quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A salvação de jonas


Jonas olhou a sua volta, tudo estava escuro, a lama cobria-lhe o joelho, a cada passo que ele tentava dar se atolava mais e mais. Jonas não via saída, o caminho estava difícil demais pra ele. O sol já não batia mais em seu rosto, a floresta era muito densa e as arvores encobriam o horizonte. De dentro da vegetação ele ouvia sussurros e uivos. Parece que falavam dele, mas não dava pra ter certeza pois as vozes vinham de sombras que ora apareciam por detrás das folhas e ora sumiam fazendo algazarra.
- Ei! - Gritou Jonas - vocês aí, me ajudem. Estou perdido!
Não adiantava, a cada grito de Jonas, a cada pedido seu, as vozes se calavam e apenas olhos esbugalhados apareciam em meio ao breu. Esses olhos pareciam curiosos pra saber se Jonas iria sair da enrascada em que estava mas não pareciam querer ajudar.
Jonas estava aflito, e com esforço sobre-humano ainda dava passos lentos e tentava prosseguir. Ele levantava uma perna da lama pegajosa, inclinava seu corpo pra frente e pisava mais adiante, depois repetia com a outra perna e assim ia tentando sobreviver.
De vez em quando Jonas sentia que alguém segurava sua perna e lhe puxava pra baixo, ele sentia que de vez em quando alguém colocava mais lama no meio do caminho, mas Jonas precisava vencer, Jonas precisava prosseguir, Jonas precisava respirar, Jonas precisava sobreviver.
Foi quando uma pessoa apareceu do outro lado do caminho, ela parecia conhecida. - Olá! - Falou Jonas - Você é a minha professora da quarta série?
A pessoa não respondeu mas jogou um livro para Jonas, o livro se depositou no fundo da lama e Jonas pôde se apoiar nele. Foi quando mais pessoas apareceram ao lado do caminho. Todos pareciam conhecidos de Jonas, uns pareciam antigos professores, um parecia com o dono da livraria, outro parecia o dono da banca de jornais, e eles foram jogando livros e mais livros para Jonas, revistas, jornais, e mais livros e mais livros e Jonas ia usando esses livros como escada, subindo, subindo, saindo da lama até que conseguiu sair do buraco em que estava. Até que conseguiu atingir terra firme, terra sólida e sair da densidão daquela floresta negra... Então o sol bateu de novo em seu rosto, então as cores da vida tornaram a aparecer.
Então, Jonas sorriu!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ele



 
Com um pincel Ele pintou as joaninhas, algumas de preto com bolinhas laranja, outras de branco com bolinhas pretas, e ainda umas de verde com bolinhas amarelas. Com verniz cor de imbuia ele envernizou as asas das baratas e dos besouros, se bem que nos besouros antes do verniz Ele deu uma tingidinha com betume, depois deu uma bela polida e pronto, ficou muito chique!
No jardim Ele pegou uma moita de marias-regateira e pintou cada uma de uma cor, umas laranjinhas, outras rosinhas, outras azuladinhas, outras branquinhas, tudo com pinceladinhas e tinta guache.
Na maçã Ele fez uma obra prima! Usou vermelho magenta, amarelo ouro e um pouquinho de branco, foi pincelando, colocando mais vermelho, mais amarelo, umas pitadas de branco e por fim um verniz copal pra dar um brilhosinho.
Ele também fez com papel verde picotado um grande gramado e com bolinhas de massinha marrom fez os tatuzinhos colocando pelos de crina de cavalo cortadinhas pra fazer as perninhas. Também usando massinha ele fez umas cobrinhas pequeninas e fininhas e as colocou na grama e deu a elas o nome de minhoca, com uma espátula pequenina ele fez os risquinhos nas minhocas  dando-as um formato mole com um monte de anéis emendados.
Ele pegou argila e fez um monte de bolinhas, pegou papel de sêda e fez umas asinhas, pegou mais crina de cavalo cortou bem pequenininho e espetou nas bolinhas de argila, aí com o pincel de pelo de malta pintou listrinhas amarelas e pretas nas bolinhas, colocou mais uma bolinha fazendo uma cabecinha e pintou com spray metálico fazendo grandes olhos, a essas bolinhas coloridas Ele deu o nome de abelhas.
Por hoje ele achou que já estava bom. Então ele olhou pra esses bichinhos e plantinhas e falou: - Vivam!
Aí Ele juntou toda a tralha do seu ateliê e foi contente pra sua casa. Muitas pessoas não acreditam que foi Ele quem fez tudo isso e tudo mais o que existe, mas Ele não está nem aí, por isso continua fazendo a cada dia!


sábado, 26 de novembro de 2011

A carência do arrogante


Tem um senhor que eu atendo lá no meu serviço que é um cara um tanto quanto arrogante. Ele é um professor e diretor de escola aposentado. Hoje ele tem um sítio que toma boa parte do tempo dele, o tempo restante ele leva lendo livros e enchendo o saco das pessoas.
Um dia ele descobriu que eu gosto de ler, então ele desceu do trono em que vive e veio falar comigo. Falou que nunca assiste televisão, que nunca assistiu novela, que nunca ligou um rádio, que não torce pra time nenhum, que nem se liga em quem está concorrendo na política e que se pudesse nunca iria votar. Falou que passa o tempo lendo, as horas vagas pra ele são apenas para leitura. E deixou bem claro que só lê clássicos e grandes autores renomados no mundo todo e adora livros difíceis com temas pscicológicos e controversos, e quanto mais inteligente for a trama do livro melhor! Me falou que grandes nomes da literatura mundial deveriam ser nossos melhores amigos!
Eu me empolguei porque nunca ví ele se abrindo com ninguém e falei que (na época), eu estava lendo uma trilogia do Marcos Losekan que se chama "Uma entrevista com Deus", e que era muito boa, que era muito interessante e que prendia a gente do inicio ao fim... Bruscamente ele me intenrrompeu e falou que isso tudo era besteira! Quem era Marcos Losekan? Eu expliquei que era um correspondente da rede Globo e um grande jornalista...
- Bosta - falou ele irritado - achei que você tinha um pouco de cultura!
Então ele olhou pra mim, ajeitou o manto real e a coroa, pegou seu cajado e com um olhar fuzilante foi embora.
Outro dia ele voltou à loja e veio falar de novo comigo, perguntou o que eu estava lendo agora. Eu falei que estava já no terceiro livro de um autor que se chama Harlan Coben que era muito bom. Ele anotou o nome num papel e disse que iria pesquisar pra ver se servia. Nesse dia eu peguei um jornal que escrevo de vez em quando e mostrei pra ele uma crônica e falei pra ele ler. Antes dele ver do que se tratava ele falou:
- Bosta! - E irritado gruniu entre os dentes - Aqui nessa cidade ninguém sabe escrever!
Antes mesmo que eu pudesse falar que o texto era meu ele já tinha sumido na sua carruagem real.
Ontem ele entrou na loja de novo e viu sobre a minha mesa um livro que se chama "Três Sombras", que é uma obra prima de texto e desenhos, numa estória contada e desenhada pelo francês Cyril Pedrosa. Ele chegou pegou o livro nas mãos sem me pedir, abriu, viu que era de quadrinhos, colocou em cima da mesa e falou:
- Bosta, agora você está lendo coisas de crainça! - Falou e mais uma vez... Sumiu!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os amigos e a vida



Outro dia eu falei pra um amigo que as companias influênciam muito o caráter e o tipo de pessoa que a criança vai ser quando crescer. Ele me disse que não! Que o que importa é a criação e a educação familiar. Aí eu tive que contar uma pequena histórinha pra ele e hoje resolvi contar aqui pra vocês também.
Eu era um menino bôbo, daqueles puxados pela mão, daqueles que era inteligente mas não exercitava essa inteligência pra nada. No parquinho, no primeiro e segundo anos eu não tinha amigos, eu simplesmente ia pra escola, vinha pra casa, passava as tardes atormentado, passava os dias feito um zumbizinho que nem sabe o que veio fazer aqui nesse mundo. Meus pais não viviam uma boa fase, brigavam todos os dias e muito, meu pai era mulherengo e minha mãe não aceitava isso, então o pau comia lá em casa. Esses dias também foram dias em que meus pais procuraram saídas erradas para os becos da vida, de vez em quando meu pai tomava umas a mais, de vez em quando eles tentavam procurar explicações indo atrás de religiões e gente má, e esse coquetel fazia de nossa vida uma vida quase insuportável pra uma criança que via todas aquelas coisas e não entendia nada.
Uma vez fugi do parquinho e realmente iria sumir no mundo, mas tão besta que eu era que fiquei alí pelas redondezas de casa e a polícia acabou me encontrando. Eu repeti o segundo ano e posso lhes dizer que isso foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, primeiro porque eu realmente não sabia nada de nada, eu apenas vivia, depois porque eu tive a aportunidade de conhecer algumas pessoas maravilhosas que mudaram minha vida e o jeito que eu enchergava a vida.
Na terceira série eu fui transferido de escola e lá conheci o Alexandre, o Toninho e o Marcelo. Eles não sabiam de nada ainda mas o que eles me proporcionaram como amigos, me aceitadando, me incluindo e se aproximando de mim e o melhor de tudo, trazendo uma base familiar de amor que eu não conhecia muito bem, me fizeram mudar. 
Pela primeira vez eu comecei a brincar de tirar nota mais alta que meus amigos, brincar de fazer um trabalho melhor pra poder tirar um sarrinho depois, brincar de aprender a desenhar, disputar quem leria mais livros até o final do ano, disputar e brincar com coisas que só fizeram bem. Esses três caras foram importantíssimos na minha vida. Nós éramos nerds quando esse termo nem existia e isso foi muito bom pra mim. Tudo bem que como um bom nerd a gente ficou um pouco pra trás no quesito arrumar uma namorada, mas nem isso foi ruim.
Então meus amigos, se meu filho Samuel que vai nascer em março tiver a chance de na vida dele encontrar alguns amigos como o Antonio di Petta, o Marcelo Casado Urbano e principalmente o Alexandre Oliveira Batistelli eu vou poder ficar um pouco mais tranquilo, porque amizades realmente mudam vidas! As vezes podem ser pra pior, mas no meu caso eles foram anjos que Deus mandou pra me ajudar!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O acusador



- Quem você pensa que é rapaz? Olha quanta cagada você já fez na vida... Agora vem com essa cara de anjinho falando que mudou?
- Mudei mesmo, e essas cagadas já ficaram no passado.
- O que ficou no passado? Os erros que você cometeu? Hahahahahahahahaha eles estão aí vivos na sua cabeça e vão te acompanhar pra sempre!
- Não vão mais me acompanhar porque eu abandonei esses erros.
- Abandonou por enquanto, mas é só uma brechinha aparecer que você erra de novo. Você é assim, sua familia é assim, seus pais são assim.
- Mas eu decretei que minha vida mudaria e o dia que eu resolvi mudar tudo isso ficou pra trás.
- Ah que bonitinho... Tudo ficou pra trás? Toda merda, todas as maluquices, todas as pirações. Hahahahahaha, como isso meu amigo?
- Não sou mais seu amigo. Ou melhor nunca fui seu amigo. Você fica aí falando de passado de passado só porque você sabe que não tem como eu mudar esse passado, mas tem como eu mudar o presente e também o futuro!
- Uiuiuiui... Tem como eu mudar o presente e o futuro! Que bonitinha a carinha dele... Acha que engana alguém? Quem nasceu pra ser medíocre morre medíocre rapaz! Pau que nasce torto até as cinzas dele são tortas!
- Você é o acusador mesmo né? Sarcástico, malvado... Mas aquele cara que você conhecia e influênciava não existe mais! Acabou! A vida agora mudou.
- Ah... A vidinha agora mudou?
- Mudou.
- Então está bem... Vai com essa fézinha sua aí que eu vou estar aqui te esperando no dia da sua recaída, hahahahahaha, no dia da sua volta triunfal, no dia que você perceber que eu sou o seu amigo e sempre vou estar com um ombro amigo te esperando de volta!
- Espera sentado que de pé você vai se cansar!
- Tem certeza?
- Tenho?
- Você acha que as coisas, as pessoas e a vida vão te dar segunda chance seu moléque desaforado?
- Vou te falar uma coisa, eu aprendi que a vida pode tudo, ela pode te recompensar e te punir, ela pode te abraçar, acolher e também te derrubar, mas uma coisa ela não pode nunca tirar da gente. A vontade de tentar outra vez!