... Ele sai feliz por mais um ano que começa e por saber que Deus lhe deu a honra de ter acordado e vivido 365 dias no ano que passou. Agora ele está pronto pra mais uma batalha. Aí vem mais 366 dias e ele quer estar presente em todos eles pra que daqui a um ano ele esteja assim feliz, cheio de comidinhas e bebidinhas e contribuindo para acabar com a camada de ozônio e deixando os janeiros cada vez mais quentes...
sábado, 31 de dezembro de 2011
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Um ano de boas guerras
Rufus, o cavalo de Valfredo vinha quase que cambaleando pela estradinha que trazia até a cidade. Desmaidado de sono e jogado em cima dele vinha seu dono e companheiro de tantas aventuras. Esse ano os dois passaram por muitos apuros juntos. Muitas batalhas, muitas justas, mataram muitos inimigos, muitos bruxos, muitos cavaleiros negros e praticamente um dragão por dia.
O dia estava raiando quando Rufus ganhou a praça central da cidade e se encaminhou para a casa de Valfredo. Eles estavam exaustos. Acabaram de salvar a princesa de West City das mãos do Rei da Laubânia. O rei a havia capturado e a fazia refém em seu castelo. Valfredo teve que agir como um agente secreto e se infiltrar entre os cavaleiros da Laubânia para poder chegar até o castelo sem ser notado e assim poder salvar a princesa. O problema é que na hora da fuga eles foram notados e Valfredo teve que enfrentar os soldados da guarda real. Foi uma batalha épica para Valfredo porque a guarda real da Laubânia era conhecida por ter grandes espadachins, mas felizmente pra Valfredo eles não tinham sua experiência na arte de guerrear e um a um foram caindo enquanto Rufus já se posicionava na porta do castelo pra assim os três saírem em uma fuga desenfreada.
Quando chegaram com a princesa de West City às portas de seu principado eles foram surpreendidos em uma emboscada e acabaram descobrindo que foi a própria irmã da princesa que querendo ser a única herdeira do reino a havia traído e entregado ao Rei da Laubânia. Valfredo desceu de Rufus pra enfrentar os cavaleiros e falou pra seu companheiro: - Rufus! Corra com a princesa e a salve! Leve-a para o castelo de seu pai.
Rufus saiu correndo com a princesa enquanto Valfredo ficou ali enfrentando com fúria todos os cavaleiros que fizeram a emboscada. O aço das espadas soltavam fagulhas a cada pancada que davam entre sí. Depois de muitos minutos de luta Valfredo não aguentou e caiu no chão. Quatro cavaleiros que ainda sobravam de pé cercaram Valfredo e quando iriam desferir o golpe de misericórdia ouviram o som de uma trombeta e de uma cavalaria que chegava. Todos correram deixando Valfredo com vida. À frente da cavalaria vinha Rufus guiando a guarda de West City. Os cavaleiros chegaram e saudaram a Valfredo dando-lhe os cumprimentos reais.
Já era tarde e Valfredo morto de canseira não quis ir até o castelo e se despediu alí mesmo da princesa, dos guardas e voltou assim pra casa.
Valfredo e Rufus enfrentaram coisas que nunca imaginaram nesse ano. Mas como tudo o que se semeia com carinho acaba dando bons frutos, chegando ao final desse ano mesmo que esgotado e esfarrapado Valfredo sabia que valera a pena.
Valfredo chegou em casa, desceu de Rufus, desarreou seu amigo e deu-lhe água, milho e soltou-lhe no pasto para descansar. Então a esposa de Valfredo veio lhe ver, deu-lhe um beijo de boas vindas e os dois entraram em casa.
- Val - falou a esposa - o mensageiro do rei deixou essa carta pra você!
Valfredo abriu a carta e viu que nela havia as seguintes instruções:
"Cavaleiro Valfredo,se apresente no castelo de Browistone as sete horas da manhã do dia 3 de janeiro.
Você tem alguns serviços agendados para o mês de janeiro. Entre eles deve matar um dragão que está assustando o povo do vilarejo de Soya, depois tem que caçar o cavaleiro negro que tomou o castelo da Sardênia, em seguida ai se juntar a tropa de cavaleiros da meia cruzada para expulsar os bárbaros das terras baixas da Holanda e por fim caçar a bruxa da floresta negra que está amedrontando os caçadores de raposa."
Valfredo olhou para o céu e com os olhos brilhando pensou: - Puxa vida... Como é bom ter saúde e disposição e poder começar o ano com tanta coisa pra fazer! Assim me sinto cada dia mais vivo e útil! Triste deve ser quem não tem vontade de se virar e viver só de sonhos... Parece que mais um ano feliz vem por aí!
Desejo a todos os amigos, seguidores e visitantes um ano novo cheio de batalhas e com muitas conquistas!
Vivam 2012 com alegria. Tenham disposição e não se deixem cair em armadilhas. Vigie, caminhe sempre pra frente e seja feliz!
domingo, 25 de dezembro de 2011
Anjos
Mais uma re-postagem desse texto. Tomara que no próximo ano esse texto se torne bobo e esse problema não exista mais.
Zezé era menino.
Menino que não sabia.
Menino que não conhecia.
Zezé era um menino que não sabia de onde veio.
Não conhecia seu pai, era filho de pai sem mãe...
Não conhecia sua mãe, era filho de mãe sem pai ...
Zezé foi criado por uma irmã mais velha. Um ano mais velha. Marcia era o nome dela.
Comiam os restos das latas de lixo, dormiam debaixo da ponte, se cobriam com jornal, cheiravam cola e fumavam bitucas de cigarro.
Um dia acharam o corpo de Marcia num matagal, comida pelos vermes e pelos humanos.
A policia achou normal, afinal, era só uma menina de rua mesmo...
Zezé prosseguiu sozinho. Já tinha quatorze anos e uma mulher! Carol.
Carol, que já tinha treze anos. A oito meses grávida...
- Que legal, eu vou ser pai!
E foi!
Comiam os três restos de lixo, comida roubada ou ganhada, o mercadão jogava muitas verduras fóra.
Carol, desnutrida, não tinha muito leite, e quem tinha não dava. Afinal um centavo valia muito falou o presidente!
Um dia a polícia entrou no cafofo. Cafofo era a casa de Zezé, e de Jão, Zé, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e mais um monte de moleque de rua.
Cheirador de cola!
- E esse nenem? - Falou o policial - vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol.
- Vai ele e você!
Carol se atracou com o policial que queria tirar o nenem do seu colo, e os outros moleques entraram na briga, foi uma confusão. De repente um dos policiais puxa a arma e atira!
Legítima defesa ele afirmaria no processo.
Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho cairem no chão...
O tiro atravessou os dois.
Zezé matou um dos policiais a pauladas!
Mais polícia chegou, a televisão chegou, as pessoas chegaram... Mais policia chegou, mais televisão chegou, Os moleques foram presos!
Hoje Zezé está preso... Deflorado, surrado, usado, pisado...
Ele sonha com o dia em que vai sair da cadeia para menores infratores...
Legal né?
Ele sonha...
Afinal ele é criança, que sonha antes de dormir, afinal ele é criança e sonha com fantasias de criança... Criança de quinze anos...
Que sonha acordado!
E sonha com dias melhores... E sonha com os Anjos!
Zezé era menino.
Menino que não sabia.
Menino que não conhecia.
Zezé era um menino que não sabia de onde veio.
Não conhecia seu pai, era filho de pai sem mãe...
Não conhecia sua mãe, era filho de mãe sem pai ...
Zezé foi criado por uma irmã mais velha. Um ano mais velha. Marcia era o nome dela.
Comiam os restos das latas de lixo, dormiam debaixo da ponte, se cobriam com jornal, cheiravam cola e fumavam bitucas de cigarro.
Um dia acharam o corpo de Marcia num matagal, comida pelos vermes e pelos humanos.
A policia achou normal, afinal, era só uma menina de rua mesmo...
Zezé prosseguiu sozinho. Já tinha quatorze anos e uma mulher! Carol.
Carol, que já tinha treze anos. A oito meses grávida...
- Que legal, eu vou ser pai!
E foi!
Comiam os três restos de lixo, comida roubada ou ganhada, o mercadão jogava muitas verduras fóra.
Carol, desnutrida, não tinha muito leite, e quem tinha não dava. Afinal um centavo valia muito falou o presidente!
Um dia a polícia entrou no cafofo. Cafofo era a casa de Zezé, e de Jão, Zé, Cráudia, Alê, Xixa, Carol e mais um monte de moleque de rua.
Cheirador de cola!
- E esse nenem? - Falou o policial - vamos levar pro juizado!
- Meu filho não! - Falou Carol.
- Vai ele e você!
Carol se atracou com o policial que queria tirar o nenem do seu colo, e os outros moleques entraram na briga, foi uma confusão. De repente um dos policiais puxa a arma e atira!
Legítima defesa ele afirmaria no processo.
Zezé que já tinha visto muita coisa nessa vida, viu sua mulher e seu filhinho cairem no chão...
O tiro atravessou os dois.
Zezé matou um dos policiais a pauladas!
Mais polícia chegou, a televisão chegou, as pessoas chegaram... Mais policia chegou, mais televisão chegou, Os moleques foram presos!
Hoje Zezé está preso... Deflorado, surrado, usado, pisado...
Ele sonha com o dia em que vai sair da cadeia para menores infratores...
Legal né?
Ele sonha...
Afinal ele é criança, que sonha antes de dormir, afinal ele é criança e sonha com fantasias de criança... Criança de quinze anos...
Que sonha acordado!
E sonha com dias melhores... E sonha com os Anjos!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Papai Noel e o conselheiro
Papai Noel chegou ao vilarejo. Tudo estava muito escuro, porque ainda não existia eletricidade ligada nas casas. Na verdade as casas da vila não eram assim... Casas.
Eram alguns casebres espalhados pela vila, rodeando a igreja central.
Noel notou que as pessoas estavam reunidas numa espécie de galpão que ficava ao lado da igreja. Então ele amarrou as rédeas que prendiam as renas do seu trenó numa árvore, e foi com cuidado dar uma espiada.
Pé ante pé, Noel chegou até a janela do barracão, e furtivamente começou a espiar. Ele viu que um homem com uma espécie de túnica branca, falava para as pessoas, que atentamente o escutavam sem ao menos piscar. Noel achou interessante aquilo, porque no meio do sertão, onde não existia nada a quilômetros de distância, ele percebia que aquele homem era como um messias para aquelas pessoas. Até uma espécie de cajado ele tinha nas mãos.
Foi quando papai Noel escutou um "click" atrás de sí, e lentamente virou-se dando de cara com dois canos de uma carabina apontados no meio da sua testa.
- Quem é vósmecê?
- Eu sou o papai Noel.
- Pai de quem?
- Noel... Você nunca ouviu falar?
- Vosmecê é purtuguêis?
- Hã...? Português?
- É melhor vosmecê ficá quétim qui eu vô levá ocê pra cunversá com o mestre Antonio Conselheiro.
Então o capiau encaminhou o papai Noel pra dentro do barracão, onde todos ficaram emudecidos ao ver aquela figura estranha.
- Mestre, - falou o capiau. - Esse sujeitim aqui tava ispiano alí da janela. Eu pirguntei quem ele era, e ele me falô qui era o pai dum tar di Noel.
- Não meu filho... - Interrompeu o bom velhinho. - Eu sou o papai Noel!
O velho mestre, chamado pelas pessoas de Antonio Conselheiro, fez um movimento levantando seu cajado, e todas as pessoas se sentaram e ficaram observando. Depois virando-se para Noel, o beato falou: - O senhor é português ou mandado pelo rei?
- Pelo rei? Que rei?
- Oras meu senhor, não te faças de desentendido. Pelo rei de Portugal, colonizador dessa terra chamada Brasil.
- Olha meu filho, ho-ho-ho-ho, eu sou o papai Noel, eu venho das terras gélidas do norte europeu e vim trazer paz e alegria junto com o espírito natalino.
- O que é espírito natalino? - Perguntou Antonio Conselheiro olhando-o de cima abaixo.
- É o espírito de paz, alegria, felicidade, amor! Eu faço isso a muitos anos na europa, e agora meu chefe mandou eu começar a fazer isso aqui nessas novas terras também.
- Seu chefe é o rei de Portugal? O senhor é português?
- Ho-ho-ho-ho - gargalhou papai Noel - eu sigo as ordens de Deus meu filho! Eu represento a união dos povos em torno do nascimento de Jesus!
- O senhor é chegado a uma falácia hein senhor Noel? Onde já se viu dizer que trabalha diretamente com Deus... O senhor é português e trabalha para o rei de Portugal, e está aqui pra confundir meu povo, mas nós não vamos deixar! O senhor tem dez minutos pra se retirar da vila de Canudos; e se voltar aqui, não vai sair com vida. E por favor não seja ridículo com essa roupa vermelha e esse chapeuzinho horroroso! - Virando-se para o capiau que estava com a carabina, Antonio Conselheiro falou: - Chiquinho! Leve esse senhor daqui.
Chiquinho levou Noel até onde o trenó estava amarrado. Papai Noel subiu no trenó e levantou vôo sumindo entre as estrelas. Engraçado é que Chiquinho não se lembra disso e nem sabe como Noel foi embora. No outro dia de manhã era dia de Natal, e uma coisa estranha aconteceu na vila de Canudos. Todas as crianças acordaram com roupas e sapatos novos. Alguns vestiram sapatos pela primeira vez na vida. Ninguém sabe de onde os presentes vieram. Nas mesas dos casebres, apareceu uma espécie de pão engraçado e muito gostoso todo cheio de umas frutinhas cristalizadas no meio.
As pessoas perguntaram a Antonio Conselheiro o que era aquilo, ele simplesmente respondeu que devia ser mesmo coisa de Deus, ou simplesmente uma tentativa do rei de Portugal em fazer as pazes com o povo da vila.
Diz a lenda que essa foi a primeira vez que papai Noel veio ao Brasil, dali em diante ele nunca mais deixou que ninguém o visse quando viesse deixar os presentes para as crianças brasileiras. Dizem que numa conversa informal com um dos anões da fábrica mágica, papai Noel teria comentado que o povo do Brasil é diferente, porque mesmo achando que ele fosse um inimigo, ainda o deixaram ir embora. Todos os anos sequentes até hoje, Noel sempre volta ao Brasil, pena que já no ano seguinte a Vila de Canudos e Antonio Conselheiro não existiam mais.
Mas para a surpresa de Noel, quando Conselheiro chegou ao céu, ele perguntou a Deus sobre aquele velhinho de roupa feia e chapeuzinho horroroso que apareceu uma vez na vila de Canudos. Deus explicou pra ele quem era realmente o papai Noel. Desde esse dia, Antonio Conselheiro mora na aldeia do papai Noel, e ajuda a confeccionar aqueles pães engraçados. Ele faz isso com gosto, pois se lembra da alegria das crianças do seu antigo povoado se deliciando com aqueles pães.
Eram alguns casebres espalhados pela vila, rodeando a igreja central.
Noel notou que as pessoas estavam reunidas numa espécie de galpão que ficava ao lado da igreja. Então ele amarrou as rédeas que prendiam as renas do seu trenó numa árvore, e foi com cuidado dar uma espiada.
Pé ante pé, Noel chegou até a janela do barracão, e furtivamente começou a espiar. Ele viu que um homem com uma espécie de túnica branca, falava para as pessoas, que atentamente o escutavam sem ao menos piscar. Noel achou interessante aquilo, porque no meio do sertão, onde não existia nada a quilômetros de distância, ele percebia que aquele homem era como um messias para aquelas pessoas. Até uma espécie de cajado ele tinha nas mãos.
Foi quando papai Noel escutou um "click" atrás de sí, e lentamente virou-se dando de cara com dois canos de uma carabina apontados no meio da sua testa.
- Quem é vósmecê?
- Eu sou o papai Noel.
- Pai de quem?
- Noel... Você nunca ouviu falar?
- Vosmecê é purtuguêis?
- Hã...? Português?
- É melhor vosmecê ficá quétim qui eu vô levá ocê pra cunversá com o mestre Antonio Conselheiro.
Então o capiau encaminhou o papai Noel pra dentro do barracão, onde todos ficaram emudecidos ao ver aquela figura estranha.
- Mestre, - falou o capiau. - Esse sujeitim aqui tava ispiano alí da janela. Eu pirguntei quem ele era, e ele me falô qui era o pai dum tar di Noel.
- Não meu filho... - Interrompeu o bom velhinho. - Eu sou o papai Noel!
O velho mestre, chamado pelas pessoas de Antonio Conselheiro, fez um movimento levantando seu cajado, e todas as pessoas se sentaram e ficaram observando. Depois virando-se para Noel, o beato falou: - O senhor é português ou mandado pelo rei?
- Pelo rei? Que rei?
- Oras meu senhor, não te faças de desentendido. Pelo rei de Portugal, colonizador dessa terra chamada Brasil.
- Olha meu filho, ho-ho-ho-ho, eu sou o papai Noel, eu venho das terras gélidas do norte europeu e vim trazer paz e alegria junto com o espírito natalino.
- O que é espírito natalino? - Perguntou Antonio Conselheiro olhando-o de cima abaixo.
- É o espírito de paz, alegria, felicidade, amor! Eu faço isso a muitos anos na europa, e agora meu chefe mandou eu começar a fazer isso aqui nessas novas terras também.
- Seu chefe é o rei de Portugal? O senhor é português?
- Ho-ho-ho-ho - gargalhou papai Noel - eu sigo as ordens de Deus meu filho! Eu represento a união dos povos em torno do nascimento de Jesus!
- O senhor é chegado a uma falácia hein senhor Noel? Onde já se viu dizer que trabalha diretamente com Deus... O senhor é português e trabalha para o rei de Portugal, e está aqui pra confundir meu povo, mas nós não vamos deixar! O senhor tem dez minutos pra se retirar da vila de Canudos; e se voltar aqui, não vai sair com vida. E por favor não seja ridículo com essa roupa vermelha e esse chapeuzinho horroroso! - Virando-se para o capiau que estava com a carabina, Antonio Conselheiro falou: - Chiquinho! Leve esse senhor daqui.
Chiquinho levou Noel até onde o trenó estava amarrado. Papai Noel subiu no trenó e levantou vôo sumindo entre as estrelas. Engraçado é que Chiquinho não se lembra disso e nem sabe como Noel foi embora. No outro dia de manhã era dia de Natal, e uma coisa estranha aconteceu na vila de Canudos. Todas as crianças acordaram com roupas e sapatos novos. Alguns vestiram sapatos pela primeira vez na vida. Ninguém sabe de onde os presentes vieram. Nas mesas dos casebres, apareceu uma espécie de pão engraçado e muito gostoso todo cheio de umas frutinhas cristalizadas no meio.
As pessoas perguntaram a Antonio Conselheiro o que era aquilo, ele simplesmente respondeu que devia ser mesmo coisa de Deus, ou simplesmente uma tentativa do rei de Portugal em fazer as pazes com o povo da vila.
Diz a lenda que essa foi a primeira vez que papai Noel veio ao Brasil, dali em diante ele nunca mais deixou que ninguém o visse quando viesse deixar os presentes para as crianças brasileiras. Dizem que numa conversa informal com um dos anões da fábrica mágica, papai Noel teria comentado que o povo do Brasil é diferente, porque mesmo achando que ele fosse um inimigo, ainda o deixaram ir embora. Todos os anos sequentes até hoje, Noel sempre volta ao Brasil, pena que já no ano seguinte a Vila de Canudos e Antonio Conselheiro não existiam mais.
Mas para a surpresa de Noel, quando Conselheiro chegou ao céu, ele perguntou a Deus sobre aquele velhinho de roupa feia e chapeuzinho horroroso que apareceu uma vez na vila de Canudos. Deus explicou pra ele quem era realmente o papai Noel. Desde esse dia, Antonio Conselheiro mora na aldeia do papai Noel, e ajuda a confeccionar aqueles pães engraçados. Ele faz isso com gosto, pois se lembra da alegria das crianças do seu antigo povoado se deliciando com aqueles pães.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O duelo
O sol estava esturricante naquela manhã. As pessoas da cidade de Cactus Valley estavam apreensivas porque um duelo estava marcado para aquele dia.
Alonzo Ceifador, o gatilho mais rápido e maior matador do oeste disse que iria matar o jovem forasteiro chamado Zézim Quicheramobim que veio de um distante país e estava morando numa fazenda vizinha.
Os moradores de Cactus Valley sabiam que Alonzo era terrível e que ninguém tinha chance contra ele, ainda mais um rapazinho que viera de um país onde as armas oficiais eram estilingue e arco e flecha. Seria um massacre!
A filha do delegado, a linda Mary Louise que estava apaixonada por Zézim tentou fazê-lo desistir da idéia de enfrentar Alonso, mas Zézim não via escapatória porque o bando de Alonzo havia cercado a cidade e não havia nenhuma rota de fuga disponível no momento. E o pior é que as pessoas da cidade também não o deixariam fugir porque eles fizeram várias apostas onde jogavam dinheiro tentando adivinhar com quantas balas Zézim iria morrer, ou com quantos minutos ele iria morrer, ou se o seu corpo cairia pra frente ou pra trás quando fosse atingido. Ele virou a atração do dia. Todos tinham total certeza que Zézim morreria naquele início de tarde.
Mary Louise quando viu que não teria jeito e que o duelo realmente aconteceria, levou Zézim para conversar com o sábio do pântano. Chegando na cabana do sábio Mary apresentou Zézim a ele e explicou qual era o problema. O sábio pensou, pensou, meditou e disse:
- Meu filho, esse duelo já está marcado e não tem jeito de desmarcar?
- Não tem sábio - falou Zézim cabisbaixo - todas as pessoas já sabem sobre o duelo e apostaram sobre ele. Não tem jeito e nem pra onde correr.
- Então meu filho - disse o sábio coçando a barba – eu vejo duas saídas pra você. Se você tiver vontade, tiver disposição, não tiver medo, enfrentar com coragem esse Alonso Ceifador talvez você se safe e ainda consiga viver. Mas se você for para o duelo já psicologicamente derrotado, com medo, covardemente e só assistindo as ações do Alonso Ceifador, aí meu filho com certeza ele vai te destruir assim como o Barcelona fez com o Santos.
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